terça-feira, 28 de março de 2017

Livro: Miga, querem roubar meu crush- Kalliny Moura



Livro: Miga, querem roubar meu crush: Eduarda Miudinha e suas aventuras amorosas.

Ano: 2016
Páginas: 254

Editora: Kalliny de Moura Souza
Autora: Kalliny Moura



"Aos doze anos Eduarda descobriu como era se sentir apaixonada. Porém as borboletas no estômago voaram rápido demais, deixando o gosto amargo do vazio e o nó na garganta.
De feliz e apaixonada a chorona e desiludida em segundos.
O primeiro amor, a primeira decepção, o primeiro beijo, a primeira vez...
Uma verdadeira luta para sobreviver no mundo mais louco que la já conheceu: o mundo do amor."



Envolvente, apaixonante, divertido e viciante são apenas alguns adjetivos para descrever o novo livro da autora Kalluny Moura. Miga, querem roubar seu crush conta a história da Duda em suas desventuras amorosas.








Capítulo 1


Cartas de amor


A primeira vez que me senti apaixonada por alguém eu tinha 12 anos. Às 11h40 da manhã, na saída da escola, meu amigo Paulinho me esperava no canteiro do outro lado da rua.


– Oi. O que está fazendo aqui? – falei me aproximando.


– Quero te entregar isso que uma pessoa mandou.


Paulinho esticou a mão e peguei algo que parecia ser uma carta. Ele subiu na sua bicicleta e foi embora. Olhei por alguns segundos aquele envelope branco e depois virei. Na parte de trás estava escrito: Do seu Admirador Secreto. Uma descarga de adrenalina diante daquelas palavras me fez sentir o famoso frio na barriga.


Abro ou não? Será que é melhor deixar para ler em casa? Talvez seja mais seguro. Leia logo isso Eduarda! Minha mente trabalhava a todo vapor e eu abri.


A carta me enchia de elogios: “a princesa linda que roubou meu coração”; “a mais linda da cidade”; “meu coração dispara só em te ver”. E no final ele concluía, “sei que você é muito nova, mas posso esperar até completar 15 anos para começarmos a namorar”.


O amor era algo totalmente desconhecido para mim, mas quando li Admirador Secretome apaixonei imediatamente pela pessoa daquela carta.


Meu primeiro impulso foi guardar o envelope dentro da ­mochila. Parecia que eu estava com a prova de um crime nas mãos e a solução mais eficaz que encontrei foi escondê-la antes que alguém visse.


Fui andando até a minha casa e tentei agir naturalmente, mesmo parando três vezes para olhar se a carta continuava lá dentro.


Quando cheguei meu irmão ouvia música na sala e corri direto para o meu quarto. Demorei muito tempo pensando no que iria fazer com a carta e de repente ouvi o barulho do portão se abrindo. Minha mãe!


Corri para o banheiro com mochila e tudo. Tomei o banho mais rápido da minha vida. Mas, como tudo que você tenta esconder parece ganhar tom verde-limão numa paisagem rosa-choque, ela resolveu me esperar no meu quarto.


Dei um grito quando a vi deitada na cama.


– O que é isso menina? – minha mãe falou assustada.


Tentei inventar alguma coisa.


– Sei lá mãe. A senhora deitada aí, parecia morta.


Nunca fui muito boa para mentira de improviso.


– Nossa Eduarda! Que pensamento é esse, minha filha?


Soltei a mochila de leve no chão, mas ela percebeu.


– Levou a bolsa da escola para o banheiro por quê? Tem alguma coisa aí que ninguém pode ver?


Mães e seus poderes sobrenaturais de perceberem as mentiras dos filhos.


– Não. Levei. Quer dizer, levei e não.


– Como é Eduarda?


– Eu levei. E não estou escondendo nada. Foi sem querer, quando percebi já estava no banheiro com ela.


Quem acreditaria naquela história? Não sei. Minha mãe não acreditou. Ela apertou os olhos e me observou como se tentasse descobrir a mentira. Comecei a falar sobre a aula para desviar o assunto e funcionou. Ela desistiu de me colocar contra a parede e agradeci. Meu coração apaixonado não aguentava mais tantas emoções em um só dia.


À tarde eu precisava estudar matemática para uma prova que teria no outro dia, mas com dois minutos de estudo meu pensamento desviou para meu admirador e não encontrei o x, y ou z de jeito nenhum.


Minha mãe voltou do trabalho a noite e me chamou para ir ao mercado com ela. Impulsionada pela possibilidade de encontrar meu Admirador Secreto, mesmo sem conhecê-lo, desisti de estudar e fui.


Encontrei Paulinho na sessão de biscoitos. Ele ficou nervoso quando me viu. Será que Paulinho sabia do conteúdo da carta?


– Quem mandou aquilo, Paulinho?


– Eu não posso dizer.


– Mas você é meu amigo. Eu quero saber quem mandou. Diga logo!


– Eu prometi e não posso contar Duda.


Saí com raiva de Paulinho.


Minha mãe já estava no caixa. Entreguei meus biscoitos e fiquei esperando ela pagar. Fomos andando para casa. Tentei agir normalmente e conversar com ela sobre coisas aleatórias, mas não consegui. Minha cabeça estava concentrada em descobrir a identidade do meu amado. Observei todos os meninos que encontrei pela frente. O último foi o rapaz da bicicleta. Ele vinha distraído e grudei meus olhos nele para tentar descobrir se ele era o meu admirador. No começo ele sorriu, depois fez cara de assustado e começou a pedalar mais rápido. Acho que exagerei.


Depois do jantar coloquei a carta dentro de um porta-joias antigo e escondi no meu guarda-roupa embaixo de uns lençóis. Não consegui mais estudar e a prova foi um pesadelo.


Um mês após o recebimento da carta o segredo permanecia. Numa manhã, acordei mais cedo e li a carta três vezes. Escondi novamente, me arrumei e fui para aula. No caminho da escola um pensamento fez minhas mãos gelarem.


E se minha mãe descobrisse?


Era segunda-feira, o dia de folga dela. Certamente ela iria arrumar a casa e mexer no meu guarda-roupa. Me acalmei e resolvi contar com a sorte. Se ela não tinha descoberto até agora, não ia ser naquele dia.


Não vai acontecer nada, Eduarda. Pensamento positivo.


Assim que cheguei em casa os olhos da minha mãe revelavam que a sorte ignorou completamente a minha existência insignificante.


– Eduarda venha até meu quarto. Agora!


Gelei, senti calor, a pressão baixou, o coração disparou e as pernas começaram a ter convulsões.


Caminhei lentamente e quando abri a porta do quarto ela estava sentada na cama segurando um pedaço de papel na mão. Minha Nossa Senhora, a carta!


– Posso saber o que significa isso? Quem mandou?


– Eu não sei mãe.


– NÃO minta pra mim, Eduarda!


Ela foi levantando a voz e comecei a chorar.


– Eu não sei mãe. Paulinho me entregou na saída do colégio e disse que não podia falar de quem era.


– Você acha certo ficar me escondendo as coisas? Meu Deus! Você só tem 12 anos. Quem é o depravado que quer namorar a minha filha de apenas 12 anos? E o covarde ainda se esconde atrás de cartas anônimas.


Depois de muita revolta ela se acalmou e passei a ser vigiada 24 horas por dia. Nem na casa de Lívia, que ficava do outro lado da rua, eu podia ir. Me transformei numa condenada em regime semiaberto por ter cometido o grande crime de receber, aos 12 anos de idade, uma carta de amor sem remetente.


Paulinho sumiu completamente. Ele devia estar se escondendo com medo que eu o pressionasse para descobrir quem era o anônimo apaixonado.


Num sábado à tarde, depois que Lívia insistiu bastante, minha mãe deixou que fôssemos sozinhas à sorveteria. Compramos o sorvete e sentamos no banco de uma pracinha que ficava bem em frente. Nesse pequeno espaço de tempo Paulinho apareceu. Trouxe uma nova carta e, novamente, saiu sem dizer nada.


A nova carta era semelhante à primeira. Ressaltava minha beleza e declarava o amor imensurável do anônimo. Até então ninguém além da minha mãe, Paulinho e eu, sabia da existência desse admirador.


Lívia, uma pessoa que não conseguia guardar nem os segredos dela, tomou a carta da minha mão, leu fazendo caras e bocas e na segunda-feira quando cheguei à escola todo mundo sabia. Todo mundo mesmo.


Lívia saiu falando para o pessoal do colégio e pedindo segredo absoluto. Em apenas um dia, a pequena cidade de oito mil habitantes já conhecia o meu “segredo absoluto”.


