domingo, 25 de junho de 2017

CAPÍTULO 11- UM ORIGINAL

Vingança para o mal - 11: Desistir não é uma opção. 





  
  
— Mariana Alonzo Alves! – Eduardo rugiu assim que ela passou pela porta.
— Algum problema, tio? – Perguntou o olhando.
— Mônica me disse que você não vai mais fazer a prova de ingresso. É verdade?
— É. – Respondeu naturalmente se jogando no sofá.
— Por que, Mari? Eu não entendo. Quando você era pequena, insistiu tanto para que eu a treinasse. E para que? Para largar tudo? Agora que é uma das melhores.
— Eu mudei de idéia, tio. Eu posso fazer isso, sabia? – Respondeu irritada indo para seu quarto.
Eduardo não entendia o que havia acontecido. Mari havia acabado de completar 18 anos. E ia fazer a prova de ingresso para a polícia, e simplesmente havia desistido? Para que ela teve todo o trabalho de convencê—lo quando era pequena, se iria desistir? Por um lado estava aliviado por sua sobrinha desistir dessa vida. Sabia o quão perigosa poderia ser. Mas também estava confuso. Tivera tanto trabalho para convencê—la a não treinar e a fazer outras atividades , mas quando havia cedido e a treinado, ela havia desistido. Ainda se lembrava daquela época.
Flashback On
Eduardo estava tentando, mas sua vida virou de cabeça para baixo e ele sabia que não podia sustentar por muito mais tempo aquela situação, ele precisava de alguém para cuidar de Mari a tarde, felizmente Mônica lhe deu uma boa sugestão e ele resolveu comentar a respeito com Mari naquela tarde, enquanto ela terminava sua lição de matemática, deitada de bruços no chão.
— Mari, o que você acha de fazer algumas atividades complementares na escola? Eu conversei com a diretora e ela disse que há várias coisas legais que você pode fazer depois da aula.
Mari levantou os olhos na direção dele, sem expressar nenhuma reação. Ela continuava com esse semblante neutro, aquele que o fazia se perguntar o que diabos ela estava pensando?
— Tipo o que?
— Tem ballet, música, esportes, artes, teatro. Muitas coisas, acho que você vai gostar. — Disse animado, tentando passar para ela esse sentimento, mas ela apenas voltou para sua atividade, ignorando—o.
Deus, aquilo estava começando a tirá—lo do sério. Ele notou que sempre que dizia alguma coisa que ela não gostava, ela o ignorava e ele não iria mais tolerar aquilo.
— O que acha? Diga alguma coisa. — Tentou não soar muito irritado e ela voltou a fita—lo.
— Dizer o que, tio? É você que manda em mim. Se quiser me deixar no seu apartamento...
— Nosso. — A corrigiu e ela se sentou no chão.
Seu. Aquela não é minha casa, eu odeio aquele lugar, eu odeio ter que comer a mesma coisa de micro—ondas todos os dias, eu odeio ter que ficar aqui. — Pela primeira vez Eduardo a ouvia dizer alguma coisa sobre sua nova vida, pois ela sempre o olhava indiferente e o obedecia, mas nunca dizia o que estava sentindo ou pensando, ele admitia que via aquilo como um bom progresso, apesar das palavras dela o terem o magoado.
Ele estava tentando ajudá—la, estava mesmo. Tudo ainda era muito novo para ele também, será que ela não podia ter um pouco mais de paciência? A mesma paciência que ele estava tendo com ela?
— Então não tenho nada pra falar por que não importa. — Sibilou. — Se você vai me deixar no apartamento, aqui, na escola. — Jogou de ombros. — É você quem vai decidir mesmo.
— Importa sim. Claro que importa. — Se levantou. — Eu quero te ajudar, Mari.
A garota se levantou também, seu tio era alto – 1,88 –, então era muito ruim conversar com ele quando ele estava em pé por que ela sempre tinha que ficar olhando pra cima e com ele em pé e ela no chão era pior ainda.
— Se quer me ajudar então por que você não me treina? Me treina pra mim me defender.
Eduardo travou a maxilar. Aquele assunto de novo.
Mari há uns três dias cismou que quer aprender a lutar como ele para que possa se defender, mas ele já havia dito que aquilo não era necessário.
— Já falamos sobre isso.
— Então por que você fica querendo saber o que eu quero se o que eu quero você não me dá? Que idiotice. — Se exaltou e ele semicerrou os olhos.
— Olha como fala.
Ela desviou o olhar e voltou a fita—lo em seguida, seu semblante ficando neutro de novo.
— Eu já disse que não tem necessidade disso, Mari. Eu vou te proteger, nada vai te acontecer.
