sábado, 19 de agosto de 2017

Ela me deixa louco - Capitulo 08






— Quando aquele seu amigo vai vir? Eu quero minha poltrona inteira de novo.

— Chris está viajando agora, mas eu falei com ele ontem à noite e no começo da semana ele vai vir aqui.

— Só mantenha o gato longe.

— Hum, então não vai mais chamá-lo de coisa? — Ela provocou sorrindo.

— Ele não é tão ruim assim.

— Eu sabia. Sabia que você ia gostar dele.

— Eu não gosto dele. Eu só... Não o acho tão ruim.

— Eu tenho uma pergunta.

— Quando você não tem?

— Muito engraçado. Estamos tentando ser amigos, lembra? Amigos fazem perguntas.

— Mas você abusa desse benefício. Tudo bem. Faça a pergunta.

— Você nunca sai?

— Por que eu sairia? Tudo que eu preciso vem até aqui.

— Isso não é um motivo. Não é saudável ficar tanto em casa.

— Esse não é o motivo. Não o total.

— E qual é?

— Lembra sobre os problemas óbvios? — Ele perguntou apontando para a cicatriz. — Sem perguntas sobre isso. Era o combinado.

— Eu não estou perguntando sobre isso. E não acredito que seja pela cicatriz.

— Eu não sei sobre você, mas me incomoda quando as pessoas me encaram e apontam.

— Isso é ridículo.

— Eu pensei que não pudéssemos ofender um ao outro. — Ele rebateu.

— Você não. — Se corrigiu rapidamente. — Eu não estou ofendendo você. — Explicou. — É só que, é besteira não sair por isso.

— Você fala isso porque seu rosto é perfeito.

— O seu também. A cicatriz te dá um ar sexy. — Disse sem pensar e ele arqueou a sobrancelha, sorrindo. — Ok... Foi um comentário inoportuno. Eu falo coisas sem pensar, às vezes. Acostume-se. Agora que o momento constrangedor passou. Que tal dar uma volta?

— E por que eu entraria em um carro com você? Você não me parece a melhor motorista do mundo.

— Sem ofensas, lembra?

— Eu não estou ofendendo. Estou contatando um fato. Ofender seria dizer que você é um perigo para a sociedade. Mas eu não disse isso.

— Tá legal... — Estreitou os olhos. — E eu não sou tão ruim. — Acrescentou. 

— Não importa. Não vou sair com você.

— Tá bem. — Ela disse vencida. — O que você quer para o almoço?

— Comida japonesa.

— Ew. — Fez cara de nojo.

— Qual seu problema com comida japonesa?

— Eu não sei você, mas eu gosto dá minha comida muito bem cozida, obrigada.

— Quer dizer que nunca provou?

— Não. Por que eu provaria? Eu acabei de dizer que gosto de comida cozida. Se importa se eu pedir um lanche de outro lugar para mim?

— Não. Me chame quando a comida chegar.

— Está bem. — Ana disse saindo. 

Ela pediu o almoço e em seguida foi para a biblioteca. Após alguns minutos a campainha tocou e Ana foi atender.

— Olá. — Ela saudou o entregador, sorrindo. — Chegou rápido.

— Olá, você... — O rapaz devolveu o sorriso. — Eu não sabia que havia novos moradores aqui. Não uma tão bonita. — Acrescentou.

— Já veio aqui? — Perguntou, ignorando a cantada.

— Já. Tinha um cara aqui. Ele era um idiota. Acho que era músico. Se achava muito.

— Quanto dá?

— Se você me der seu telefone é por conta dá casa, gracinha.

— Eu prefiro pagar. — Retrucou fechando a cara.

Era um absurdo, os caras atualmente não tinham um pingo de respeito. Será que é difícil ver uma garota e não sair cantando ela na primeira oportunidade? Nem todas gostam, algumas acham o gesto repugnante. 

— 45,90, então.

— Aqui. — Passou o dinheiro para ele. — A propósito, o nome do músico que mora aqui é Tyler. E o único idiota aqui é você. — Ana bateu a porta. 

Quem esse mané pensava que era? Chegar aqui ofendendo as pessoas. 

Ana pegou a comida e levou para a sala.

Depois de arrumar tudo, ela foi até o escritório para chamá-lo e ouviu uma música tocando bem baixinho. Ela reconheceu como Greensleeves e sorriu, abrindo a porta devagar, o fazendo desligar a música.

— Por que desligou?

— A comida chegou? — Respondeu com outra pergunta, desviando o assunto.

— Já. — Ele se levantou com dificuldade e ela o esperou. 

Os dois sentaram-se à mesa e ela ficou encarando a comida dele.

— Sua mãe não te ensinou que é feio encarar a comida das pessoas?

— Eu não conheci minha mãe, então não. Mas minha tia me ensinou. Eu que nunca aprendi. — Respondeu de forma petulante, contudo Tyler ignorou esse detalhe, já estava acostumado com esse jeitinho dela.

— Não conheceu? — Ele perguntou e ela suspirou.

— Ela morreu quando eu nasci.

— Sinto muito.

— Tudo bem. Vamos deixar isso nos assuntos que não falamos, ok? — Ela pergunta e ele assentiu.

— Aqui. Você tem que provar. — Disse meio sem jeito, empurrando o próprio prato para ela.

— Não tenho, não.

— Não está no seu contrato que você tem que seguir minhas ordens?

— Sim, mas isso é abuso de autoridade. Eu posso processar você, sabia?

— Mas você não vai. — Respondeu, deixando escapar uma risada. — Como sabe que não vai gostar se nunca provou?

— Eu sei que pular de um penhasco me mataria e nunca testei a teoria para saber disso.

— Sempre uma resposta.

— Se você conhecesse a Maggie, também seria assim.

— É quem é essa?

— Minha prima, mas fomos criadas juntas, então ela é como se fosse minha irmã.

— Hum. — Refletiu. — Que tal um acordo?

— Que tipo de acordo?

— Eu saio com você. Se... Você provar a comida.

— Isso é jogo sujo.

— Não é, não. Comida japonesa não vai te matar. Você atrás de um volante por outro lado...

— Ei... Eu não sou tão ruim. Eu não levei nem uma multa.

— Desde quando?

— Do começo do mês.

— Estamos na segunda semana do mês. Isso não quer dizer muita coisa.

— Muito engraçado. Está bem. Eu provo. Mas você vai sair comigo e eu não quero desculpas.

— Você é bem mandona para o seu tamanho. Aqui. Prova. — Ele disse oferecendo outra vez seu próprio prato. Ela já ia usar o garfo quando ele a impediu. — Não. Você está fazendo errado. Tem que usar o hashi.

— O garfo foi uma das melhores invenções que criaram. Por que eu comeria com palitinhos?

— Esses são meus termos. Se quiser que eu saia com você, tem que ter a experiência completa.

— Está bem. — Respondeu revirando os olhos. — Essa coisa não para de escapar.

— Porque você está segurando errado. Aqui. — Tyler segurou o próprio hashi, o levando até a boca dela. — Se quiser que eu saia o acordo é esse. — Ana fez careta e abriu a boca, recendo a comida e depois mastigando.

— Então?

— Não é tão horrível quanto eu pensava.

— Viu? — Sorriu vitorioso.

— Eu fiz minha parte. Agora você tem que cumprir a sua.

— E para onde vamos? — Perguntou emburrado, desfazendo o sorriso.

— Ei. Sem essa cara. Eu só tenho que fazer umas pesquisas.

— Então não vai me dizer?

— Isso não era parte do trato. Você vai se divertir. Eu prometo.

— Espero não me arrepender.




                           CONTINUA...