O caos se instalou na minha vida. A cidade inteira me vigiava. As pessoas tomaram as dores dos meus pais e passaram a ter como objetivo de vida a descoberta do anônimo das cartas.


Paulinho se tornou a pessoa mais famosa da cidade. Todos queriam ser íntimos dele e arrancar o segredo mais cobiçado dos últimos tempos. Ele se manteve firme por quase dois meses até que não resistiu mais a pressão. Não sei a quem ele contou primeiro, mas quem me falou foi Lívia “boca furada”.


Era sexta à tarde. Meus pais tinham viajado e meu irmão saído para jogar futebol. Eu estava no meu quarto vendo TV quando escutei os gritos de Lívia me chamando no portão. Fui abrir e ela já entrou falando.


– Duda eu já sei quem é o Senhor Secreto.


Levei um susto. Será que finalmente ia descobrir quem era o amor da minha vida? Sonhei com isso várias noites.


– QUEM É?


– Você não vai acreditar!


Ela começou a sorrir como uma louca.


– Fala logo, Lívia!


– É Júnior.


– Júnior? Que Júnior?


Na hora eu não conseguia ligar o nome à pessoa.


– Júnior, menina! O que toca na banda da cidade.


– Ah… Júnior. Sei quem é.


Júnior tinha 17 anos, tocava na orquestra da cidade e não se parecia com o príncipe que imaginei. Ele era um pouco desproporcional. Alto demais, magro demais e andava meio curvado. Resumindo, o papel de galã jamais seria dele.


Desanimei um pouco com a descoberta, mas em algumas horas me acostumei com a ideia. Afinal, beleza não era tudo.


Minha mãe ficou mais calma. Provavelmente na cabeça dela a pessoa teria, no mínimo, 60 anos. Apesar disso, a vigilância não diminuiu. E tudo isso por nada, porque Júnior continuou sem trocar uma palavra comigo.


Todo sábado à tarde a banda de música ensaiava em um prédio em frente à pracinha. Meus pais estavam na fazenda do meu avô e meu irmão, o encarregado de me vigiar naquele dia, saiu com uma “amiga”. Os pais de Lívia também foram com meus pais e ela apareceu lá em casa me chamando para ir ver o ensaio da banda. O desejo de falar com Júnior superou o medo e decidi ir. Saí toda arrumada, quase madrinha de casamento.


Sorri ao ver Júnior. Ele me olhou e permaneceu sério. Talvez a minha roupa estivesse arrumada demais e ele estranhou. Não quis pressioná-lo e fiquei um pouco afastada esperando que ele viesse falar comigo. Voltei para casa arrasada. No tempo que fiquei lá, além de não falar comigo, Júnior me ignorou completamente.


Na segunda-feira ia iniciar a semana do estudante e todo ano a minha escola promovia uma gincana para comemorar. A orquestra Municipal era responsável por tocar as músicas nas competições de dança. Na tentativa de impressionar Júnior, convenci Paulinho e Lívia a se inscreverem na dança comigo. Teríamos que apresentar uma coreografia com tema livre e duração mínima de cinco minutos. Lívia teve a grande ideia de dançarmos frevo. Um dança típica do estado de Pernambuco e muito bonita, para quem sabe dançar.


Em três dias só conseguimos aprender um passo e muito mal. Iríamos repetir a mesma coisa até o final da apresentação: abaixar, levantar um pé, depois o outro, subir e balançar para os lados um bastão cheio de fitas feito por minha mãe.


Paulinho escolheu o pior momento para me contar uma coisa horrível. Chegamos à escola onde seriam realizadas as apresentações com 1 hora de antecedência. Faltando trinta minutos para subirmos no palco eu e Lívia nos olhávamos no espelho para ajustar os últimos detalhes da roupa.


– Eduarda, preciso falar com você agora!


Paulinho falou abrindo a porta da sala onde nos arrumávamos.


– O que foi? Cadê a água que você foi pegar?


Ele me olhava com os olhos esbugalhados.


– Esqueci. Duda desculpa por te entregar aquelas cartas.


Não entendi nada. Que conversa era aquela?


– Vamos nos concentrar na apresentação, Paulinho. Mesmo que Júnior ainda não tenha falado comigo, eu descobri o amor e é a coisa mais linda.


– Duda. Ele não falou e nem vai falar. Acabei de saber que Júnior negou tudo. Disse que foi apenas uma brincadeira. Mas quando ele falou comigo foi sério, eu juro. Ele não deve ter aguentado a pressão.


O amor, um ser tão novo na minha vida, já me apunhalava pelas costas. As lágrimas quiseram descer e me segurei. Ia subir naquele palco e mostrar a Júnior o quanto ele era idiota. Destruída por dentro, mas inabalável por fora.


Agora teremos Eduarda, Paulinho e Lívia apresentando o frevo. A diretora do colégio anunciou no microfone. Escutamos um barulho alto de palmas e saímos em direção ao palco. A banda estava lá, inclusive Júnior. Como o espaço era pequeno, ficava todo mundo próximo. Eu fiquei de um lado, Lívia do outro e Paulinho no meio. A raiva de Júnior me fez esquecer que primeiro era para abaixar. Fiquei em pé e quando percebi, tentei reparar meu erro, só que ao descer Paulinho já ia subindo. Bati com o bastão na cabeça dele. Ouvi os gritos de OH! da plateia. Paulinho parou de dançar e levou as mãos à cabeça. Apesar da dor, não foi nada grave e em segundos voltamos a dançar.


Antes de iniciarmos nossa apresentação combinamos com as professoras que o nosso tempo seria o mínimo – cinco minutos. A dança exigia muito preparo físico, coisa que nós não tínhamos.


Alguns minutos de dança e já estávamos exaustos. Fiz um gesto para a banda parar de tocar. Ninguém aguentava mais, independente do tempo. Eles continuaram tocando. Tentei me concentrar e esperar mais um pouco. Pelo nosso estado, deveria estar bem perto de acabarem os cinco minutos.


Quase um ano depois, eles continuavam tocando. Estávamos iguais aqueles bonecos doidos de posto de gasolina. Se ­balançado de um lado para o outro, sem o menor ritmo. Novamente fiz sinal com a mão pedindo para terminar e quando a música chegou ao fim eles começaram outra vez.


Eles eram loucos ou o quê? Peguei o bastão e joguei no chão com toda a força que me restava.


– EU JÁ FALEI QUE É PRA PARAR. É PRA PARAR. É PRA PARARRR.


Eu dizia e batia o bastão no chão. Totalmente descontrolada. A banda e todas as pessoas que estavam na escola, inclusive Paulinho e Lívia, me olhavam espantadas. Desci do palco com as pernas tremendo de tanto cansaço e fui tomar água.


–O que foi isso minha filha?


Minha mãe se aproximou e falou assustada.


– A orquestra não parava mãe. Não aguentava mais.


Ela balançou a cabeça em sinal negativo.


Devido ao meu mau comportamento recebemos nota zero. Nenhum daqueles professores tinha ideia do que era ter seu coração partido e ainda ser submetida a um esforço físico além da sua capacidade. Insensíveis.


Joguei fora todas as cartas de Júnior assim que cheguei em casa e desabei. Como ele teve coragem de dizer que era brincadeira? Fiquei bem triste por um tempo, até que um dia acordei decida a não chorar mais por um fraco, medroso e feio.


Corri para a casa de Paulinho. Queria contar que tinha me curado, mas o encontrei aos prantos.


– O que foi Paulinho?


– Meu pai me bateu. Olha isso Duda.


Ele levantou a camisa e vi uma marca vermelha, quase sangrando, nas suas costas.


– Meu Deus! Por que ele fez isso?


– Ele me viu lendo uma das suas revistas e acha que eu sou gay.


Eu sempre pedia a minha mãe para comprar revistinhas sobre horóscopo, dicas de moda e receitas. Paulinho adorava minhas revistas e jamais imaginei que fosse causar tantos problemas.


– É melhor você ir Duda. Ele me proibiu de te ver. Disse que eu preciso fazer amigos homens.


Fui embora, mas prometi a Paulinho que encontraria uma solução e tudo voltaria ao normal. Ele concordou balançando a cabeça e caiu no choro novamente.


Capítulo 2


Olhar


Eu não suportava ver meus amigos mal. Quando cheguei em casa depois que conversei com Paulinho fiquei pensando como eu poderia ajudá-lo. Pensei, pensei e, finalmente, uma ideia surgiu.


Faltava apenas uma semana para terminar as aulas, então combinei com o pessoal da minha turma de jogar vôlei e futebol no quintal da minha casa todos os dias durante as férias. Paulinho gostou da ideia e o problema foi resolvido, pelo menos por um bom tempo.