— Como sabe?
— Eles não vão vir atrás de você.
— Você sabia também que eles não viriam atrás dos meus pais? — Sua pergunta saiu inocente, a curiosidade em cada palavra, mas para Eduardo foi como um balde d’água fria.
— Não vamos mais falar sobre isso. Você é uma criança de seis anos, Mari, pelo amor de Deus, garota! Você é uma criança, eu entendo que você está com medo, mas não tem que querer aprender a lutar, vai brincar, vai pintar, vai fazer alguma coisa que uma criança normal faz. — Se exaltou, não medindo suas palavras, mas logo ele tentou arrumar o que disse. — Desculpa — se ajoelhou, ficando quase na altura dela —, eu não...
— Teatro. — Respondeu simplesmente voltando a se debruçar sobre seu caderno de matemática.
Eduardo engoliu em seco e passou a mão pelos fios curtos de seu cabelo negro.
Céus, ele não sabia lidar com uma criança, ele não sabia o que estava fazendo. Ele nunca se sentiu tão inseguro. Em todas as missões que ia era sempre ele que tomava a frente e dominava a situação, mas agora, com Mari, ele se sentia mais perdido do que bala em tiroteio.
~*~*~
Mari já não passava mais suas tardes no escritório do tio, depois das aulas ela fazia teatro e artes, pois ainda lhe sobrava um tempo até que seu tio a buscasse, agora as 5:30 da tarde. Contudo ele sempre se atrasava e aparecia depois das 6:00PM, por que saia do trabalho a essa hora e até chegar no colégio levava um tempo.
Depois eles jantavam – geralmente era congelados, mas Eduardo começou a cozinhar algumas coisas, admitia que no começo ficavam horríveis, mas até que estava começando a pegar o jeito – e ele a ajudava na lição de casa (quando ela mesma não fazia enquanto o aguardava na escadaria do colégio) e por fim a colocava—a para dormir.
Certa noite ele acordou com alguns ruídos e logo pegou sua arma na gaveta do criado mudo e pulou da cama, indo com cautela até a origem do barulho.
Choque, horror e raiva devastaram sua alma ao notar que o barulho vinha de dentro do quarto de Mari, ele viu pela brecha da porta que ela havia pendurado o travesseiro – de um jeito bem engenhoso – no guarda—roupa e o socava. Ela socava e se abaixava, socava e se abaixava.
— Mariana. — Ele empurrou a porta, assustando—a. — O que pensa que está fazendo?
Ela se recompôs.
— Aprendendo a me defender. — Suas palavras saíram sem nenhum pingo de emoção.
Eduardo ficou boquiaberto.
— Eu disse não!
— Você disse que não ia ajudar eu a me defender, mas não disse que eu não podia treinar sozinha.
Ele enxergou vermelho, não estava acreditando que sua sobrinha estava fazendo um absurdo daqueles.
— Para com isso. — Colocou a arma na bainha da calça moletom e a segurou pelos ombros. — Para! Não quero você fazendo essas coisas, Mariana. Você é uma criança de seis anos de idade, já deu! Não quero mais saber disso. — Ele a soltou, seu coração estava acelerado.
Ele sabia que a morte de seus pais ainda estava recente, mas não achou que ela fosse ter essas reações. Desde o dia em que ele a encontrou nunca mais a viu chorar. Ela devia chorar, não devia? Devia conversar com ele sobre isso, devia fazer perguntas. Ela devia querer ser consolada, não é?
— Sete. — Foi apenas o que respondeu, olhando—o dentro dos olhos, séria.
— O que? — Ele franziu o cenho.
— Fiz sete anos dia 13 de setembro.
Eduardo sentiu o chão desaparecer debaixo de seus pés.
Ele havia esquecido o aniversário de sua sobrinha, de sua sobrinha que havia perdido os pais, de sua sobrinha que a cada dia que passava se mostrava cada vez mais distante.
— Mari — ele sentiu seu coração se apertar e uma grande vontade de chorar, só queria abraça—la e dizer que sentia muito, que se pudesse traria seus pais de volta, mas... mas ele não podia. — Mari, eu — passou as costas da mãos pelos olhos, limpando a lagrima que escorreu e engoliu em seco, controlando—se —, eu não me lembrava. Me desculpe, você quer uma festa? Podemos fazer uma festa bem legal pra você, podemos chamar seus amigos.
Mari balançou a cabeça negativamente e abriu, pela primeira vez, um pequeno sorriso, fazendo Eduardo perder o ar.
— Não precisa, tio. Agora eu vou dormir. — Ela deitou na cama e se cobriu, ficando de costas para o tio, o sorriso desapareceu e ela fechou os olhos, pensando que o teatro poderia realmente ser útil.
Flashback Off

