quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Ela me deixa louco - Capítulo 13




Um pouco antes de abrir os olhos, Ana sentiu o peso do olhar de Tyler sobre si. Um sorriso involuntário passeou por seus lábios.

— Bom dia. — Ela disse se espreguiçando e se lembrando do que haviam feito noite passada.

A melhor noite da sua vida.

— Como você está? — Perguntou preocupada. — Não usou a máscara ontem à noite. — O lembrou.

— Eu estou bem. — A tranquilizou. — Acho que eu é que devia fazer essa pergunta. — Sorriu malicioso. — Sente alguma dor? — Perguntou, a puxando para mais perto e acariciando seu rosto.

— Não. Eu me sinto muito bem. — Respondeu se aninhando nele, mas fez uma careta ao ameaçar jogar a perna direita sobre a de Tyler, para que melhor ficasse sobre ele.

— Ana...

— Tudo bem, talvez eu esteja com um pouquinho de dor. — Admitiu. — Mas vamos fazer de novo, não é? — Perguntou preocupada e ele riu. — Por que está rindo?

— Porque você não existe. Espera aqui. Vou pegar um analgésico pra você. — Ele disse, a beijando e se levantando.

Depois de pegar o remédio, Tyler voltou para o quarto e se deitou com Ana outra vez.

— Eu estive pensando em uma coisa.

— O que? — Ana perguntou enquanto colocava o comprimido na boca e pegava o copo de água que estava sobre o criado mudo, ao lado da cama.

— Eu acho que vou falar com meu pai.

Ana quase engasgou após engolir o remédio.

— Com seu pai? — Perguntou, tentando disfarçar o medo em sua voz.

— Sim. Sobre a fisioterapia. Uns meses antes de você chegar ele me procurou dizendo que eu deveria voltar a fazer. Acho que vai ser bom.

— Não que eu não esteja feliz em ouvir isso, mas... O que te fez mudar de ideia? — Ana perguntou deitando em peito e fazendo desenhos imaginários sobre a pele de Tyler.

— Você. Você me fez mudar de ideia sobre muitas coisas.

— E isso é uma coisa boa? Quer dizer, eu não quero que seja alguém que você não é, só porque acha que eu vou gostar mais de você. Eu amo você do jeito que você é.

— Eu sei disso, mas quem eu era quando você chegou, não era eu. Era uma casca minha. Você me trouxe de volta. — Ele disse voltando a beijá-la. — Além do mais. Quero contar para meu pai sobre nós.

— Quer?

— Claro. Você não?

— Não é isso. Eu só... Não sei o que ele pode pensar. Apesar de tudo, eu ainda sou sua assistente.

— Ele não é uma pessoa ruim. Ele só é bem fechado. — Concluiu — E sei que me quer feliz. — Acrescentou. — E você é grande parte da minha felicidade, Ana.

— Se você diz.

— Está bem. Tive uma ideia. — Tyler falou, se levantando – com certa dificuldade – e enrolando o lençol na cintura. Ele virou para Ana e lhe estendeu a mão — Vem. — Ele a chamou.

— Pra onde? — Perguntou olhando para ele, o lençol preto contracenava muito bem com a pele alva dele.

— Banho. — Respondeu como se fosse obvio.

— Certo... Pode ir, eu...

— Vamos, Ana. Eu quero um banho com você. — Ele disse dando um sorriso torto. Com o passar das semanas ele havia percebido que isso mexia com ela; e agora sempre usava.

— Isso é golpe baixo.

— O mesmo vale para quando você morde o lábio.

— Eu sou a garota aqui. Eu posso fazer essas coisas.  É adorável.

 — Cada um joga com o que tem, Miller.

— Eu não sei se estou sendo boa influência para você, senhor Smith. — Ela disse sorrindo.

— Tem sido uma ótima influencia, senhorita Miller. Agora venha. — Ele estendeu a mão para ela mais uma vez. Ela revirou os olhos e se enrolou no lençol, se levantando. — Com vergonha de alguma coisa?

— Não.

— Pois eu acho que está. Como pode ficar com vergonha depois do que fizemos ontem à noite?

— Eu não estou com vergonha. Eu só achei que, sabe...— Ela estava dizendo quando ele puxou o lençol e ela deu um gritinho, o fazendo sorrir.
— Dois podem jogar esse jogo, Smith. — Ela disse, ignorando a própria nudez, e puxando o lençol que o cobria. Ele olhou para baixo e cruzou os braços no peito enquanto sorria. Sua ereção era bem visível. — Orgulhoso de si mesmo? — Perguntou.

— Não. Mas você deveria, já que foi você que me deixou assim. — Respondeu e ela abandonou a timidez, revirando os olhos e se aproximando dele.

— Vamos tomar esse banho. — Ana disse, beijando seus lábios e caminhando até o banheiro, dando a Tyler uma bela visão de sua bunda.

~*~*~*~*~*~*~*

— O que você quer de almoço? — Ana perguntou. Tyler estava sentado na bancada da cozinha, olhando para ela. Era domingo e ela queria cozinhar.

— Eu quero o que eu tive hoje de manhã — Respondeu com um sorriso malicioso.

— Eu estou falando de comida, Tyler. — Ela disse corando.