Abandonamos as revistas. Agora nos divertíamos com outras pessoas, inclusive com meninos, como seu pai queria. Uma tarde o pai dele apareceu de surpresa na minha casa e saiu satisfeito quando viu Paulinho praticando brincadeiras que ele julgava de meninos.


Já perto do natal resolvi passar uma semana na fazenda do meu avô, pai da minha mãe. Lá era um lugar sem comparação com qualquer outro. Não tinha luz elétrica, acordávamos bem cedo para tomar leite quentinho e a noite o céu se transformava num espetáculo de estrelas brilhantes que iluminavam aquela escuridão. Além disso, eu estava curiosa para conhecer a novidade: a namorada do meu avô.


Depois que minha avó morreu, seu Francisco teve alguns envolvimentos com jovens senhoras, a maioria viúvas, mas nada oficial. Essa foi a primeira que ele assumiu como namorada. Chamava-se Betânia e tinha quinze anos a menos que ele. Era engraçada e um pouco louca. Fazia umas danças esquisitas, conversava com a televisão, cantava músicas da Xuxa e a comida dela, para ser considerada horrível, ainda precisava melhorar.


Betânia me adorou. Ela quis me ensinar algumas de suas receitas desastrosas e apenas fingi prestar atenção. Não queria aprender a fazer algo parecido com mingau de neném estragado.


Depois das receitas ela foi me mostrar as fotos dos seus familiares e disse que uma era especial. A de um sobrinho que além de lindo, combinava comigo. Quando vi a foto, tive certeza de uma coisa: Betânia me achou horrível. Que menino feio! Usava uma bermuda florida com uma camiseta de bichinhos e um boné azul claro. Ele era bem alto e desproporcional como Júnior, a diferença estava apenas no peso, Júnior devia ter uns 20 kg a menos. A única coisa que se salvava eram os olhos. Betânia percebeu a minha decepção e comentou que na foto ele tinha 10 anos, mas que agora estava um lindo rapaz de 15 anos. Não consegui acreditar muito e preferi não comentar nada.


No final da tarde estávamos – eu, Betânia e meu avô – deitados na varanda quando ela falou que precisava ir visitar a filha e perguntou se podia me levar. Os familiares de Betânia moravam na capital de outro estado. Meu avô disse que só meus pais poderiam resolver. Eu me empolguei com a ideia imediatamente, mas tive que esperar até o outro dia, porque na fazenda não tinha telefone.


Bem cedo chegamos a minha casa. Betânia explicou que passaríamos o natal e ano novo na casa da sua irmã e perguntou se minha mãe deixava. Ela não deu nenhuma resposta concreta, falou apenas que ia pensar e conversar com meu pai. Desanimei um pouco, mas também não esperava que fosse conseguir tão fácil. Fizemos algumas compras e voltamos para a fazenda. À noite minha mãe apareceu por lá. Foi explicar a Betânia que meu pai não concordou com a viagem, pois eu era muito nova e nunca tinha viajado sem eles.


– Ou mãe. Não tem nada demais. Eu vou com Betânia.


– Eduarda, minha filha. Seu pai não aceitou.


Ela percebeu que eu ia começar a chorar e tentou amenizar.


– Mas eu vou falar como ele novamente.


Agarrei-me naquela pequena esperança.


Voltei para casa no sábado pela manhã e Betânia viajaria na segunda. Mal cheguei e já recebi a notícia. Eu não iria. Comecei a chorar e corri para o meu quarto. Passei o resto do dia lá dentro. Minha mãe abriu a porta algumas vezes para tentar se explicar, mas minha resposta era sempre a mesma:


– Eu nunca posso fazer nada. O que custa eu ir, mãe? Sempre tenho que ficar nessa casa como se fosse uma prisioneira. Passei por média, com todas as notas acima de oito e mesmo assim não posso ir a uma simples viagem.


– Não se trata disso minha filha. Nós nem conhecemos essa mulher direito. E se ela for uma irresponsável? Não é como se você fosse pra fazenda Eduarda, é uma cidade grande.


– Mãe isso não é desculpa. A senhora conhece muito bem a família dela.


Betânia ainda era prima de vigésimo grau do meu avô e na infância ele morou por alguns anos na casa da mãe dela.


– Seu pai não confia que você vá sozinha, Eduarda.


– É porque eu sou uma prisioneira nessa casa. Passei por média, não tirei nenhuma nota abaixo de oito…


Não consegui terminar meu mantra, porque as palavras foram engolidas pelo choro.


– Meu DEUS! Essa mulher não tinha outra pessoa para chamar? Agora é você e seu pai enchendo a minha paciência. Só pode ser um castigo.


Minha mãe saiu batendo a porta do quarto e fiquei lá me acabando em lágrimas. Não conseguia aceitar aquela injustiça. Eu chorava e parava um pouquinho, até lembrar que estava cada vez mais perto da segunda-feira e começava novamente. Foi assim o dia inteiro até eu conseguir dormir.


No domingo de manhã acordei com minha mãe fazendo carinho no meu cabelo. Abri os olhos e ela sorria pra mim. Já me preparei para iniciar o meu mantra de ser prisioneira e ter passado por média, mas antes que eu começasse a falar ela disse que conversou com meu pai e que ele concordou com a viagem, desde que ela fosse junto.


Ela nos deixaria e voltaria no dia seguinte. Fiquei tão feliz que nos dez segundos iniciais após a notícia eu paralisei. Depois que a ficha caiu pulei igual uma maluca dentro do quarto.


Viajamos no outro dia pela manhã. Demorou cerca de sete horas até finalmente chegarmos ao apartamento onde a filha e a mãe de Betânia nos aguardavam. Elas eram bem simpáticas e o lugar super aconchegante. Descansamos um pouco e saímos para jantar no shopping. Pela manhã, depois que minha mãe voltou, eu e Betânia passamos o dia em casa assistindo filmes e comendo pipoca com brigadeiro. Tirando o barulho dos carros que passavam na rua, parecia que eu estava em casa.


Dormimos cedo porque no outro dia era véspera de natal e íamos para casa da irmã de Betânia, a Beatriz. O café já estava na mesa quando acordei e apesar de parecer algo legal, o gosto era horrível. Betânia conseguia estragar até pão com manteiga. Esperava, sinceramente, de todo coração, que a comida na casa da irmã dela fosse melhor, não aguentava mais engolir sem mastigar, só por uma questão de sobrevivência.


Por volta das 14h saímos em direção à casa de Beatriz. Eu imaginava que passear de carro na cidade grande fosse algo extraordinário, mas não foi. O carro quase não conseguia se mover por causa do trânsito, muito barulho de buzinas, fumaça e pessoas irritadas. Só chegamos depois de uma hora.


Beatriz, uma senhora simpática de cabelos ruivos, foi nos receber no portão. Primeiro passamos pelo jardim. Lindo, com muitas flores, árvores e pequenos bancos com luminárias do lado. Depois ela nos levou até a cozinha para mostrar os preparativos do jantar de natal. Julgando pela aparência da comida, o sabor não poderia ser tão ruim quanto à de Betânia. Em seguida fomos a um dos quartos da casa para conhecer seus dois filhos, o menino feio da foto e outro.


Beatriz bateu na porta e os meninos gritaram que podíamos entrar. A porta abriu e eu paralisei. Não entrei, não corri, simplesmente fiquei parada como se tivesse sido atingida por um raio paralisante.


– Oi. Pode entrar.


Obriguei minhas pernas a andarem e sorri quase sem força. Não sabia o que era aquilo, mas minha boca tava tão seca que nem a melhor mangueirinha sugadora dos consultórios odontológicos conseguiria aquela façanha. Ele se aproximou e estendeu a mão.


– Tudo bem? Meu nome é Rafael.


Continuei sem me mexer. Eu não queria tocar na mão dele e a razão era muito simples, a minha estava GELADA. Picolé. Mas, diante dos olhares esperando uma reação minha, tive que cumprimentá-lo para não passar por mal-educada.


– Tudo. O meu é Eduarda.


Falei baixo e tremido. Não sabia onde tinha ido parar a minha certeza de manter o amor distante depois das cartas mentirosas de Júnior. De repente, sem nenhuma explicação, tudo pareceu encantador outra vez.


Eu sempre escutava minhas tias dizendo que toda criança feia, quando cresce fica bonita. Eu achava aquilo a maior ­besteira. Mas depois que conheci Rafael, comecei a acreditar plenamente. Ele ficou lindo. E quando eu falo lindo, quero dizer muito lindo mesmo. E o olhar? Era como navegar num mar cristalino.


