segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Resenha do Livro: O canto da coruja


Título : O Canto da Coruja
Autora: Michaelly Amorim
Editora: Sekhmet
Páginas: 141
Nota: 🌟🌟🌟
Suindara mora na floresta sozinha desde que seus pais morreram. A garota esconde da vila onde mora o segredo que pode causar sua morte: Suindara pode se transformar em coruja. ​ 
Para os moradores daquele pequeno reino, as corujas são malditas, pois, 
segundo a maldição que amedronta a todos, sempre que uma coruja pia uma pessoa morre. Por causa disso, eles caçam e matam todas as corujas que encontram. ​ 
Suindara sabe que se eles descobrirem que ela é a última coruja branca, sua vida pode chegar ao fim! O que ela ainda não sabe é que existe uma bruxa por trás da maldição e esta não vai descansar até ter a última coruja branca.


Esse é o primeiro livro publicado da nossa parceira Michaelly Amorim.
Recebi o livro autografado, com dedicatória da autora e mais alguns marcadores de coruja. Simplesmente maravilhosos.

Ainda tive a sorte de conseguir encaixar esse livro no meu desafio, como “nacional”.


No livro conhecemos Suindara. Ela havia perdido os pais há muito tempo e foi criada pelos tios, que também partiram. Vivendo na floresta, ela conhecia cada canto do lugar, e por passar tanto tempo lá, os animais que lá habitavam, também cativaram seu amor.

“ Chegou a tempo de salvar uma pequena raposa que estava presa pela calda que, por pouco, não foi arrancada de seu corpo pela armadilha.
Rapidamente desmontou a armadilha e pegou a pequena raposinha nos braços levando para sua casa. “Lá, tratou seu ferimento e a soltou de volta na natureza.”
 O Canto da Coruja - pág 10
Suindara andava pela floresta desarmando as armadilhas que os caçadores locais armavam, mas existia um Caçador em especial e ele estava por perto quando ela desarmou a primeira armadilha. 
Correndo para buscar seu jantar, qual foi a surpresa do Caçador quando descobriu que ela estava vazia. Pensando que alguém havia roubado seu jantar, ele corre para a próxima armadilha e para a seguinte, afim de pegar o ladrão, mas ao chegar na última armadilha ele não encontra o ladrão que procurava, e sim uma bela jovem de pela muito clara e cabelos tão loiros que quase chegam ao branco. 
O primeiro encontro dos protagonistas é bastante conturbado e depois de discutirem sobre os animais o Caçador tenta intimidar Suindara, mas isso não funciona porque ela tem um espírito selvagem, que só deixa o Caçador ainda mais enfeitiçado por ela. Já que ele está acostumado com as moças dá pequena aldeia se jogando aos seus pés e eventualmente em sua cama.  Deslumbrado por sua selvageria, o Caçador perde o controle e a beija.
“ – Não ouse colocar suas mãos nojentas em minha boca. – Ela se irritou novamente. Quem ele pensava que era?
- Como quiser, não te calarei com minhas mãos. Mas se der mais uma palavra, essa será a última que sairá de sua linda boquinha.- Eu não tenho me... – Ela começou a falar, mas foi interrompida por ele que, sorrindo satisfeito, a calou com um beijo.”
 O Canto da Coruja - pág 14

Suindara que nunca havia sido beijada, fica chocada demais para reagir, mas quando volta a si,  bate no Caçador, o deixando atordoado tempo o suficiente para que ela pudesse sair correndo.

No outro lado dá história, também temos a lenda da maldição das corujas, e sempre que uma coruja pia alguém morre e aquele é o ano dá maldição. Em noite de lua cheia, os aldeões saem caçando as corujas pela floresta. Mas Suindara não é apenas uma garota que vive na floresta. Ela também carrega um segredo. Ela faz parte de uma geração que se transforma em corujas brancas por causa de um feitiço que foi lançado muitos e muitos anos atrás.  Sabendo dá maldição, Suindara procura se manter o mais distante possível dos aldeões em noite de lua cheia  O que ela não espera era reencontrar um certo Caçador que andava pela floresta enquanto ela voava .

 Sabendo dá história dá maldição, o Caçador não hesita em puxar suas flechas e alvejar a coruja que sobrevoa o céu.  Uma de suas flechas acaba acertando em cheio a asa de Suindara, que cai ferida no chão.
Ao se aproximar, pronto para matar a coruja, o caçador percebe que sua faça não estava mais com ele,  ele a havia deixado na pequena cabana que encontrou na floresta. Cabana essa que ele descobriu ser o lar de Suindara. Então ele decide amarrar a coruja e a prende no topo de uma árvore para que nenhum predador pudesse  pegá-la enquanto ele retorna a cabana em busca de sua faca. Depois de voltar para a coruja, já com a faca na mão, ele descobre que sua presa desapareceu, mas deixou uma trilha  de pegadas humanas e um rastro de sangue.