— Tudo bem. Deixa eu pensar... Sempre comemos o que eu quero. — Apontou. — Mas e você? O que você gostaria de almoçar?

— Que tal MC Donalds?
— Isso não é comida de verdade. — Respondeu sorrindo.

— Mas ainda assim é uma delícia. — Insistiu com ar de divertimento.

— MC Donalds, então.

— Ótimo. Tem um aqui perto. Eu dirijo. — Ela disse e ele a olhou com uma sobrancelha arqueada e o rosto mergulhado em uma máscara de horror. — Eu estou brincando. — O tranquilizou, rindo. — Vem, vamos chamar um táxi.

Após chegarem à lanchonete, eles fizeram seus pedidos e aguardaram, sentados a uma mesa dentro do estabelecimento. Felizmente, não demorou muito para o lanche ficar pronto.

— Eu achei que você fosse pedir seu peixe cru de novo, quando perguntei o que 
queria almoçar. — Ana comentou.
— Acho que vou ter que encontrar outro restaurante de comida japonesa. Ou outro entregador. — Ele disse enquanto mordia seu triplo cheddar.

— Você ouviu. — Ela acusou.

— Talvez. — Respondeu dando de ombros.

— Talvez? O que você talvez tenha escutado?
—Talvez eu tenho escutado o que o entregador disse. E talvez eu tenho escutado o que você disse.

— Ele era um idiota.

— Eu sei. Mas ainda sim me deixou feliz ouvir você me defendendo. Mesmo eu sendo horrível com você.

— Tá. Chega disso. Hoje é um dia divertido. — Ela disse. — Aqui, você tem que provar.

— Por que você estava colocando suas batatas no sorvete?

— Porque é o jeito mais gostoso de comer.

— Que tal separados? Também é um ótimo jeito.

— É muito bom. Prova!

— Acho que não.

— Como sabe que não gosta se não experimentar?

— Engraçado você dizer isso, porque eu me lembro de alguém dizer que não precisa pular de um penhasco para saber que vai morrer. — Ele disse com um sorriso presunçoso e ela revirou os olhos.

— Muito engraçado. Era um contexto diferente. E deveria ter um cláusula no meu contrato te proibindo de usar minhas palavras contra mim.

— Mas não tem.

— Mas devia ter. Vai. Uma só. — Ela disse mordendo o lábio.

— Viu. Você sempre faz isso.

— Você fez o mesmo de manhã com o banho. Uma só. Vai!

— Está bem. — Disse derrotado e ela comemorou.

Ele pegou a batata com sorvete de baunilha e comeu. E a cara de nojo que ele fazia se transformou em surpresa.

— Viu? Não é ruim.

— Como descobriu isso?

— Eu não lembro. Eu só sei que sempre como assim. 

— É muito bom. — Disse comendo outra.

— É sempre bom você experimentar coisas novas.

— Quer dizer que você vai experimentar a comida japonesa de novo?

—Não. — Respondeu. — Eu disse que é bom experimentar coisas novas, não repetir experiências desastrosas e eu estou ótima com a minha batata com sorvete, obrigada.

— Sempre uma resposta

— Obrigada, Maggie por isso.

— E por falar nela, quando vou conhecê-la? — Perguntou e Ana o olhou.

— Você quer conhecê-la? — Respondeu com outra pergunta, surpresa.

— Claro.

— Ok. Eu vou falar com ela e te aviso.

— Tudo bem. — Sorriu. — Ah! Eu falei com meu pai. Ele disse que vai em casa mais tarde. Eu pensei que, talvez pudéssemos contar para ele.

— E se ele se zangar?

— Por que se zangaria?

— Eu não sei. Acho que só estou nervosa. — Respondeu e o celular que Ana dera à Tyler tocou.

— Só um minuto. — Ele pediu, atendendo.

Depois de alguns minutos ele desligou.

— Tudo bem? — Ela perguntou.

— Está. Era meu pai. Ele teve uma emergência no hospital e não vai poder ir lá em casa. Ele disse que vai remarcar. — Tyler respondeu e Ana sentiu o alivio crescendo em seu peito. Ela precisava resolver esse assunto o mais rápido possível. — Você quer ir para casa agora? Eu posso te deixar lá e volto para a minha de taxi. — Disse sem muito ânimo, pois não queria se despedir dela.

— Na verdade, tive outra ideia. O que acha de conhecer meu apartamento? — Ela perguntou brincando com os dedos dele.

— Parece um bom plano para mim. — Respondeu, voltando a sorrir.

Eles pegaram um taxi e Ana passou o endereço do apartamento ao taxista.

~*~*~*~*~*

— Eu tenho que te avisar... Eu tenho mania de limpeza, mas Maggie não, então sempre que eu saio ela meio que aproveita e como eu não venho aqui desde sexta à noite, não tenho ideia de como vai estar...

— Ana. — Ele disse a fazendo se calar. — Tenho certeza de que vou gostar. Assim como eu gosto de tudo em você.

— Tudo é? — Ela perguntou o observando.

— Bem, talvez não suas habilidades no volante, mas quase tudo. — Ele provocou.

—Nunca vai deixar isso, não é?

— Não mesmo. — Ele respondeu e ela abriu a porta, dando um grito com o que viu.

— Ai, meu Deus, Maggie! No nosso sofá, não


                       CONTINUA...