Falei com o irmão mais velho dele – Fábio – que também estava no quarto e saímos. Ainda não tinha me recuperado do choque, mas continuei seguindo Betânia e Beatriz que me apresentavam o restante da casa. Na parte de trás ficava uma piscina, consideravelmente grande. Beatriz perguntou se eu queria mergulhar e não pensei duas vezes. Eu amava piscina.


Betânia me levou para o quarto que íamos ficar, troquei de roupa, ela me deixou na área da piscina e foi ajudar sua irmã nos preparativos do natal.


Rafael e o irmão já estavam lá. Eu deveria ter ficado feliz, mas cadê a coragem de ficar só de biquíni na frente deles? Desisti de tomar banho e me sentei em uma cadeira que ficava ao lado da churrasqueira, um pouco mais afastada.


– Não vem?


O irmão dele gritou e Rafael ficou me olhando.


– Agora não, depois eu vou.


Se você for como eu, não precisa de ninguém pra te fazer de trouxa, porque essa pessoa já mora dentro de você. Acho que fiquei sentada na minha cadeirinha por quase 1 hora, até que chegaram duas primas dos meninos, só de biquíni e se achando AS SUPERIORES. Elas me olharam com desprezo e só disseram “oi”. Pularam na piscina e uma delas agarrou Rafael pelas costas. Como diz minha mãe, tudo na vida tem um limite, e aquele era o meu. A cena me irritou a ponto de perder a vergonha. Levantei, tirei a blusa, depois o short, coloquei a roupa na cadeira e fui até a piscina. Rafael me olhou de corpo inteiro sem disfarçar.


Assim que entrei ele veio nadando por baixo da água e subiu bem próximo a mim.


– Finalmente entrou, Eduarda. Tava pensando o que fiz de errado pra você não querer chegar nem perto.


– Não fez nada.


Sorri sem graça. Eu realmente não sabia lidar com aquela situação. Quando ele se aproximava eu perdia a capacidade de raciocinar.


Rafael ainda estava tentando estabelecer uma conversa comigo quando uma das primas dele gritou:


– Rafaeeeel vamos brincar de derrubar? Eu subo nas suas costas e a Manu sobe nas costas do Fábio e ganha quem permanecer mais tempo sem cair.


– Eu vou se a Eduarda for comigo. Aí quem perder sai e você entra.


Ela ficou com cara de pastel e eu gargalhando por dentro. Fiquei com vontade de gritar: TOMA, TOMA , TOMA. Eu sei que é meio infantil, mas tive vontade de gritar mesmo assim. Queria me excluir e se ferrou.


Rafael mergulhou para que eu subisse nas suas costas. Não perdemos uma. Por mais que as meninas tentassem me derrubar, ele não me deixava cair. As priminhas queridas ficaram extremamente irritadas, desistiram da brincadeira e saíram da piscina. Pouco tempo depois Fábio também saiu e restou apenas nós dois.


– Acho que vou sair também – eu falei.


Meu poder autodestrutivo dando o ar da graça. Na verdade eu não queria sair, mas na falta de saber o que falar, era melhor dizer besteira, claro!


– Fique mais um pouco, Eduarda. Já sei! Vamos ver quem aguenta ficar mais tempo embaixo d’água?


– Estou ficando com frio. Acho que é melhor eu sair mesmo.


Quem me concedeu o livre arbítrio? Não quero mais. Obrigada!


– Eu posso te abraçar para diminuir o frio.


Ainda bem que ele estava sendo persistente. Caso contrário eu já teria estragado tudo há muito tempo.


Aceitei a brincadeira de ver quem passava mais tempo embaixo d’água e ignorei a parte do abraço. Apesar de não achar uma ideia ruim, eu precisava manter o resto da minha estabilidade emocional. Ele se aproximou, segurou na minha mão e mergulhamos. Ficamos nessa brincadeira até Betânia aparecer.


– Hummmm tá rolando um clima!


Rafael me olhou envergonhado e eu cobri 80% do rosto com o cabelo.


– Que conversa tia. Eu e a Eduarda? Nada a ver – ele falou.


Ai! Essa doeu.


– Sei. Você nunca fica até anoitecer na piscina, meu sobrinho querido. Não venha querer enganar a tia.


– A senhora sabe ser insuportável quando quer.


Rafael saiu da piscina, pegou a toalha e me deixou sozinha. Pronto, a “espertona” aqui, mais uma vez, tinha caído na conversa de outro Júnior da vida.


Betânia continuou o interrogatório comigo.


– E aí? Tá rolando um clima ou não?


– Não.


– Você alguma vez já ficou com alguém, Eduarda?


Rafael tinha razão. Betânia sabia ser bastante insuportável. Qual a necessidade dela me perguntar isso?


– Não – respondi sem vontade.


– Aíííííí. Quem sabe o Rafa não é o primeiro.


– Vamos entrar Betânia, daqui a pouco chega a hora do jantar e ainda estamos aqui.


– O Rafa é lindo e tá caidinho por você. Beija ele boba!


Se Rafael estivesse com a metade da empolgação de Betânia, nós já estaríamos casados. Mas ele deixou bem claro o nosso status de relacionamento: NADA A VER!


Terminamos de nos arrumar às 21h. Usei um vestido vermelho que compramos no shopping, dei uma leve secada no cabelo e fiz uma maquiagem simples. Betânia disse que eu estava linda e a minha imagem no espelho me fez acreditar que era verdade. Respirei fundo e me preparei pra encontrar Rafael novamente. Precisava manter o controle e demonstrar indiferença.


Gostaria muito de ser uma pessoa mais sensata e ouvir minha razão, mas só bastou encontrar seu olhar para meu coração se derreter igual manteiga no calor. Ele estava perfeito com uma calça jeans e uma camisa de botão preta que ressaltava a parte mais linda do seu corpo, os olhos verde-mar.


Beatriz chamou Betânia para conversar alguma coisa em particular e eu fiquei sozinha na sala sem saber o que fazer. Rafael se aproximou e perguntou se eu queria sentar onde ele estava.


– Nada a ver. Vou ficar aqui – eu falei.


– Nada ver o quê?


Rafael franziu a testa e ficou esperando a minha resposta.


– Eu ir me sentar onde você está.


– Por quê?


– Porque eu não quero. Prefiro ficar aqui.


Se há pouco tempo ele achava que não tínhamos nada a ver, então que me deixasse quieta no meu canto.


– Então fique, Eduarda!


Ele saiu com raiva e eu me encostei no sofá. Betânia ainda não tinha voltado e Rafael foi para o outro lado da sala onde estavam suas primas. Bateu uma saudade de casa. Os natais eram sempre muito animados, com muitas comidas gostosas e, além disso, eu conhecia todo mundo. Mas agora não ia reclamar, chorei tanto pra conseguir a viagem, não ia ficar me lamentando.


– Oi. Como se chama? Não parece muito animada.


Ele sorriu se divertindo da minha desgraça.


– Estou normal. Não sabia que precisava ficar dando cambalhotas pela casa para demonstrar animação.


– Além de animada é simpática. Posso saber seu nome?


– Eduarda.


– Muito prazer Eduarda! Sou o Gustavo. Eu também não sou fã dessas reuniões familiares, sempre fico morrendo de sono, mas minha mãe só me deixa ir dormir depois do jantar.


Gustavo nem imaginava que o meu problema não era a reunião familiar.


– E você mora aqui?


– Não. Sou primo do Rafa. Mas no natal dormimos aqui, porque sempre acaba muito tarde e no outro dia tem o tradicional churrasco.


Percebi Rafael me olhando feio do outro lado da sala. Não demorou muito e ele veio onde estávamos.


– Gustavo, Fábio está chamando você.


– Pra quê?


– Sei não. Ele só pediu pra te chamar.


Gustavo se levantou e eu pedi que ele voltasse depois para continuarmos a nossa conversa. Falei pra provocar Rafael e funcionou. Ele quase me engoliu com aqueles olhos verdes.


– Quer ficar com meu primo é?


– Qual o seu interesse nisso? – perguntei irônica.


– Por que você está sendo grossa comigo, Eduarda?


– Eu? Eu não!


Betânia apareceu e interrompeu nossa conversa.


– Nem ficaram e já estão brigando?


– Não começa tia. Não tem ninguém brigando aqui – Rafael respondeu com raiva.


– E essas caras emburradas?


– A senhora tá viajando.


– Meu sobrinho querido. Vou dizer uma coisa para você nunca mais esquecer. Se você quiser ficar com uma menina e alguém perguntar a respeito disso, por mais vergonha que tenha, nunca diga “nada a ver”. Pior ainda se for na frente dela. Aprenda!