Irritado com a perda de sua caça, ele segue a trilha e para sua surpresa invés de encontrar sua coruja branca, ele encontra a garota selvagem caída no chão e sem nenhuma peça de roupa. Ele percebe que além de inconsciente, Suindara também possui um ferimento exatamente onde a flecha havia atingido a coruja branca. Olhando para aquilo o caçador começa a questionar a própria sanidade.

Depois de  leva-la até a cabana e cuidar do ferimento de Suindara, o Caçador volta para aldeia porque tem um encontro marcado com a rainha, e faltar a um encontro desses, é desejar a morte certa. Depois de seu encontro com a rainha, o Caçador retorna até a pequena cabana, apenas para ver Suindara fugir com outro homem. Cego de raiva ele jura que irá caçá-la.




Ricardo, outro descendente dos Furgatas, vai apressado até a floresta, com esperança de resgatar uma das poucas corujas brancas que restaram. E ao meio de tudo isso, a maldição é entoada novamente.

“Uma canção e morte sobre sua cabeça entoará
O grito da coruja seu destino selará
A cada sete anos, doze gritos se seguirão
Uma chamada a cada lua servirá de marcação
Apenas com o fim do mal esse tormento cessará
Pois a morte com a morte se deve pagar
Ou depois de sete anos o sofrimento voltará”

O Caçador nem imagina que o tal homem misterioso que levou sua presa é do povo de Suindara, e também se transforma em coruja. Os dois partiram para aldeia onde existem outros como eles. E Suindara poderia assim, descobri mais sobre seu passado e suas origens e tentar parar o massacre das corujas.



A história do livro é muito criativa. Porque diferente das outras histórias que envolvem transformações, o dom de Suindara não é retratada como uma maldição, e sim um legado o qual ela carrega. Os personagens são bem desenvolvidos, mas confesso que espera um pouco mais de resistência dá parte dela. Ao meu ver, ela se entregou muito fácil ao Caçador.
O livro também tem uma pegada de fanfic, o que faz a leitura ser muito leve e em muitas partes divertida. 
Podemos ver uma dose de humor através da Avó de Suindara, querendo que a neta e Ricardo fiquem juntos.
Foi uma surpresa para mim, descobrir que as corujas não eram os únicos perseguidos e que o passado, presente e futuro dos personagens esta mais interligado do que eu podia imaginar. O final foi bastante digno e até inesperado, porque eu confesso que havia perdido as esperanças de que tudo ficasse bem.


Esse foi apenas o primeiro livro que li da autora e estou curiosa para ler outros. Talvez algum gênero diferente. 



          Perfil no FacebookPágina no FacebookInstagram


Disponível para compra aqui.

Mais um livro finalizado, vamos ao próximo....


sábado, 3 de fevereiro de 2018

Resenha do livro: O Iluminado – Stephen King


 Começamos mais um ano e com ele, o desafio de 2018.  Serão 40 livros esse ano e eu só li 2! O que quer dizer que já estou atrasada, mas vamos lá.
As notas dos livros nesse desafio serão dadas de 0 a 5! 

Título: O Iluminado.
Autor: Stephen King
Editora: Ponto de leitura
Páginas: 581.
Nota: 🌟🌟🌟