Eduardo pegou o telefone e discou o número de Mônica. Precisava sair e conversar. Alguma coisa estava errada, mas mesmo com sendo ótimo em seu trabalho de investigador, não sabia o que era.

CONTINUA...

terça-feira, 20 de junho de 2017

CAPÍTULO 10- UM ORIGINAL

7


Vingança para o mal - 10: Eu quero informações.




— Recebi sua mensagem Isac.

— B
om te ver também Mari.

— 
Informações Souza. Eu quero informações.- Ela disse impaciente.

— 
Sabe. Você podia fingir que está aqui porque somos amigos

— 
Não somos amigos. Nós transamos algumas vezes, foi divertido. Agora você me passa as informações que eu preciso. Você quer Roberto morto tanto quanto eu. E é aí que nosso acordo acaba. A informação é quente?- Mari perguntou abrindo o envelope.

—Eu já te dei alguma que nos fosse? Aliás... Lindo trabalho com o Felipe. Um rostinho bonito abre portas.

—Você sabe que eu sou mais do que isso Isac.

—É. Eu também sei que as pessoas estão fazendo perguntas.

—Que tipo de perguntas?

—A história que corre na agência é que temos uma assassino com assinatura a solta.

—Consegue controlar as notícias?

—Eu sempre consigo. Soube que foi apresentada ao nosso amigo em comum ontem.

—Você também o viu?

—Claro que eu vi. Eu também estava na festa. Mas você garota você levou as coisas pra um outro nível. Envolver o filho dele? Brilhante

—Eu trabalho com oportunidades. E o menino de ouro é a melhor até agora.

Só tome cuidado. Eu já vi o Mendes  trabalhando. Ele não é burro.

—Porque eu tomaria cuidado? Tudo que ele sabe sobre mim é que meus pais morreram em um trágico acidente de carro e que eu fui criada pelo meu tio. Eu aposto que quando ele era pequeno ele gostava de cuidar dos Animais machucados que encontrava e para ele eu sou exatamente isso. A doce. Frágil órfã.

—Você esqueceu do psicótica e vingativa.- Ele disse sorrindo.

—O que eu vou fazer com o pai dele não é vingança. É justiça. Vingança vai ser o que eu vou fazer com os outros.

—Ou. Espera aí. Que outros. ?

—Você achou que Roberto seria o suficiente? Ele me tirou as pessoas que eu amava. E é exatamente o que eu vou fazer com ele. Ele mandou matar meus pais. Ele os matou na minha frente, e é desse jeito que ele vai perder a família dele.

—O acordo não era esse. Era pra ser só o Roberto, Mariana.

—Não. Você disse que queria Roberto morto e é exatamente isso que vai acontecer. Todo o resto não é da sua conta. - Ela disse pegando o envelope e saindo.

—Tem mais uma coisa. Eduardo está na sua cola.

—Com tanto que você mantenha sua boca fechada, eu não tenho com o que me preocupar.

Mari chamou um táxi e foi até o apartamento encontrando Mônica digitando em seu computador.

—Oi.

—Oi. O que você está digitando?- Perguntou curiosa.

—Assuntos da agência. Sabe que não posso falar Mari.

—Sério Nica? Desde quando guarda segredo de mim?

Está bem. Senta aqui. – Ela disse e Mari foi para seu lado.