Betânia deu um tapinha nas costas de Rafael e se levantou. Ficamos sozinhos novamente.


– Então é por isso que você tá com raiva?


Não respondi nada.


– Eu quero ficar com você, Eduarda!


Beatriz apareceu convocando todo mundo pra ficar ao redor da mesa de jantar e fazer uma oração. Respirei aliviada.


Na hora da oração ele segurou a minha mão e eu me transformei em alguma coisa parecida com gelatina.


O jantar, para felicidade do meu estômago, estava bem melhor que a comida de Betânia. Depois que comemos Rafael me chamou para ir até o jardim. Fiquei sem saber se ia ou não, com medo de ir e acontecer o primeiro beijo. E se eu beijasse e depois não conseguisse mais esquecê-lo?


Superei meu dilema interno e fui com Rafael. Ele nos levou para o banquinho mais escondido. Nos sentamos e ele segurou a minha mão.


– Gostei de você, Eduarda.


Rafael foi se aproximando e ia ser agora. Meu primeiro beijo.


– Raaafa? Sua mãe está procurando você.


A Manu cara de … apareceu e estragou o momento mais mágico da minha vida. Rafael levantou se queimando de raiva. Deixei-o andar um pouco, pra ninguém perceber que estávamos juntos, e levantei. Quando cheguei na sala Betânia me esperava pra ir dormir e não vi mais Rafael. Lógico que não consegui dormir. Deitei na cama e fiquei sonhando acordada com a cena do jardim.


No outro dia acordei com Betânia dizendo que iríamos voltar para minha casa. O meu avô, pai do meu pai, tinha sofrido uma parada cardíaca e estava internado na UTI, mas graças a Deus passava bem. A notícia me pegou de surpresa. Eu amava meu avô e mesmo sabendo que ele estava fora de risco eu queria vê-lo o mais rápido possível. Rafael ficou tão decepcionado quanto eu. Acredito que ele imaginou ter mais tempo para tentar me beijar outra vez, já que a previsão era que eu ficasse até o ano novo.


Betânia avisou à irmã que estávamos saindo e Rafael pediu para ir conosco até a casa dela. Beatriz tentou convencer Rafael a ficar, justificando que não teria como pegá-lo. Mas ele falou que queria ir mesmo assim e voltaria de ônibus.


Durante o caminho, vendo a minha aflição, Rafael soltou um pum e começou a sorrir tentando me animar.


– O que foi isso Rafael?


Betânia perguntou sorrindo e ele respondeu gargalhando que não tinha feio nada. Eu achei decepcionante, mas mesmo com aquela idiotice meu coração continuava acelerando ao olhar para ele.


Já na casa de Betânia, enquanto ela se despedia da filha, Rafael me abraçou e ficamos assim por uns cinco minutos, sem falar nada. Vi Betânia na porta e fui me afastando dele. Ele me puxou e deu um selinho no canto da minha boca, não foi beijo, só pegou o cantinho da boca, mas nem preciso dizer que andar até o carro foi mais difícil do que tomar sorvete de cabeça para baixo.


Entrei no carro e fiquei esperando Betânia terminar de colocar as malas. Rafael se aproximou e me entregou um papelzinho dobrado.


Vou dar um jeito de ir te ver, Eduarda.
Você ficou me devendo um beijo. Não vou te esquecer.
Não me esqueça também.
Melhoras para o seu avô.
Ass.: Rafa




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Short Fic Breaking the Rules Capitulo 06 - Tarde demais






Edward PDV


—Edward?- Saltei surpreso com a aproximação de Rosálie.


—Que susto Rosie. Precisa chegar desse jeito?


—Você que está distraído. Por que está nervoso?- Ela perguntou e eu olhei para o banheiro. Tudo isso tinha sido um erro. Eu queria a presidência, mas não podia usar Bella para conseguir isso.- Edward?


—O que?- Eu disse irritado com sua insistência


—Eu estou falando com você. Cadê a Bella?


—Banheiro.


—Você já falou com ela como havíamos conversado?- Ela perguntou. Alem de amiga Rosálie também era minha terapeuta e quando contei sobre a aposta ela disse que eu devia abrir o jogo com Bella. No inicio pensei que ela havia enlouquecido, mas talvez fosse o certo a se fazer. Eu não queria admitir no inicio, mas eu queria e ainda quero um futuro com Bella.


—Não.


—Edward!


—Eu não sei como falar está bem Rosie? O que quer que eu diga? Ei Bella, eu só te chamei para sair no começo pra vencer uma merda de aposta, mas espere, as coisas estão diferentes agora porque eu estou fodidamente apaixonado por você. É isso que quer que eu diga?


— O que?- Rosálie praticamente gritou.


—O que, o que?


—O que você disse Edward. Pense no que você acabou de dizer.


—Merda. Eu estou fodidamente apaixonado por ela.- Disse olhando para a porta do banheiro.


—Edward. Esqueça que sou sua terapeuta por um momento e pense em mim apenas como sua amiga. Você tem que contar a ela. Se ela descobrir de outra forma, nem todo o amor que você diz sentir será capaz de fazê-la perdoá-lo.


—Eu sei, só não sei como dizer isso a ela.


—Primeiro de tudo. Esqueça essa droga de aposta. Perca. Assim quando você continuar insistindo ela vai perceber que você não tem nada a ganhar com isso e gosta mesmo dela.


—Perder? Mas e a presidência?


—O que é mais importante para você? Ganhar essa maldita presidência ou ficar com ela? Decida, eu sou sua amiga Edward, não sua mãe. Não posso escolher por você.


—Eu odeio quando você tem razão.- Disse suspirando.- Que se foda a presidência. Vou falar com ela.


—Então o primeiro passo é abrir o jogo. Eu não vou dizer que ela vai ficar com você logo de cara Edward, mas se ela realmente gosta de você, vai perceber o quão difícil foi você abrir mão da presidência por ela e vai te perdoar, mas ela precisa ouvir a historia de você.


—Eu entendi Rosie. Vou falar com ela.. Só que... Não aqui.


—Edward!


—Eu não quero estragar a noite. Eu prometo que não vou tentar beija-la de novo.


—De novo?


—Bem.. Eu...


—Edward!


—Eu sei.. Eu sei. Eu já me decide. Deixe acabar a festa. Quando eu for levá-la para casa eu conto tudo.


—Então é melhor se apressar, veja...- Rosie disse apontando para a saída do hotel.


—Mas o que...- Bella estava indo em direção a saída. Quase correndo, como se estivesse fugindo.


—Bella?- Eu a chamei, mas ela me ignorou e continuou andando até a saída e eu fui atrás.- Bella?


—Taxi!- Ela chamou e eu corri para perto dela. Os fotógrafos me virão e me cercaram.


—Bella.- Disse lutando para chegar até ela.


—O que? – Ela praticamente gritou.


—Ei, onde você vai?


—Embora. Isso já deu para mim Edward.- Ela disse e assim que cheguei mais perto pude ver seus olhos vermelhos.


—É por causa do beijo? Me desculpe, eu não devia ter tentado nada. Eu sou um idiota.


—Oh sim, o precioso beijo. Era isso que você queria, não era?- Ela disse agarrando minha camisa e colando seus lábios nos meus, mas antes que eu pudesse aprofundar o beijo ela me mordeu se afastando.- Conseguiu o que queria. Uma pena que aquele seu amigo não presenciou o beijo então você não vai ganhar sua preciosa presidência, mas ainda sim, venceu a aposta. Parabéns Sr. Cullen.- Ela rosnou e entrou no taxi indo embora.


—Edward?- Rosie se aproximou me levando para dentro. - O que aconteceu? Para onde Bella foi?


—Ela sabe Rosalie. Ela sabe da maldita aposta.- Falei ainda em choque com suas palavras.


—Você contou? Assim?


—Não. Ela descobriu sozinha. Nem me deu chance de explicar.


—Sua boca.. Está sangrando. O que aconteceu?


—Ela me beijou.. E me mordeu. E depois disse que era uma pena James não estar lá, mas eu tinha vencido a maldita aposta. Mas que merda...- Urrei e alguns convidados olharam para mim.- Eu ia contar pra ela Rosálie. Eu ia fazer o certo. Por que ela tinha que descobrir agora?


—As vezes as coisas não são justas.- Rosie disse segurando minha mão.


—Não! Não, não.- Disse passando a mão nervosamente pelos cabelos.


—Edward o que foi?


—Os fotógrafos. Nós entramos pelos fundos para que não fossemos fotografados juntos. Eles viram o beijo. Fotografaram.