A escrita do King é dividida em duas categorias de leitores. Os que amam e os que simplesmente odeiam.
Para minha sorte, sou da primeira turma e fiquei encantada com a escrita dele. Não estou dizendo que amei o livro. Acredito que exista algum melhor na enorme lista de suas criações. Mas ainda sim, já estou me planejando para ler outros livros do autor.
Comecei a ler “ O Iluminado!” em uma leitura compartilhada para o desafio que vou participar esse ano. Ele entrou na categoria “ Um livro que te assusta”. E realmente assustou. Nunca fui fã de nada que envolva terror. E confesso que foram algumas noites mal dormidas, mas acho que era mais por expectativa do que o próprio susto.
No livro, vemos a historia da família Torrance. Jack era um professor que gostava muito de beber e sofria com seus surtos de raiva. Devido a esses surtos, Jack perdeu seu emprego, fazendo a família passar por dificuldades.
“A hera de abril farfalhava na janela estreita da sala de Crommert, do aquecedor saía o ruído sonolento do vapor, não era uma fantasia. Era a realidade. Sua vida. Como pôde tê-la fodido tanto? “
                               O Iluminado – pág 55
Graças a ajuda de um velho amigo, Jack conseguiu uma entrevista de emprego para o cargo de zelador do badalado hotel Overlook. O gerente responsável é extremamente arrogante, mas sem ter outra opção, Jack se humilha diante dele para conseguir o emprego e assim, garantir o sustento da família e se tiver sorte, se livrar de seu bloqueio de escritor.
Então ele e a mulher, Wendy junto com o filho do casal, Danny, se mudam para o hotel. Danny é muito mais que um garotinho de cinco anos. Ele tem um dom que é chamado pelo livro de iluminação. Esse dom lhe causa premonições, alucinações e visões do futuro. Além de fazer com que o garoto possa ler o pensamento das pessoas a sua volta. Mesmo que não queira. 
“Saia e venha tomar seu remédio! Vou encontrá-lo! Vou encontrá-lo!”
                       O Iluminado – pág 78
Quando a família vai conhecer o hotel, conhece também Hallorannn. O cozinheiro do hotel. Ele e o pequeno Danny tem mais coisas em comum do que se pode imaginar. Afinal, Hallorann também é iluminado.
- Consegue ouvir o que sua mãe e seu pai estão pensando, Danny? – Hallorann o observava de perto.
- Na maioria das vezes, se eu quiser. Mas geralmente eu não tento. “
O tempo passa e a neve começa a ficar cada vez mais densa. Até que eles se vêem presos no hotel. Mas quem foi que disse que estão sozinhos? Hallorann e os outros funcionários já partiram, deixando apenas os Torrances para trás. Mas existe algo no hotel que deseja Danny mais do que qualquer coisa.
Com o passar das semanas, Wendy e  Danny encontram uma rotina dentro do hotel, enquanto Jack está cada vez mais obcecado pela história daquele prédio que exala magia e mistério.
Perdido em seus pensamentos e lembranças macabras, Jack vai se afundando e isolando cada vez mais, até que o hotel passa a usá-lo para conseguir o que realmente deseja. O pequeno Danny.
O grande e majestoso Overlook tem um passado bastante conturbado, cheio de escândalos e sangue. E alguns dos moradores que viveram lá por décadas, não estão dispostos a se mudar.
Possuído por seus próprios demônios interiores e lembranças de seu passado, Jack fica cada vez mais alucinado. Wendy está cada vez mais apavorada com os surtos do marido, mas não vai deixar que ele machuque seu filho. Nem que para isso, morra tentando protegê-lo.
“- Eles não vão deixar. Ele está vencido.
- Quem não vai deixar?
- As pessoas no hotel. – disse ele. Olhou-a então, e seus olhos não estavam indiferentes. Estavam penetrantes e apavorados. – E as... as coisas no hotel. Há todo tipo de coisas. O hotel está cheio de coisas.
- Você vê?
- Não quero ver. – respondeu baixinho. – Mas posso ouvir...”
                          O Iluminado – pág 429
O livro é enorme! Então foi estrategicamente dividido em cinco partes. Você consegue claramente ver a evolução da loucura do protagonista. Você se vê ali dentro e fica apreensivo, pensando em como vão escapar, porque você não sabe exatamente com o que está lidando.
Foi uma ótima leitura, mas quero ler outros livros do autor para comparar. O próximo livro do King que pretendo ler é It e logo depois, Misery. E vocês? Já leram algum do mestre do terror?

Esse foi o primeiro livro do desafio de 2018, então vamos para o próximo. 


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018




Olha quem está de volta!!!! Sim, depois de um longo tempo afastada, eu finalmente estou de volta.

Com o trabalho integral e a faculdade, acabei me enrolando e parei as postagens. Esse ano vou me organizar melhor e as postagens serão mais frequentes. E para começar, vamos de desafio. Um desafio literário junto com a minha gêmea de outra mãe, @mrosy_war.

Serão 20 livros do desafio, mais 12 e do clube e do livro @clubeliterei . E deixar mais alguns em aberto, porque nunca se sabe o que pode aparecer.

A meta para 2018 é de 30 livros, então vamos lá. As fotos serão postadas lá no instam, mas aqui também. E as postagens no blog também voltarão aos poucos e a divulgação será feita lá no insta também.

E sim, a história Ela me deixa louco também irá retornar. As 24 horas do meu dia terão que render!

Logo mais tem postagem. É tempo de novos
começos, então vamos lá!! #2018



DESAFIO LITERÁRIO 2018





Capa dura: Biblioteca de Almas - Ransom Riggs;

Escolhido pela capa: Contos Peculiares - Ransom Riggs;

Yong Adul: Tartarugas até lá em baixo - John Green;

 Chick Lit: Procura-se um Marido - Carina Rissi;

 2HQs: Ainda não escolhi ( aceito indicações)

Com adaptação cinematográfica: Fallen - Lauren Kate;

 Esquecido na estante: O Diabo Veste Prada - Lauren Weisberger

Fora da zona de conforto: It, a Coisa - Stephen King;

Nacional: A Mentira Perfeita - Carina Rissi;

Terminar série começada: A Libertação da Bela Adormecida  Anne Rice / Coração Perverso - Leisa Rayven;

 Distopia: Espada de Vidro - Victoria Aveyard;

Uma palavra no título: Tormenta - Lauren Kate;

 Um clássico: Razão e Sensibilidade - Jane Austen;

Com mais de 500 páginas: Frankenstein; O médico e o monstro; Drácula - Bram Stoker, Percy Bysshe Shelley e Robert Stevenson;

Troca de indicação: Ainda indefinido também;

 Baseado em fatos reais:
O Diário de Anne Frank - Anne Frank;

 Livro de autor popular: 
Assassinato de Roger Ackroyd - Agatha Christie;

 Todos leram menos você: Harry Potter e a Pedra Filosofal - J. K. Rowling;
 Que te assuste: O Iluminado - Stephen King;

 Publicado em 2017: A Prisão do Rei - Victória Aveyard. 