—O que é?

—Não temos certeza ainda. Encontramos um padrão, mas não há ligações.

—Padrão?- Mari perguntou querendo saber até onde Tânia sabia.

—Olha.- Ela disse apontando para a tela.- Vê? Todos com tiro na cabeça e tem essa flor no meio do sangue. No inicio pensamos que era parte da decoração dos hotéis, mas olhe para esses. Eles estavam nas salas de sua casa. E não parece um lugar que tenha flores.

—Então é um assassino com assinatura?

—Exatamente.

—Quem são as vítimas?

—Todos criminosos. Ou eram procurados ou conseguiram sair da cadeia, mas ainda sim criminosos.

—Então ele está fazendo um favor.

—As coisas não são assim Mari. Eduardo está preocupado.

—Por quê? São criminosos.

—As coisas não são feitas assim Mari. Eles eram criminosos sim, mas deveriam receber um julgamento e uma punição. Não serem executados.

—Quantos foram?

—Nove até agora. O ultimo foi encontrado há alguns dias. Felipe Veigara.

—Esse não é...

—Um dos mais procurados do FBI? É Sim.

—Você sabe mais coisas?

—Não. Ele é espero. Sabe limpar a bagunça. Quase como se desaparecesse.

—Boa sorte então. Parece que vão precisar.

—Eu também acho. Mas chega de falar disso. Eduardo me contou. Sobre o Lucas.

—Não Nica. Nem começa.

—Ah não, Mari. Você tem que falar. Não credito que fingiu que estava bêbada pra sair com ele.

—Eu queria sair da festa e consegui. Eu tenho que ir.- Disse indo em direção a porta.

—Não senhorita, temos que conversar.

—Nós vamos. Eu prometo, mas eu tenho que sair agora.

—Tudo bem, mas quando você voltar nós vamos conversar.

—Eu sei. Até mais tarde Nica.

—Ei, espera. Onde você vai? De mochila?

—Eu marquei de encontrar uma amiga e vou passar a noite na casa dela.

—Uma amiga? Ou um amigo?

—Nica...

—Ei.. Não estou julgando. Você é maior de idade. Só quero saber onde você vai para quando seu tio perguntar.

—Lucas e eu marcamos de sair. Nada de mais.

—E vocês...

—Até mais Nica.

Mari pegou sua mochila e colocou nas costas montando em sua moto e pilotando até o endereço do Viana.

Já estava escurecendo e ela sabia que ele não estava em casa. Seu contato estava o vigiando e a avisaria quando ele saísse do bar. Ela entrou pela janela próxima a central de alarme e mexeu na caixa cortando os fios antes que disparasse. Então começou a preparar sua brincadeira.

Estava tudo preparado quando Mari recebeu uma mensagem. Seu alvo estava a caminho. Algum tempo depois ela ouviu a porta ser aberta e ele estava sozinho. Bêbado, mas sozinho. Ele entrou na sala, e tentou acender as luzes, mas ela já havia cortado a energia.

—Mas que merda.- Ele fechou a porta e a trancou. Quando ia em direção ao quarto ouvi apenas uma ordem.

—Não se mexa.- Ele congelou no lugar. Ele estava perto de uma mesinha onde deixava sua pistola. Como estava escuro ele a pegou.

—Vire-se.- Ele se virou com a pistola na mão e a encontrou sentada em sua poltrona.

—E quem é você?

—Não é você que faz as perguntas aqui.- Ele apontou a pistola para ela e apertou o gatilho, mas não houve disparo. Mari havia descarregado a arma.

—Está bem. O que você quer? – Ele perguntou jogando a pistola no chão.

—Quero você exatamente onde está. - Ela disse sorrindo.- E disparou em seu joelho o fazendo cair. Quando ele tentou se levantar recebeu outro disparo no ombro.

—Eu pago o dobro. Por favor. Não me mate.- Tentou negociar desesperadamente.

—Por que não?- Ela perguntou sorrindo com o desespero dele.

—Por favor.- Suplicou.

—Você não se importou quando meu pai implorou. Por que eu me importaria?- Ela disse se aproximando.

—O que? Eu...- Disse confuso.