—Ela vai ficar furiosa quando a matéria sair.


—Não Rosálie. Ela vai ficar furiosa e desempregada.


—Por que?


—Ela é professora do Charlie. Não são permitidos encontros entre professores e responsáveis dos alunos. Ela vai perder o emprego.


—E nunca mais vai querer olhar para você novamente.


—Não! Eu tenho...Eu preciso fazer alguma coisa.- Disse me virando para a saída.


—Edward, esqueça. Deve ter uns quinze fotógrafos aí fora. Nem todos são oficiais. Essa foto vai sair em algum lugar. Não há nada que você possa fazer, eu sinto muito.


—Quando ela vir a foto. Vai me odiar para sempre.


—Eu sinto muito.


—Talvez eu mereça isso.

Shot Fic Breaking The Rules Capitulo 05 -É só um baile, certo?






Bella PDV


Tinha acabado de tomar meu banho e estava apenas tentando escolher o vestido que usaria esta noite. Edward havia me convidado para o baile em sua empresa, e não aceitaria um não como resposta. Como seria o ultimo encontro eu tinha decidido aceitar, só não contava com as minhas roupas. Eu era uma professora, então minhas roupas eram de uma professora. Com a exceção daquele vestido azul que usei no aniversario de Charlie, mas ele não serviria para um evento desse. Estava quase ligado para Alice para pedir um vestido emprestado quando a campainha tocou. Olhei no olho mágico em não vi ninguém. Abri a porta e encontrei uma caixa enorme.


Ainda surpresa coloquei a caixa na cama e dentro havia um bilhete.


Espero que goste. Passo para te pegar mais tarde. –E


Tirei os papeis que protegiam o conteúdo na caixa e arfei quando vi. Um lindo vestido longo e azul com varias pedras cravejadas. Acompanhado de um par de luvas brancas e um chale azul claro.Ele um vestido digno da realeza. Perfeito.


O tirei da caixa com medo de que ele se desintegrasse. Ele era tão lindo... Mas eu não podia aceitar. Olhei para meu guarda roupas e depois novamente para o vestido. Um empréstimo não faria mal. Eu devolveria logo depois. Só tinha que tomar cuidado para não estragá-lo durante a noite.


Arrumei meu cabelo e vesti o vestido. Me olhando no espelho não me reconheci. Não que eu me achasse feia ou algo assim, eu me via mais na média, mas a garota que estava na minha frente parecia mais uma princesa. A campainha tocou e me apressei em atender. Quando abri a porta arfei com a visão que tive. Edward era irritantemente charmoso, mas de terno... Ficava impossível resistir, e pelo seu olha e sua falta de palavras ele sentia o mesmo sobre mim.


—Uau...É... Você está...- Confesso que foi um pouco divertido ver sua reação. Deixar um homem como ele sem palavras fez muito bem para o meu ego.- Você está... Perfeita.


—Você também não está nada mal. Vamos?


—Ah sim... O baile.- Ele disse parecendo preocupado.


—Algum problema Edward?


—Não. Não é nada. Só acho que terei que passar a noite me livrando de alguns abutres.


—Não seja absurdo.- Eu disse sorrindo.- Alem do mais, se me lembro bem, esse será nosso ultimo encontro.


—A não ser que você queira esquecer isso e sair comigo outras vezes.- Ele disse com seu sorriso torto. Agora sim parecia o Edward que eu conhecia.


—Vá sonhando Cullen.- Eu disse saindo e trancando a porta.


No caminho para a festa Edward parecia estranho. Quase nervoso.


—Está tudo bem mesmo?


—Claro. É só que... Eu nunca levei uma acompanhante a esse baile.


—Está nervoso por isso? Não preciva me levar Edward. Poderia ter escolhido outro...


—Nada disso. Trato é trato Srt. Swan. Nada de pular fora agora. Alem do mais... Veja, chegamos.


Edward havia estacionado seu volvo em frente a um luxuoso hotel onde seria o baile beneficente de sua empresa. Havia algumas pessoas na porta e muitos fotógrafos.


—Edward...Eu acho que não.


—Trato é trato lembra?


—Isso foi antes desses fotógrafos.


—Você é alguma foragida por acaso?


—Muito engraçado. Você sabe que não deveríamos estar juntos. Se alguma foto de nós dois chegar a direção da escola, eu perco meu emprego.


—Tudo bem. Eu tive uma idéia.- Ele disse ligando o carro e dirigindo para a parte de trás do hotel.


—Pronto. Ninguém nos verá aqui.


Ele desceu o carro e abriu a porta para que eu descesse também. Fomos até a entrada dos fundos do hotel. Alguns funcionários nos olharam, mas certamente já o conheciam então permitiram nossa entrada.


—Uau... Aqui é tão bonito.- Disse apreciando a vista do salão.


—Sim. É mesmo. Eu gostaria de reforçar só uma coisa Bella. Isso é tecnicamente um encontro certo?


—Certo.- Disse revirando os olhos.


—Então não vale se fechar no banheiro ou sair de fininho ok?


—Sério? Você acha que eu faria isso?


—Não custa nada reforçar a idéia de encontro.


—Pensando bem... Essa não seria uma má idéia.- Disse divertida.


—Muito engraçado Swan.- Ele disse tentando segurar o sorriso.


—Uh deixamos as formalidades? Não é mais Srta Swan Sr. Cullen?- Disse ainda me divertindo com seu nervosismo e ele se aproximou sussurrando.


—Se fossemos deixar as formalidades, acredite Isabella, existem outros nomes pelos qual eu a chamaria.- Assim que ouvi suas palavras meu sorriso desapareceu dando lugar ao meu rubor.


—Tudo bem. Não é mais engraçado.


—Um pouco engraçado na verdade.- Ele disse sorrindo.


—Não faça eu me arrepender de ter aceitado seu convite Cullen.


—Que tal ficarmos com Edward e eu com Bella até o fim da noite?


—Feito.


—Vamos. Quero que conheça algumas pessoas.- Ele me conduziu para um grupo onde eu reconheci apenas dois rostos. Carlisle o pai de Edward e Charlie e o amigo estranho de Edward que também estava no aniversário, mas não me lembrava seu nome.


—Bella, estes são Jacob, Paul e Eleazar. Meu pai Carlisle que você já conhece e James. Acho que vocês se conheceram no aniversário do Charlie.


—Sim.


—Como vai Srta Swan?- O tal James perguntou com um certo tom de malícia.


—Muito bem Sr Hunt.


—Mas que boa memória querida. Devo ter deixado uma bela impressão.


—É difícil esquecer algumas pessoas, mas nem sempre isso é uma coisa boa.- Disse tentando manter meu sorriso.


—É..Tudo bem... Bella, vamos dançar?- Edward disse parecendo constrangido.


—Claro.- Ele estava me conduzindo, mas antes James se aproximou e sussurrou algo em seu ouvido e Edward assentiu me conduzindo para a pista de dança.


—Tudo bem?- Perguntei envolvendo meus braços em seu pescoço enquanto ele fazia o mesmo com minha cintura.


—Claro. Por que não estaria?


—Você pareceu nervoso. O que ele disse?


—Quem?


—Edward, eu não sou idiota. Você estava mais relaxado até seu amigo ali sussurrar algo em seu ouvido.- Ele me olhou suspirando.


—Ele estava dizendo o quanto você estava bonita.


—Foi só isso? – Perguntei e ele deu ombros.- Deus... Você está com ciúmes!


—Ele é meu amigo, mas as vezes é um idiota.


—Você nunca me pareceu ser o tipo de cara que tem ciúmes de uma garota.


—É porque não sou. Ou não era... Até conhecer você.- Ele disse se aproximando cada vez mais.


—Edward...


—Uhm.- Ele murmurou ainda se aproximando enquanto eu tentava me afastar. O lugar estava cheio demais e eu perdia totalmente o controle quando ele me beijava. Seria um erro deixar que me beijasse na frente de tantas pessoas.


—Eu não vou beijar você aqui.- Eu disse e ele congelou.


—Por que não?


—Olhe em volta. Muitas pessoas. Se alguém fotografasse...


—Não vai..- Ele disse se aproximando novamente.


—Edward não...- Sussurrei.


—Um beijo Bella e eu a deixo em paz.- Aquele não era o Edward que eu conhecia e isso estava me assustando. Tomei impulso e o empurrei.


—Eu disse não.


—Por que não? Não é como se não tivesse me beijado antes. Só um beijo.- Ele disse olhando em volta.


—Por que está insistindo?- Ele ficou mudo e eu olhei para onde ele olhava e vi seu amigo James nos observando. - O que vai ganhar com isso?