Esses foram os escolhidos para o desafio. Conforme eu for lendo, vou postando as fotos e dando opinião sobre cada livro! 

domingo, 26 de novembro de 2017

Ela me deixa louco - Capítulo 17






Ana saiu da casa sentindo as lagrimas manchando seu rosto. Ela sabia que ele não acreditaria nela, mas ela tinha que tentar.
Entrou em seu carro e deu partida, contudo a picape azul não andou nem quinhentos metros antes de morrer. Ela tentou ligar novamente, porém não funcionava. Ela pegou seu celular, mas a bateria havia acabado, e para piorar sua situação, uma tempestade parecia se formar no céu. Ana tentou ligar o carro mais uma vez, contudo não funcionou, ela ficou sentada esperando enquanto chorava.
Tyler ainda atordoado com o encontro adentrou em seu quarto e olhou em cima da cama. O cheque com o valor total dos serviços de Ana estava lá — ela havia devolvido cada centavo — e junto ao dinheiro havia uma carta. Ele se sentou na cama pensando em guardar o papel, mas a curiosidade foi maior. Ele queria saber o que ela tinha a dizer. Precisava saber.
Querido Tyler,
 Eu passei muito tempo tentando decidir o que dizer. Eu deveria dizer que sinto muito pelo acordo que fiz com seu pai, mas não sinto.
Eu não sinto em ter aceitado o acordo com seu pai, porque assim eu conheci você. Eu vi o que ninguém viu, senti por você o que ninguém sentiu. Vi você deixar de ser pouco a pouco aquele Tyler fechado e ranzinza e se transformar na antiga versão de você, bom, eu não sei se você era carinhoso e amoroso como era comigo, mas se sua antiga versão era assim... É bom, muito bom. Quer dizer, agora é uma versão até melhor.
A parte que eu lamento foi a de ter escondido isso de você. Eu pensei que você não entenderia – como poderia? — e hoje percebo que errei. Acho que se eu tivesse contado tudo e explicado meus motivos, talvez você tivesse entendido, eu sei que sim, mas meu medo de destruir tudo que tínhamos foi maior.
O motivo, claro. Sorrio sem humor enquanto o descrevo.
Um das poucas pessoas que se importaram comigo é o motivo, minha tia Louise está com câncer, essa maldita doença que destrói aos poucos o paciente e as pessoas a sua volta. Não tenho palavras para descrever o quanto amo Louise, então cogitar a possibilidade de nunca mais vê—la, nunca mais ouvir a voz dela e sentir seu carinho estava me matando. Eu precisava ajuda-la, Tyler, eu não sei se você consegue entender a minha dor, mas é insuportável.
A única forma de ajuda-la que eu encontrei foi com a proposta de seu pai, me perdoe, Tyler, isso não justifica minha ação. As coisas mudaram com o decorrer do tempo, me vi perdidamente apaixonada por você. Felizmente Louise foi escolhida para participar de um tratamento que está se mostrando bastante eficiente.
A dor que ela sentia diminuiu, contudo a minha aumentou.
Eu realmente sinto que as coisas tenham acabado desse jeito e espero que você não volte a se isolar. E se eu puder fazer um pedido:
Por favor, não afaste seu pai.
Ele realmente se importa com você. Eu sei que sim!
Só espero que depois de tudo isso, você não pense que tudo que fiz foi pelo dinheiro. No começo sim, mas deixou de ser há muito tempo. Eu realmente amei e ainda amo você com todo meu coração, e por isso eu espero que um dia você possa me perdoar por não ter sido totalmente verdadeira com você, e que talvez possamos ser amigos.
Com todo meu amor, Ana.
Tyler olhou para a carta sentindo um aperto no peito. Essa mulher, que ele por tantas vezes havia tentado se livrar, o amava. Com todas suas forças, ela o amava. Tyler sabia que Ana precisava do dinheiro para o tratamento da tia, mas como ele pôde duvidar do amor que ela sentia por ele?
Ele caminhou para fora do quarto com o celular na mão já ligando para ela, mas caia na caixa postal. Ele desceu as escadas o mais rápido que suas pernas conseguiam e quando ia saindo de casa pronto para chamar um táxi viu a chuva que caia. O telefone chamava enquanto ele olhava para fora, com esperanças que ela ainda não tivesse partido.
Companhia de táxi. — A moça do telefone disse e no instante em que ia responder ele avistou o carro de Ana parado a alguns metros de sua casa. — Companhia de táxi, em que posso ajudá-lo? — Repetiu.
— Não precisa mais, obrigado. — Ele desligou e começou a correr o mais rápido que podia, o que não era muito por conta do acidente e das sequelas que ele trouxe.
Ana desceu do carro para abrir o capo e tentar descobrir o problema, mas a chuva estava cada vez pior e quando a porta do carro bateu, ela não pôde acreditar em sua sorte: ficou trancada para fora, na chuva.
— Sério universo? — Perguntou olhando para o céu.
Ela tampou os olhos com as mãos e quando destampou pôde ver alguém vindo em sua direção.