—Mas pode ser que eu não te mate. Se você me ajudar com uma coisa.- Disse com sua voz inocente. As aulas de teatro que frequentou na infância nunca lhe foram tão úteis.

—Qualquer coisa. Qualquer coisa.- Ele gemeu de dor.

—Como eu encontro seu amiguinho? Qual o nome dele mesmo.. Ah sim Santiago.- Ao ouvir o nome do Santiago, Arthur congelou.

—Eu sabia. Sabia que o José
 tinha uma filha. Eu o avisei que isso aconteceria. Eu avisei. Sabia que você viria atrás de nós um dia.

—E isso não te impediu de mata-lo,não foi?

—Eu não queria.- Tentou se justificar.

—Eu acho que você queria. Queria muito mais que isso. Foi você que eu vi com a minha mãe.

—Por favor. Foi só uma brincadeira.

—Eu sei disso. Nós também vamos brincar um pouquinho. Sabe, eu sei que existe um código de lealdade entre vocês. Mas você vai me dar o paradeiro dele. E então eu vou fazer uma coisa bem legal pra você.- Disse se aproximando com a arma engatilhada.

—Tudo bem. Eu falo o que eu sei, mas não me mata.- Suplicou mais uma vez.

—Bom garoto. Agora que você está sendo legal comigo, eu posso ser legal com você também. Eu não vou matar você. Eu prometo.- Mari 
 disse jogando as algemas em direção a ele. 

—Ali. Se algeme no móvel. – Ela mandou e ele obedeceu. Quando ele estava preso, Mari
 colocou a arma na cintura e caminhou até ele.- Você está sendo um bom garoto. E bons garotos merecem recompensas. Ela disse abrindo o zíper dele e puxando sua calça. Ele pensava que ela era no mínimo louca, mas pelo menos estava satisfeito com a promessa que ela não o mataria. Ela puxou sua calça junto com a boxer e viu que ele estava começando a se animar.-Você tem sido um bom garoto, mas já fez coisas muito ruins não foi?- Ela perguntou.

—Eu fiz.- Ele disse entre gemidos.

—E você se arrepende?- Perguntou sem desviar o olhar.

—Não.- Negou prontamente.

—Não?

—Não mesmo.- Confirmou.

—Que ótimo.- Ela disse puxando uma faca de sua cintura e colocando perto do membro dele.

—Espere.. O que você..?- Antes que ele dissesse mais alguma coisa ela o cortou e ele gritou.

—Isso é por pensar que podia colocar suas patas na minha mãe.- Ele perdeu a consciência por alguns minutos. Quando acordou ela estava no sofá. O observando.

—Pensei que a brincadeira tivesse acabado.- Disse sem emoção em sua voz.

—Você prometeu que não me mataria.- Disse tentando se manter acordado.

—Ah, mas eu não vou. A hemorragia vai.- Ela disse mostrando seu membro cortado dentro de um saco plástico e ele olhou para si com horror e gritou quando Mariana 
 jogou uma rosa branca e saiu sem olhar para trás. 

CONTINUA...
  

domingo, 11 de junho de 2017

CAPÍTULO 09- UM ORIGINAL



Vingança para o mal - 09: Antes tarde, do que nunca.






—Você vai mesmo insistir com isso?

—Mari, por favor.

—Por favor digo eu tio. Eu não acredito que você vai ficar com essa.. Essa...

—Mariana, já chega. Eu estou indo para o altar. A birra acabou. Miranda é uma mulher incrível e espero que logo você perceba isso.

—Eu acho que quando a máscara cair vai ser tarde.- Maro disse saindo correndo .

—Mari?- Mônica a chamou.- Você está chorando.

—É claro que não.

—Tudo bem se estiver Mari. Tudo bem se estiver triste. Eu sei que tipo de mulher Miranda é, mas seu tio...

—É estúpido de mais para perceber qual é o jogo dela? Ele é. Eu não estou triste. Eu estou com muita raiva.

—Mari..

—Não Nica. Meu tio... A única família que me restou, prefere acreditar naquela vadia do que na própria sobrinha. E tudo bem, talvez eu não seja tão importante assim, mas e você? Por que vai desistir dele?

— O que mais eu poderia fazer Mari? Eu fiz minha parte. Falei como me sentia, mas ele não sente o mesmo.