—Eu preciso de uma razão pra querer beijar você?


—Eu não sei, diga você.


—O que? Qual é o problema Bella? É só um beijo.


—Responda a pergunta Edward.


—Eu gosto de beijar você está bem. É só isso.- Ele disse e eu olhei para James mais uma vez, mas dessa vez ele sorria.


—Com licença.- Me virei e ele segurou meu braço.


—Onde você vai?


—Ao banheiro. Tudo bem pra você vossa majestade?- Eu disse secamente e vi que minhas palavras o desestabilizou por um instante.


—Claro. Fica...


—Eu encontro o caminho. Sai andando e quando me virei James se aproximava de Edward. Havia alguma coisa ali. Entrei em uma das cabines do banheiro e já estava saindo quando ouvi vozes.


—Eu não acredito que ele realmente a trouxe .


—Não é? E ela é tão comum. Não acredito que Edward te dispensou por ela.


—Ele não dispensou.- A mulher disse com desdém.


—Como não Tânia? Edward não está acompanhando você.


—Nós estamos dando um tempo. Edward sempre gostou de relacionamentos mais abertos. É por isso que ele não se importa que eu esteja aqui com o James.


—Mas você sempre dormia com o James.


—Isso é verdade.- Ela disse rindo.- Ele não é nem de longe tão bom de cama quanto o Edward, mas é muito útil para mim.


—Como útil?


—Não seja burra Irina. Foi pelo James que eu descobri que não tenho com o que me preocupar com o Edward.


—Eu não sei Tânia. Ele parece gostar dessa menina. Viu o jeito como ele a olha?


—Eu vi, mas sei que não é ela que ele vê. É a chance de se tornar presidente.


—Esse cargo não é do James?


—Por pouco tempo. Eles apostaram que Edward conseguiria conquistar essa tonta. A parte mais difícil foi trazê-la aqui, e isso ele já fez. Se Edward conseguir um beijo sem levar um tapa até o fim da noite, a presidência é dele. Depois disso ele dispensa aquela menina e volta para mim.


—Você é tão inteligente Tânia. Ficando com os dois.


—Disso eu sei.- Ela disse sorrindo.- Burra são as que pensam que podem fazer Edward Cullen se apaixonar.- Ela disse e as duas saíram rindo do banheiro. E eu fiquei lá. Sentada. Ainda processando tudo que havia escutado. Uma aposta. Uma maldita aposta. Por isso ele queria tanto o beijo. Para ficar com a maldita presidência. Depois de um tempo consegui me recompor e sair do banheiro. Eu precisava sair dali, mas não fazia idéia de como fazer isso. Assim que sai do banheiro vi Edward me esperando no salão. Ele parecia ainda mais perturbado do que estava quando o deixei. Ele olhou para mim e eu corri para a saída do hotel sem olhar para trás.

Fanfic Come Back to Me Capítulo 09 -Volte para mim.