Tyler corria o mais rápido que sua perna deixava. Ana havia acabado de ver quem vinha em sua direção. Era ele. Era o Tyler. Ana começou a caminhar em direção a ele e em alguns segundos já estava correndo.
— Tyler! — Ela disse parando a uma distancia segura dele. Se ele se aproximasse mais, ela não seria capaz de se controlar. Apesar de tudo que ele havia dito, ela ainda o amava com todas as suas forças.
— Eu li sua carta. E eu quero dizer, que depois que conheci você, não voltei a ser a antiga versão de mim. Porque aquela versão era vazia, e não sentia nada do que eu sinto hoje. O que eu sento por você. Eu fui um idiota por ter te mandado embora sem chance de explicar e ...
— Tyler...
— Não. Me deixa terminar. Aliás, eu não fui um idiota, eu sou um. Quase deixei meu orgulho te tirar de mim. Você devia ter contado sobre o acordo, mas eu também devia ter ouvido. E eu não posso descrever a dor que eu senti quando vi você passar por aquela porta. Ainda mais depois de ler a carta.
— Você a leu toda? — Ana perguntou preocupada.
— Li. E quanto ao seu pedido, não se preocupe. Não vou afastar meu pai. E também vi o cheque na cama. Agora eu percebo que você talvez tivesse medo da minha reação, então eu perdoou você por ter escondido as coisas de mim, Ana. — Ele disse e ela começou a abrir um sorriso. — Mas não acho que possamos ser amigos. — Ele disse e o sorriso dela morreu.
— Não?
— Não. Eu sinto muito.
— Tudo bem. Você veio até aqui. Eu pensei... – Ana suspirou.
— Eu sinto muito que eu não possa ser apenas seu amigo. Porque as coisas que eu penso quando estou com você... — Ele disse dando um passo à frente. — Não são coisas que amigos pensam um do outro. E nem as coisas que eu quero fazer com você.
— Que coisas você quer fazer? — Ana perguntou mordendo o lábio e suspirando.
— Eu quero beijar cada pedaço do seu corpo, e vendo você assim, eu quero tirar essa blusa do seu corpo e fazer amor com você. — Tyler disse olhando para a blusa que Ana vestia. Era uma de mangas longas, mas era branca e justa e estava completamente transparente por causa da chuva e mostrava o sutiã azul escuro que ela usava.
Felizmente estavam apenas os dois na rua, então ninguém além dele poderia se deliciar com tal cena.
— E eu posso ser egoísta em te pedir isso depois de tudo que eu te disse, mas fica comigo? Fica comigo, e deixa eu amar você, e se depois você não se convencer de que eu a amo de todos os modos que uma pessoa pode amar outra, eu prometo que te deixou em paz.— Ele disse e Ana ficou tão desnorteada com as palavras de Tyler que tudo que pôde fazer foi assentir.
Tyler olhou para a boca de Ana e a puxou para um beijo enquanto a chuva despencava.
—Vamos sair daqui. — Ela disse entre o beijo. — Você vai se resfriar. — Preocupou-se.
—A chuva já vai passar. — Ele respondeu a apertando mais em seus braços. — Eu não vou me resfriar.
—Teimoso. — Ela disse suspirando e voltando a beijá-lo, mas ele a afastou, acariciando seu rosto.
—Você é mais. Não desistiu de mim.
—Você vale à pena. — Ela disse sorrindo.
—Me promete que é para sempre?
—Eu prometo. — Ela respondeu voltando a beijá-lo sem ligar para as gotas grossas de água que caiam do céu.
A chuva mostrava que não ia acabar então Ana deixou o carro estacionado na rua e correu para a casa de mãos dadas com Tyler.
Eles chegaram na casa completamente molhados. Tyler não perdeu tempo e a empurrou contra a parede beijando seu pescoço.
—Senti tanto sua falta. — Ele disse gemendo.