—Mas você nem..

—O que mais eu poderia fazer Mari? Obrigá-lo a ficar comigo? Eu tenho amor próprio.

—Eu sei.Não foi o que eu quis dizer. É que, se meu tio tem que se casar, eu prefiro que seja com você.

—Eu também querida, mas o mundo não é uma fabrica de realização de desejos . – Mônica olhou para Mariana pensando.- Mas talvez seja... Mari, eu quero que você vá para aquela sala e ajude Miranda a se arrumar.

—O que?- Mariana praticamente gritou.- Você está brincando Nica? Bateu a cabeça? Quer que eu ajude aquela...

—Obedeça Mariana. Uma vez na vida. Confie em mim e obedeça.

—Você é doida. Vocês todos são.- Ela disse fechando a cara, mas indo para a sala onde Miranda se arrumava.

—Mari..- Miranda disse com descaso. – Veio prestigiar minha vitória?

—Isso ainda não acabou.

—Está acabado Mariana. Você perdeu. Eu vou me casar com seu tio. E uma das primeiras coisas que vou fazer é afastá-lo daquela sem sal da Mônica. Ele é comprometido e ela se declarou para ele. É uma vadia mesmo.

—Sua...

—O que? Não gosta que eu fale dela assim? Ah sim, vocês são amiguinhas não é? Ela ficou no lugar da sua mãe? Tinha esperanças de que ela ficasse com seu tio? Esqueça. Ele é meu. Agora...O que achou do vestido ?

—Você fica gorda nele - Mari respondeu com raiva.

—Eu também adoro você sua coisinha. Mal posso esperar para depois do casamento. Vou te colocar pessoalmente no avião ora suíça.

—Meu tio não vai com essa loucura até o final. ..

—Olhe para mim garota. A fase rebelde não foi o bastante. E depois do casamento daqui uns meses Eduardo vai estar tão envolvido com nosso filho que nem vai se lembrar de você.


—Você não está grávida- Mari rosnou.

—Detalhes, detalhes. Depois do casamento vou ter muitas chances de engravidar. Você acha que ele vai ser esperto o bastante para fazer as contas? Ele me ama e quanto a você... Vai passar bons anos no colégio interno.

—Eu discordo disso Miranda. - Uma voz grave soou na sala fazendo Miranda se virar Paralisada.

—Eduardo meu amor eu...

—Deixou a máscara cair? Concordo plenamente.

—Não querido, eu posso explicar.

—Eu acho que não preciso de explicações Miranda. Mesmo não sendo tão esperto como você disse. O casamento estava acabado.

—Mas e o nosso filho?- ela perguntou segurando sua barriga.

—Aquele que você pretendia fazer depois do casamento? Acho que não vai ser possível. Acabou Miranda. Agora pegue o pouco de dignidade que lhe resta é sai da minha frente.

—Você não pode fazer isso!! Ela gritou. Minha família toda está lá fora.

—Isso é ótimo. Assim você consegue carona com alguém para ir embora já que eu não estou nem nunca mais estarei disponível para você.


—Ahh- ela gritou se virando para Mari- Você armou isso! Sua... - E antes que ela chegasse até ela, Mônica apareceu e se colocou em sua frente.


—Não termine essa frase nem se atreva tocar nela. Porque vai ser a última coisa que vai fazer. - Miranda gritou e saiu da sala chorando.

—Eu vou esperar lá fora. - Mônica disse saindo e Eduardo assentiu.

—Mari, eu não tenho palavras para dizer o quanto lamento

—Tudo bem tio. Ela disse olhando para baixo.

—Não, não está. Eu devia ter ouvido você. Se tivesse feito isso não teríamos chegado a esse ponto.


—Eu pensei que você já estivesse no altar.

—Eu estava.

—Então como ouviu?


—Mônica disse que você havia torcido o pé e precisava de mim.


—E você veio por mim?

—Na mesma hora. Assim que cheguei na porta ouvi as palavras de Miranda. Eu sinto muito Mari, eu acho... Que estava cansado de ficar sozinho.

—Você só está sozinho porque quer.

—Não diga besteiras.


—Vocês são tão cegos assim? Você nunca notou como a Nica olha para você?

—Isso é coisa da sua cabeça.