Edward PDV
Já fazia semanas desde o nascimento precoce de Maggie. Ela tinha ganho pouco peso. Bem menos do que o esperado e nesse período sofreu uma parada cardiorrespiratória. Bella se culpava e se afastava cada vez mais. Eu dei a ela de aniversario de casamento a estufa de flores, e hoje me arrependo. Bella passa noventa por cento de seu tempo lá dentro.
Em seus dias mais difíceis, ela se recusava até a comer. Ela chorava todas as noites e sempre que eu tentava consolá-la, mas ela me afastava mais e mais. Não sabia mais o que fazer.  
Cheguei ao meu limite quando um dia, depois de chegar do hospital, encontrei Elena e Charlie no quarto. Charlie chorava baixinho enquanto Elena o consolava.
—Charlie, a mamãe não acha isso.
—Ela pode não dizer... Mas eu sei que é assim.
—Papai já falou que foi um acidente Charlie. Agora pare de dizer isso antes que ele chegue e...
—O que foi Charlie? Por que está chorando?
—Não é nada papai. - Disse Charlie tentando enxugar as lagrimas.
—Se não fosse nada, meu garotão não estaria chorando. Qual o problema?- Perguntei me sentando em sua cama.
—Charlie acha que Maggie estar no hospital é culpa dele, e que mamãe está ficando doente por isso.
—Elena! Sua dedo duro!
—Isso é verdade Charlie?
—Ela estava bem antes. Eu não devia ter gritado, mas tinha uma aranha e... - Começou a chorar e soluçar em meu colo. Ele tinha apenas sete anos e tinha fobia de aranhas. Não deveria nem por um segundo pensar que isso foi culpa dele.
—Charlie... Isso tudo foi um acidente. Tenho certeza de que a mamãe não acha que é sua culpa. Ela só está muito triste agora, mas ela vai melhorar.
—Vai?- Perguntou levantando seus olhinhos ainda úmidos pelas lagrimas em minha direção.
—Claro que vai. Vai demorar um pouquinho, mas logo Maggie estará em casa, enquanto isso vamos ficar ao lado dela. E vamos ajudá-la a melhor. Não vamos?
—Claro papai!
—Ótimo. Então, por que não faz um desenho bem bonito para a mamãe?
Depois que Charlie se acalmou, pouco tempo depois minha mãe apareceu para buscá-los. Eles passariam a noite com meus pais. O que era bom porque encontrar Charlie chorando me fez chegar ao meu limite dessa situação. Eu precisava conversar com ela. Ela tinha que voltar a viver. Se não por mim, ao menos pelas crianças.Fui até a estufa para tentar mais uma vez conversar com Bella. encontrei do mesmo jeito que ela estava quando saí. Na estufa, sentada, olhando para as flores. Estava começando a pensar em pedir um tempo no trabalho, para me certificar de que ela estava se alimentando.
—Bella...-Ela nem me ouvi entrar. Tive que chamá-la mais uma vez e tocar em seu ombro.-Bella?
—Oi...Você já chegou? Que horas são?
—Quase cinco.Você está aqui desde a hora que eu sai?
—Acho que sim. Esme disse que viria pegar as crianças para passarem a noite com eles para que eu pudesse ir ao hospital.-Me ajoelhei ao seu lado e peguei em sua mão desenhando círculos nas costas da mão com meu polegar.
—Amor... Eu preciso falar com você.
—Se é sobre eu passar o dia aqui dentro, por favor, nem comece Edward. Já tivemos essa conversa milhares de vezes durante esses meses.
—Mas é exatamente isso Bella. Nós já tivemos essa conversa milhares de vezes, e você parece não ter entendido ainda. Ficar aqui, isolada não vai fazer com que ela venha mais rápido para casa. Eu queria mudar isso, mas não posso. E sabe o que eu não posso mudar também? O tempo que você está perdendo com as crianças.Nós ainda temos nossos dois filhos aqui Bella. E você parece ter se esquecido disso.
—Não seja absurdo Edward. É claro que não me esqueci deles.
—Não é o que parece. Sabia que quando cheguei, Elena estava com confortando Charlie? Ele estava chorando porque pensa que você está desse jeito por culpa dele.
—Culpa dele? Como poderia ser culpa dele?
—Ele pensa que você caiu da escada porque ele gritou. Passei a ultima meia hora convencendo-o de que isso era um absurdo. Que você estava triste porque a irmãzinha dele não poderia vir para casa.Mas que nada disso era culpa dele. Que não foi culpa de ninguém. - Bella estava com lagrimas nos olhos, mas não disse nada. - Bella olhe para mim. - Ela levantou os olhos lentamente me observando.—Estamos nisso juntos lembra? Você parece ter se fechado em um casulo. Deixe-me entrar amor. Porque sinceramente eu não sei por quanto tempo mais consigo sozinho. – Bella negou com a cabeça ainda entre os joelhos.—Por que?- Ela ergueu os olhos em minha direção. Aqueles lindos olhos chocolate que um dia foram iluminados e brilhantes, estavam apagados e cheios de lagrimas.
—Porque assim é mais fácil.
—Não é não Bella.
—Assim a dor fica presa, adormecida dentro de mim. Eu quero que ela vá embora Edward. Eu preciso que a dor vá embora. Eu quero meu bebê, aqui, comigo.
—Não funciona assim amor. Se isolar e ficar aqui. Não vai fazer doer menos Bella. E não vai traze-la mais rápido.
— Pensar nela lá. Sozinha, presa aqueles fios. Tudo o que eu vejo é ela partindo. Pouco a pouco, e a cada dia, a cada parada ela está mais longe, e isso dói tanto, que não consigo respirar. Não posso... Não sei lidar com isso.
—Você não tem que lidar com isso sozinha Bella.-Ela desviou o olhar como se não quisesse mais me ouvir.- VOCÊ NÃO ESTÁ ME DANDO ESCOLHA. Eu juro que estou tentando. Te dando tempo para se reerguer, mas eu preciso de você Bella.Nossos filhos precisam. Nós somos uma família. Não tem que passar por isso sozinha.- Depois de ouvir isso ela voltou a olhar para as rosas, como se resolvesse ignorar minha presença ali. 
Sai da estufa e fui em direção ao meu escritório. Sempre que as crianças não estavam em casa eu passava a maior parte do tempo no escritório. Estava frustrado, com raiva. Eu não devia ter gritado com ela Chegando ao escritório, havia um porta retrato que foi a primeira coisa que vi. O arremessei em direção ao espelho o partindo em vários pedaços.
Eu não sabia mais o que fazer. Minha esposa estava no fundo de um poço e não deixava ninguém puxá-la para cima,  meu filho sentia- se culpado por isso, as chances de Maggie diminuíam a cada dia e Elena tão nova tentava cuidar de tudo e se manter forte. Eu queria que as coisas voltassem a ser como eram, mas estava tão cansado de tudo. Depois de todos esses anos, e todos os problemas que enfrentamos, eu ainda era completamente apaixonado por Bella, mas essa situação com Maggie parece ter acabado com a luz de sua vida. Ela parecia viver na escuridão e comecei a duvidar de que tivesse forças para puxá-la de volta.
 Here we are
Painting pictures of a war
Maybe I don't get it all
So here we are again
So cold
Maybe there's another way
Maybe words don't have to play
Another part
Tell me what I could have done
Looking back I tried my best
To carry on
But the feeling we once had
Starts to fade beneath the bad
And it's everything, it's everything
And I'm losing you
Yeah, I'm losing you
And I'm almost at the point of giving it up
Yeah I'm losing you
And I'm losing you
But I don't think you can see there's no other love
Here I am
Staring back at what we were
Just remember it was her
That made me
Now I'm crawling
To stop from falling
Will I ever understand?
You're what I want
Tell me what I could have done
Looking back I tried my best
To carry on
But the feeling we once had
Starts to fade beneath the bad
And it's everything, it's everything
And I'm losing you
Yeah, I'm losing you
And I? M almost at the point of giving it up
Yeah I'm losing you
And I'm losing you
But I don't think you can see there's no other love
And you say
That it's hard
But you walk away again
And you say
That it's hard
You're still walk away in the end
I'm losing you
Yeah I'm losing you
I'm losing you
Ooh oh oh
Aqui estamos nós
Estou pintando quadros na parede
Talvez eu não compreenda tudo
Então aqui estamos nós de novo
Tão frio
Talvez exista um outro jeito
Talvez as palavras não precisem interpretar
Outros papeis
Diga-me o que eu poderia ter feito
Olhando para trás, eu dei o meu melhor
Para seguir em frente
Mas o sentimento que tínhamos
Começou a sumir debaixo da cama
E é tudo, é tudo
E estou perdendo você
Sim, estou perdendo você
E estou quase no ponto de desistir
Sim, estou perdendo você
E estou perdendo você
Mas não acho que você consiga ver que não há outro amor
Aqui estou eu
Relembrando o que éramos
Apenas lembre-se que foi ela
Que me fez
Agora estou me rastejando
Para parar de cair
Algum dia entenderei?
Você é o que quero
Diga-me o que eu poderia ter feito
Olhando para trás, eu dei o meu melhor
Para seguir em frente
Mas o sentimento que tínhamos
Começou a sumir debaixo da cama
E é tudo, é tudo
E estou perdendo você
Sim, estou perdendo você
E estou quase no ponto de desistir
Sim, estou perdendo você
E estou perdendo você
Mas não acho que você consiga ver que não há outro amor
E você diz
Que é difícil
Mas você se afasta de novo
E você diz
Que é difícil
Mesmo assim você se afasta no final
Estou perdendo você
Sim, estou perdendo você
Estou perdendo você
Ooh oh oh
Duas semanas depois...
Acordei de madrugada ouvindo gritos. Vinham do quarto de Charlie, e ele chamava por Bella, que também acordou sobre saltada ao meu lado.
—Mamãe!!! Mamãe!!- Levantei rapidamente da cama e Bella veio atrás de mim. Chegamos no quarto Charlie estava com os olhos fechados se mexendo e gritando na cama.
—Mamãe!! Mamãe!!
—Charlie?- O chamei esperando que ele acordassem, mas ele continuava gritando até que Bella correu até ele.
—Shiiu. Mamãe está aqui pequeno.- Disse ajoelhando- se ao lado de sua cama e passando as mãos sobre seu cabelo.- Tudo bem querido. Ai Meu Deus Edward. Ele está ardendo em febre.
 Charlie sofria de epilepsia e já sofreu muito com as febres e convulsões quando era pequeno, suas idas ao hospital eram muito freqüentes. Eu era cardiologista, não havia nada que eu pudesse fazer. Então sempre corríamos com ele até o hospital.
O peguei em meus braços enquanto Bella pegava algumas peças de roupa para ele. Na ultima fez que essa crise aconteceu ele teve que passar alguns dias no hospital. Elena havia pedido para passar a noite na casa de Alice, o que era bom, porque se ela estivesse aqui, ou teríamos que levá-la ao hospital ou esperar que alguém viesse ficar com ela. No caminho do hospital, eu estava dirigindo enquanto Bella estava no banco de trás com Charlie em seus braços, e ela sussurrava algumas palavras para ele.
Na porta do hospital, Charlie começou a tremer e convulsionar.
—De novo não!- Bella começou a se desesperar.
—Fique calma amor. Já chegamos, e meu pai esta nos esperando junto com o Dr. James
—Tragam ele para emergência agora. - Disse  James. Ele era a médico de Charlie. Especializado em Neurologia Pediátrica. Depois do susto, James disse que Charlie teria que passar a semana em observação. Fazia muito tempo que isso não acontecia, e essa crise foi muito forte. Bella também estava mais calma, e estávamos no quarto onde Charlie estava internado.
—Já fazia tanto tempo. Pensei que isso tinha acabado.
—Eu também. James acha que foi algum estresse que desencadeou essa nova crise.
—Estresse? Mas ele não...- Bella parou de falar como se alguma coisa tivesse feito sentido.- Eu fiz isso...
—O que? Não. Não seja absurda Bella. Como você poderia ter feito isso.
—Claro... Eu pensei que me fechando eu não machucaria ninguém. Como eu fui estúpida.
—Bella. Explique. Eu não entendo.
—Você disse que pegou Charlie chorando. Porque ele pensava que eu tinha me fechado por culpa dele. E essas ultimas semanas eu fiquei ainda mais afastada. Pensei que se me mantivesse reclusa, não poderia fazer mal nenhum a eles.
—Acha realmente que era isso que eles precisavam ou queriam?
—Deus...Eu sou pior do que a Renee!- Segurei seu rosto entre minhas mãos enquanto olhava em seus olhos.
—Não você não é. E nunca mais repita isso. Você é uma mãe extraordinária. Não existe comparação com a Renee. 
—Ela pelo menos manteve a imagem de boa mãe. Abandonou meu irmão e eu, mas sem que soubéssemos. Eu fiz isso com meus filhos, mas estava presente.
—Bella... Você só passou por um período difícil. Charlie e Elena ainda são pequenos. Você ainda pode recuperar o tempo perdido amor.
—Como? – Perguntou cobrindo o rosto com as mãos.
—Começando por não passar todo seu tempo dentro da estufa. Eu estou quase arrependido de ter a lhe dado de presente quando nos casamos.
—Eu sei que tenho passado muito tempo lá. Eu sei disso. Mas quando eu estou lá, é como se eu estivesse com ela.
—Bella... Não haja como se ela já tivesse partido. Ela não vai.
—E por que não sinto que seja isso?- Disse baixando seu rosto.
—Porque você tem medo do futuro. Eu não a culpo por isso. Eu também tenho as vezes, mas Charlie e Elena precisam mais de você também.
—Eu quero seguir em frente Edward, mas é tão dificil. Eu quero me reerguer para quando Maggie ficar boa e vier para casa eu esteja bem. Quero que meus filhos tenham orgulho da mãe, mas tem sido tão difícil.
—Eu disse a você Bella, mas você parece não ter entendido.- Peguei seu rosto entre minhas mãos e olhei em seus olhos.- Você não está sozinha. 
—Eu sei disso.- Disse isso deixando que eu a envolvesse em meus braços.
—Eu juro que vou tentar Edward. Pelo Charlie, pela Elena, pela Maggie ...E por nós dois.