—Percebi. — Ela disse sorrindo. — Eu também senti. Muito. — Ele pegou a blusa dela a rasgando, enquanto ela tirava a blusa dele, e a jogando no chão. Eles foram andando aos tropeços entre os beijos pelo corredor deixando uma trilha de roupas molhadas. Ana não aguentava mais esperar e o empurrou em direção ao escritório. Ele vestia apenas uma cueca boxer e ela seu conjunto azul.
—O que está fazendo? — Ele perguntou entre os beijos enquanto ela o empurrava escritório adentro.
— Eu preciso de você. Agora. — Ela disse impaciente o fazendo sorrir.
— E você me tem. Para sempre se quiser, mas eu não vou ficar com você na poltrona. Não esta noite pelo menos. Essa noite nós vamos subir e eu vou fazer amor com você. A noite toda. Lentamente. — Ele disse com desejo que transbordava em seu olhar e ela assentiu perdida com o desejo que sentia.
Tyler pegou a mão de Ana e a levou pelo corredor. Eles chegaram ao quarto e Tyler voltou a beijá-la com devoção. Ele beijou seu pescoço e Ana fechou os olhos aproveitando cada toque. Ela desceu as mãos pelas costas dele sentindo o calor de seu corpo cada vez mais colado ao dela. Ela desceu mais as mãos até a boxer infiltrando suas mãos e o tocando, fazendo-o gemer. Ele continuou os beijos por sua clavícula enquanto a levava em direção a cama. Tyler desceu a alça do sutiã que ela usava deixando uma trilha de beijos pelo caminho. Em alguns minutos os dois estavam completamente nus. Ele ficou por cima dela e a admirou.
—Tão linda...
—Tyler, por favor... — Ela pediu gemendo, sentindo sua excitação. Ele entrelaçou seus dedos com os dela enquanto a penetrava lentamente e sussurrava palavras de amor.
Eles se moviam em completa sincronia enquanto gemiam e faziam juras de amor. Tyler se sentia outra vez completo agora que ela estava com ele. 
Ana passou suas pernas ao redor da cintura dele e o puxou com os braços o prendendo mais a si. Como se ela tivesse medo que isso fosse um sonho e que se ela o soltasse, ele fosse desaparecer.
—Tyler... Deus... Eu vou... — Ana gemia palavras desconexas.
—Quase lá amor... — Tyler disse sentindo seu membro sendo apertado cada vez mais.
Ele se movia lentamente para que os dois pudessem aproveitar cada sensação. E os corpos, que antes estavam frios pela água da chuva, agora estavam quentes e suados enquanto faziam amor.
Ana o apertou ainda mais com suas pernas e arranhou suas costas enquanto gemia sentindo seu orgasmo a dominar completamente. Tyler rugiu sentindo o nó em seu estomago ficar cada vez mais forte e com mais algumas estocadas seu orgasmo também chegou, o devastando. Sem conseguir mais se segurar ele desabou em cima de Ana, apertando sua cintura.
—Desculpe. — Ele disse tentando sair de cima dela, mas ela o apertou ainda mais forte em seus braços.
—Não. Fica assim. — Ela disse tentando recuperar a fala enquanto ainda sentia os espasmos que seu recente orgasmo havia provocado. — Eu gosto de te ter perto assim. — Ela disse mexendo no cabelo dele que estava completamente bagunçado.
—Isso é bom, porque você não vai se livrar de mim, e eu não pretendo ir a lugar nenhum.
—Isso foi o que eu disse na primeira vez que fizemos amor. – Ela disse sorrindo com as lembranças.
—É a pura verdade. Porque eu descobri que não consigo mais ficar sem você. — Ele disse abraçado a cintura dela enquanto ela brincava com seu cabelo.
—Eu amo você. — Ela disse começando a sentir o sono dominá-la.
—Quase tanto quanto eu amo você.
— Atchim! — Ela espirrou e ele levantou a cabeça a olhando.
—Quem é o teimoso que ficaria resfriado mesmo? — Ele perguntou sorrindo.
—Nem começa. — Ela respondeu sorrindo.
—Não se preocupe. Vou cuidar de você.