—Como a psicótica da Miranda?Ela perguntou e ele a olhou. - Desculpe. Um dias vocês vão ver que um esta caído pelo outro.

—Vamos ver Mari. Vamos ver.

—Que bom que você ouviu a conversa com aquela megera. Seria uma merda ir para um colégio interno.

—Seria mesmo. Vem, vamos para casa. Você tem que colocar um dólar no pote.

—Merda.

—Dois dólares agora.





CONTINUA...



CONTINUA...
  



domingo, 4 de junho de 2017

CAPÍTULO 08- UM ORIGINAL

Vingança para o mal - 08: O amor trás coisas boas. 






Dias de hoje....


Mariana se trocou rapidamente e pegou suas botas na mão para que o barulho não acordasse seu tio. Ela caminhou lentamente até a porta da frente.
—Pare.- E ao ouvir a voz do tio ela congelou. Ele e Mônica estavam animados ontem a noite então ela calculou que ele demoraria em acordar. - Vire-se e volte. - Mas dessa vez ela estava errada.
—Tio. Eu pensei que estivesse dormindo. - Ela disse se virando para a mesa e vendo seu tio sentado com uma caneca de café. - Não ouvi o senhor levantar.
—Talvez devido à ressaca já que bebeu tanto que Lucas teve que trazê-la em casa. Mas espere você não bebeu uma única gota não foi Mariana?- Ele perguntou mesmo sabendo a resposta. - E então Mariana? Eu estou esperando.
—Eu queria conhecê-lo melhor. Está bem?
—Eu suponho que ele ser filho de quem é não tenha nada haver com isso não é?
—Eu sei de quem é filho. Eu não me importo. Você mesmo disse que Roberto não tem como ser culpado. Eu só queria conhecê-lo. Eu juro. - Ela disse e ele suspirou se levantando.
É isso mesmo Mari? Lucas é um bom rapaz. Não tem nada com os negócios do pai.
—É só isso. Eu... Eu ia conversar com Mônica sobre isso, mas você a monopolizou a noite toda, então dei meu jeito de ficar a sós com ele.
—Me desculpe se quis passar um tempo com a minha noiva. - Ele disse sorrindo já esquecendo o assunto.
—E ele é muito bonito.- Ela disse dando ombro.
—Eu pensei que não viveria para ver o dia que Mariana Marques Alves se apaixonaria.
—Ei.. Eu não estou apaixonada. Ainda..- Ela murmurou corando.Como estava tão quieto aqui? E como sabia que eu ia sair?- Disse mudando de assunto.
—Eu te ensinei tudo que sabe Mari, mas não tudo que eu sei. Nós ficamos bastante ocupados ontem e Mônica ainda está dormindo , então acho que a conversa de vocês vai ter que esperar.- Ele disse sorrindo com a caneca de café e indo para a cozinha.
—Eww. Informação demais tio. Informação demais.
—Por falar nesse assunto. Agora que você está... Saindo com..
—Eu já estou saindo tio. – Ela disse calçando as botas e correndo para a porta. - Não vamos ter a conversa.
—Mantenha meu sofá sem vestígios, por favor. - Ele gritou antes dela sair.
Eles moravam no quinto andar e Mari sempre ia de escadas. A única exceção foi quando fingiu estar bêbada com Lucas. Ela não gostava nem um pouco de elevadores.
Ela já estava na garagem entrando no carro quando o celular apitou avisando que havia uma nova mensagem.

—Eu mencionei como sou bom em descobrir coisas?
Mari olhou a mensagem pensando que ele havia sido mais rápido do que ela havia imaginado e decidiu entrar no jogo.
—E quem você seria?
—Uma noite e já se esqueceu de mim? Eu disse que tomaria como um desafio.
Lucas.
—Então ainda se lembra de mim?

—Claro que me lembro. Vejo que já conseguiu meu numero. Foi rápido.
—Por algumas pessoas vale à pena.