—Então o resfriado vai valer à pena. — Ela disse e os dois pegaram no sono agarrados um ao outro.


CONTINUA...


Capítulo Anterior             Próximo Capítulo

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Ela me deixa louco - Capítulo 16




Ana estava nervosa, mas assim que se sentou na cadeira a raiva tomou lugar. Ela não queria ser mal educada com aquele homem. Ela sabia que tinha culpa por não ter contado a verdade, mas Charles podia ter concordado com o fim do acordo e nada daquilo estaria acontecendo.
— Bem, agora que meu filho já sabe... — Começou, mas ela o interrompeu.
— Sim, ele já sabe. Então parece que meu contrato acabou antes do tempo... — Disse se levantando, já cansada daquele assunto.
— Espere um pouco, Ana. Faltam apenas algumas semanas para o fim do contrato. Eu tenho um escritório no centro onde você pode trabalhar. Até o fim do contrato pelo menos. — Disse, desejando que ela ficasse. Ele podia ver o bem que ela fazia ao seu filho e não queria que ela partisse. — Depois você pode ir embora, se ainda quiser. — Acrescentou.
— Eu posso falar com ele? — Perguntou.
— Ele não está na casa. — Respondeu com uma preocupação visível.
— Não está ou não quer receber visitas?  — Rebateu.
— Não. — Respondeu rapidamente. — Ele realmente não está. Ele tem uma casa de campo. Ele foi para lá.
— Sozinho? E se acontecer alguma coisa? E se... — Preocupou-se e Charles a tranquilizou rapidamente.
— Ana, se acalme. Ele não está sozinho. Um amigo meu está com ele. Ele é fisioterapeuta. Tyler está bem. — Assegurou.
— Eu não entendo. Se ele não quer que eu fique por perto, por que ainda estou aqui? O acordo que fizemos foi quebrado. Ele sabe que o senhor me pagou. — Disse se levantando.
 — O acordo não foi quebrado, Ana. Ele não a mandou embora. — Respondeu. — Isso é diferente.
— Não me mandou embora, mas pediu para me mudar de função. Eu fui contratada para ser assistente do Tyler e agora ele me dispensou, assim como fez com as outras. E como o acordo de confidencialidade foi quebrado e eu não terminei o ano...
— Ana, mesmo que você decidisse sair antes do final do contrato, eu cuidaria dá saúde de sua tia. Apesar de como as coisas estão, você trouxe meu filho de volta a vida. — A interrompeu. — Eu sei que você pode não gostar de mim agora, mas eu não sou um monstro.
— Se você tivesse simplesmente aceitado que eu não queria seu maldito dinheiro, Tyler não teria ouvido aquela conversa e eu poderia ter explicado. Então me desculpe, Charles, mas eu acho que você é sim um monstro. Mas está tudo bem, porque eu também sou ruim. O fiz confiar nas pessoas de novo e agora ele está mais machucado do que antes. — Respondeu caminhando até a porta.
— Então você vai ficar? — Perguntou esperançoso.
— Vou, mas apenas porque eu gosto de terminar o que eu começo. — Respondeu batendo a porta.
Ela pegou um táxi e voltou ao apartamento, encontrando Maggie jogada no sofá, lendo um livro de administração.
— Como foi? Ele te mandou embora? — Perguntou curiosa.
— Não. Mas honestamente, eu preferia que tivesse mandado. — Respondeu se jogando no sofá ao lado de Maggie. Completamente cansada.
— O que acontece? — Preocupou-se
— Tyler não pediu para o pai dele me mandar embora. Pediu para que me mudasse de cargo até o final do meu contrato. E eu vou ficar no escritório do doutor Patz.
— E isso é ruim? — Questionou.
— É claro que é, Maggie. Está claro que ele não me mandou embora porque sabe que eu preciso do dinheiro. Eu consigo conviver com a raiva dele, mas não com a pena. — Respondeu cobrindo o rosto com as mãos e murmurando. — Com a pena não.
— Você conseguiu falar com ele?
— Não. Ele não está na casa. — Respondeu ainda com o rosto coberto.
— Já sei. Porque não faz o que a mamãe ensinou?
— O que? Um bolo? — Perguntou, retirando o rosto de entre as mãos, irônica e Maggie revirou os olhos.
— Não. Uma carta. Você se lembra quando brigávamos? E nós não conseguíamos pedir desculpas com palavras, porque acabávamos brigando de novo?
— Louise dizia que não se pode brigar por carta. Que o que as palavras faladas não conseguem, as escritas alcançam.
— É isso, Ana. Escreva uma carta pra ele contando toda a verdade. O seu lado dá história. — Explicou.
— E se ele simplesmente jogar fora?
— É uma possibilidade, mas duvido que faça. Ele pode até ficar bravo quando souber que é sua, mas aposto que vai ficar curioso pra saber o que você tem a dizer.
— Ótima ideia, Maggie. Vou escrever uma carta. Mas o pai dele não vai entregar. — Respondeu.
— Você ainda tem a chave dá casa?  — Perguntou a observando.
— Maggie, isso é invasão! — Respondeu arregalando os olhos.
— Não se ninguém descobrir. — Rebateu. 
— Você é doida, mas eu te amo. — A abraçou.
As duas conversaram por mais algumas horas, até que Ana foi para o quarto escrever a carta, porém depois de um tempo saiu frustrada.
— Já escreveu? — Maggie perguntou surpresa pela rapidez.
— Quem dera. Eu não consigo colocar tudo em uma carta. Eu poderia mandar um manuscrito. — Respondeu pensativa com o queixo apoiado nas mãos.
— É só dizer como se sente, Ana. Não é tão difícil.
— Talvez para você. Eu não costumo dizer como me sinto, Maggie. Eu nunca havia dito eu te amo a ninguém fora da família. A ninguém! Porque desde pequena, me ensinaram que era errado me expor assim, mas por alguma razão, eu sentia isso por ele. Eu sentia isso por ele e disse. E agora ele não quer nem me ver. — Respondeu sentindo uma dor no peito.
— Isso é culpa do Julian, não sua. Não há nada de errado em dizer como se sente, Ana. E se não consegue dizer como se sente em apenas uma carta. Escreva várias. — Respondeu como se fosse simples.
Ana voltou para o quarto e quando finalmente havia acabado de escrever umas 10 cartas, ela escolheu apenas uma para entregar à ele.
Semanas se passaram e ela estava no escritório do Charles. Ela faria aquilo que havia dito, terminaria seu contrato e entregaria o maldito cheque para Tyler.
— Aqui está, Ana. Seu cheque. — Charles entregou o cheque para Ana, que pegou sem nem olhar o valor e enfiou na bolsa. — E sobre sua tia, eu disse que cuidaria dela e é o que estou fazendo. Todas as despesas do hospital, onde ela está se tratando, estão pagas. Obrigado, Ana. — Agradeceu a olhando nos olhos. — Mesmo que você não queira mais me ver, ainda sou muito grato pelo que fez ao meu filho.
— Como ele está? — Perguntou desviando o olhar.
— Bem. A fisioterapia tem dado bons resultados. — Respondeu.
— Isso é bom. Eu tenho que ir agora. Tenho umas coisas para resolver. 
— Está bem. E mais uma vez, obrigado, Ana. — Ele agradeceu e ela o olhou pela última vez, lhe dando as costas e passando pela porta.
Entrou em sua Picape e dirigiu até seu apartamento com o rádio ligado.


*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
                        
— Maggie, você tem certeza de que não se importa que eu faça isso? — Perguntou novamente para ter certeza de que a prima não se chatearia.
— Não, Ana! O dinheiro é seu. Você trabalhou por ele e além disso, parece que Louise foi escolhida para um tratamento especial. Com todas as despesas pagas. Ela vai ficar bem. — Respondeu tranquilizando a prima.
— Vai sim. — Ela reafirmou, mesmo sabendo quem estava por trás disso.
— Você vai agora? — Maggie perguntou olhando para a carta e as chaves em sua mão.
— Eu tenho que ir. E se ele me odiar depois disso, sei que fiz tudo que podia.
— Ele vai te perdoar. — Disse confiante, segurando sua mão.
— Eu queria acreditar nisso, Maggie. Queria mesmo. — Respondeu suspirando ao sair do apartamento.
Entrou em sua caminhonete e dirigiu até a casa. No caminho, Gertrudes começou a dar alguns problemas, mas ela resolveria no dia seguinte. Estacionou em frente a casa e desceu a olhando. Aquele lugar onde havia passado momentos tão felizes.
Antes de invadir, ela decidiu bater na porta, mas ninguém atendeu. Então ela pegou sua chave e entrou.
Assim que passou pela porta, um miado conhecido veio até ela. Era o Peludo.
— Ele te deixou sozinho? — Perguntou para o gato que ronronou para ela. Ela foi até a vasilha de comida dele e a encontrou cheia. Pelo menos havia deixado comida.
Ela foi andando pelo corredor até que chegou ao escritório. A porta estava fechada e ela não conseguiu abrir. Ana decidiu que deixaria a carta e o cheque no quarto dele.
Subiu as escadas e entrou no cômodo. A cama estava arrumada e o carrinho de oxigênio estava ao lado. Ela se sentou na cama, se lembrando das noites que passaram ali, amando um ao outro e fazendo promessas para o futuro. Promessas de futuro que não se cumpririam. Ela deixou a carta e o cheque em cima dá cama e foi em direção a porta, mas quando a abriu, trombou com um corpo muito familiar.
— Mas que diabos... — Tyler pulou para trás, assustado.
— Algumas coisas nunca mudam. — Comentou, tentando aliviar o clima.
— O que você faz aqui? Como entrou? — Questionou, enquanto tentava normalizar sua respiração.
— Eu... Eu vim entregar uma coisa. — Respondeu corando. — Eu pensei que você estivesse fora. Eu usei minha chave.
— Eu não vejo nada em suas mãos. — Retrucou mal humorado.
— Está na cama. — Apontou para o embrulho que havia preparado e voltou a olhá-lo. — Eu tenho que ir. — Disse se afastando e tentando segurar as lágrimas, que a frieza dele  causava.
— Ana, espere. — Pediu e seu coração pulou em seu peito.
— Sim? — Respondeu se virando e esperando que pedisse para que ela ficasse. Que dissesse que queria conversar, resolver as coisas, e que nada daquilo importava, porque ele a amava também, mas o golpe que ela recebeu com o que ele disse destruiu essas esperanças:
— Pode devolver a chave, por favor?
— A chave? — Perguntou confusa.
— Sim. A chave dá minha casa. Pelas minhas contas o seu contrato acabou e você recebeu seu dinheiro, então já pode seguir em frente. Sem danos.
— Sem danos? — Perguntou magoada. — Quer saber, eu escrevi uma carta, mas não acho que você precise ler. Sabe, Tyler, eu nunca consegui dizer que amava alguém. Nunca havia dito isso a ninguém. A ninguém! Porque desde pequena, me ensinaram que era errado se expor assim, mas por alguma razão eu sentia isso por você. Eu sentia isso por você e te disse.  E fazendo isso, eu não só coloquei meu emprego na reta, como a única chance de cura que minha tia tinha, mas eu coloquei também meu coração. Tudo isso pra ficar com você. 
— Então você nunca pensou em aceitar o dinheiro? Ou achou que eu fosse burro o bastante para não descobrir? — Perguntou chateado.
— Viu? Você não escuta. Parece que você fecha os ouvidos. Eu acabei de dizer que amo você e você me pergunta se era o dinheiro? — Questionou irritada e ele recuou. — Pare de sentir pena de si mesmo por um minuto e pense: será que não tem nada em você que fez com que eu me apaixonasse de verdade? Quer saber? Esquece. Você diz que não suporta o olhar de pena das pessoas, mas você mesmo se olha assim. — Disse passando por ele.
Ela realmente não esperava que ele fosse tão cego ao não notar que ela tinha se entregado de corpo e alma naquela relação. Relação fracassada.

— A propósito, o cheque que seu pai me deu pelos meus serviços está em cima da sua cama, junto com a carta. E é como você disse: sem danos. Aqui está sua chave. — Disse entregando à ele o objeto metálico e saindo, o deixando ali, parado sem saber o que dizer. 
                     CONTINUA...


Capítulo Anterior             Próximo Capítulo