Ps. Quando vou vê-la de novo?
—Alguém está ansioso.- Mari disse para si mesma.
—Que tal em 20 minutos? Meu apartamento?
—Parece ótimo para mim.
—Espere na recepção.
Mari digitou e assim que foi enviada correu para seu apartamento e esperou exatos 23 minutos para então descer as escadas de novo.
—Oi. - Ele disse acenando e sorrindo.
—Oi. - Mari sorriu lhe dando um beijo no canto da boca o fazendo corar.
—Algum problema com o elevador?
—Alem de manter a pessoa presa? Não.
—Claustrofobia?
—Algo do tipo. Ontem foi uma exceção. Andar de elevador é o preço que se paga por beber tanto que não consegue usar as escadas. - Ela disse e ele a olhou sorrindo. - O que?
—Nada. Você é... Diferente.
—A normalidade é superestimada. Para onde vamos?
—Que tal um cinema?
—Parece ótimo. Qual filme?
—Saiu um novo. Pensei que talvez você gostasse. - Ele disse mostrando o jornal.
—Uau. Um filme de ação. Alguém fez o dever de casa. A maioria dos caras me levaria para ver um romance bobo.
—A maioria das garotas não tem psicose e a noite dos mortos vivos entre seus livros favoritos.
—Parece que não somos como a maioria então.
—Parece que não.

Eles saíram do prédio e foram para o cinema. No meio do filme Lucas passou seu braço pelas costas de Marie e ela deitou a cabeça em seu ombro suspirando. Quando o filme terminou, eles saíram caminhando pela praça com ele segurando a mão dela.
—Conte alguma coisa verdadeira. - Ela pediu.
—Alguma coisa verdadeira? Você é muito bonita. - Ele disse levando sua mão até a boca e a beijando e ela riu.
—Boa, mas não.
—Isso é verdadeiro.
—Eu quis dizer alguma coisa sobre você.
—Me deixa pensar... Quando era pequeno... Ficava pensando porque minha mãe não me quis. A biológica não a Ana.  E antes de dormir ficava pensando nela. Eu sei que não deveria, mas eu ficava.
—Ela era sua mãe. Apesar de tudo não é?
— Acho que sim. Sua vez agora.
—Sinto falta dos meus pais.- Ela disse suspirando.
—Quantos anos você...
—Seis. Eu estava com eles no carro. Estávamos indo visitar um amigo do meu pai quando um cachorro cruzou a pista. Meu pai estava dirigindo e tentou desviar, mas o carro saiu da pista. O mais curioso é que minha mãe sempre falava pra eu colocar o sinto e naquele dia eu estava sem como sempre. Fui arremessada pra fora antes do carro cair do penhasco.Por isso sobrevivi- Mari disse sentindo as lagrimas descerem.
—Ei.- Edward acariciou seu rosto e secou suas lagrimas- Eu sinto muito. Não precisamos mais falar disso.
—Não, tudo bem. É só que não estou acostumada com isso. - Ela disse fungando e deixando que ele a envolvesse com os braços.
—Com isso?
—Alguém cuidando de mim. Quer dizer... Meu tio é ótimo e a Nica é a melhor amiga que eu poderia pedir, mas é... Diferente com você. Me sinto diferente. Ainda não sei se isso é uma coisa boa.
—Talvez seja. - Ele disse sorrindo e segurando seu rosto. Ela envolveu o pescoço dele com seus braços e deixou que ele a beijasse. Quando o beijo ficou mais ansioso Mari sentiu seu celular vibrando com uma mensagem.

—Informações do Viana.
—Eu tenho que ir. Eu fiquei de ajudar meu tio com uma coisa. Mas gostei de hoje.
—Eu também.- Ele disse parecendo chateado.
—Eu pareceria muito desesperada se quisesse te ver de novo?
—Ufa. Pensei que a mensagem era uma desculpa pra me dispensar. - Ele disse e ela sorriu.
—Não. Acho que vamos nos ver bastante ainda. - Ela disse lhe dando um beijo e entrando no táxi que estava parado e passando o endereço do seu contato e indo embora e pensando que ela teria sua vingança mais cedo do que esperava se ele continuasse assim tão fácil de envolver. E enquanto ia para o endereço na mensagem viu um adesivo no táxi onde estava escrito. "O amor trás coisas boas."


—No meu caso o amor vai me trazer minha vingança. - Murmurou para si enquanto sorria olhando pela janela e Lucas estava acenando para ela. O Jogo havia ficado muito mais divertido agora.



CONTINUA...