sábado, 5 de agosto de 2017

Ela me deixa louco - Capítulo 06





Ana acordou lentamente com a luz do sol em seus olhos e se espreguiçou, mas, ao virar na cama, sentiu um corpo ao seu lado. Ela abriu os olhos e encontrou Tyler dormindo. Flashes da noite passada vieram a sua cabeça. Ela estava fazendo a febre dele baixar e quando viu que ele estava melhor, relaxou um pouco e acabou pegando no sono. 

Se levantou lentamente para não acordá-lo e caminhou na ponta dos pés até a porta, mas assim que tocou a maçaneta, ouviu a voz dele.

— Bom dia, Anabeth. Já vai tão cedo? — Ela engoliu seco e se virou, torcendo para que ele não tivesse acordado no meio da noite e a visto dormindo ao seu lado.

— Bom dia... Tyler. — Ela disse com certa hesitação.

— A noite foi agradável? — Perguntou e ela deu de ombros, ignorando seu tom presunçoso.

— Como se sente?

— Melhor. Sabe, quando se passa muito tempo dormindo sozinho você repara em algumas coisas.

— Que tipo de coisas?

— Quando alguém dorme ao seu lado, por exemplo. No futuro, Anabeth, se a senhorita resolver passar a noite aqui por algum motivo, existe o quarto de hóspedes. Não que eu me oponha a você dormir na minha cama, é claro. Mas você tem opções.

— Eu não tinha a intenção de dormir, mas sua febre não baixava e quando baixou eu acabei dormindo. Isso não vai se repetir, senhor Smith. — Ela disse se virando para sair do quarto.

— Espera. 

Ela parou no lugar, se virando e suspirando.

— Sim? — Perguntou esperando mais gracinhas.

— Obrigado. — Ele disse e ela ficou desconcertada. Ela realmente não esperava que ele dissesse isso. — Por ter ficado, quero dizer. Esses resfriados vivem indo e voltando, e normalmente duram alguns dias, mas já me sinto melhor, então, obrigado.

— De nada. — Ela abriu um pequeno sorriso. — Já é quase hora do almoço. — Comentou. — Quer alguma coisa em especial?

— O que você fizer está bom.

— Eu volto logo.

— Feche a porta. Não quero aquela coisa aqui dentro.

— Está bem, Tyler. — Ela disse e ele sentiu um arrepio ao ouvi-la dizer seu nome. 

Durante a noite, Tyler havia acordado com alguém enroscado em seu corpo e ele ficou surpreso quando viu que o corpo quente ao seu lado era da sua assistente teimosa, mas não pôde evitar sorrir ao vê-la ali. Olhando para ela, ele percebeu, pela primeira vez, coisas que não havia reparado. Seu rosto parecia ter um formato longo e meio fino, mas que a deixava com um ar delicado. Seu nariz era pequeno e arrebitado, o que combinava muito com sua teimosia. Sua boca foi a parte que mais prendeu a atenção de Tyler. Era pequena, mas ainda sim cheia e rosada. Ele tentou afastá-la, mas ela se aconchegou ainda mais a ele. E pela primeira vez, em muito tempo, ele se sentiu bem. Mesmo que ela fosse teimosa, irritante e petulante, ele poderia se acostumar com sua presença. Então ele fechou os olhou e voltou a dormir.

Ele já se sentia melhor, então não queria ficar na cama e foi até as escadas, depois seguiu mancando para a cozinha. Essa era a pior parte depois do acidente. As seqüelas. Ele havia ficado com uma na perna, que não deixava controlá-la completamente, e por isso nunca mais poderia voltar a dirigir; e outra seqüela no braço direito, o que fez com que sua carreira de pianista chegasse ao fim.

Quando estava se aproximando da cozinha, ele a ouviu cantarolando e reconheceu a melodia.

— Mozart? — Ele perguntou, entrando na cozinha, fazendo-a derrubar a travessa de macarronada que havia preparado.

— Merda. — Ela xingou baixinho. — Desculpa, eu não vi que você estava aí. — Disse tentando controlar a respiração.

— Não é legal quando te assustam, não é?

— Anotado. Não vou mais aparecer do nada. Esse era o almoço, então acho que vai demorar mais um pouco.

— Ou você poderia simplificar as coisas e ligar para um restaurante.

— Bem, sim.

— O macarrão parecia bom. — Comentou e ela arqueou a sobrancelha. — Me deu vontade de comida italiana. Estou no escritório. Me avise quando a comida chegar. — Disse saindo da cozinha.

Depois de algum tempo, a comida chegou e Ana foi até o escritório.

— Nosso almoço chegou. — Ana disse, já voltando para a sala, e Tyler foi mancando atrás dela. — Eles não tinham macarronada, mas tinham lasanha e ‘tá com uma cara ótima, então...

Eles se sentaram na mesa e começaram a comer em silencio.

— De onde é?

— É o que?

— A comida, Anabeth. De onde é a comida?

— Um restaurante novo. Chamado Bela Itália. Eu achei na internet.

— É bom.

— Mesmo? — Perguntou cética.

— O que?

— Você não vai reclamar de nada? Não estou achando ruim, mas...

— Quando eu acho alguma coisa boa eu não tenho por que reclamar. A sopa de ontem, por exemplo. Estava bastante agradável.

— Agradável? É como chamar alguém de bonitinho.

— Qual o problema de chamar alguém de bonitinho?

— Bonitinho é o feio arrumadinho. É o que minha irmã sempre diz.

— Feio arrumadinho? — Tyler perguntou rindo.

— Ah, eu também liguei para um amigo e ele disse que pode consertar sua poltrona.

— Bom. Agora é só manter aquela coisa longe do meu escritório. E com certeza longe do meu quarto. Eu gosto da minha cama inteira. — Ele disse e ela corou lembrando-se da noite passada e de como acordou essa manhã, então voltou a comer olhando apenas para seu prato, ainda constrangida.

— Com vergonha de alguma coisa, senhorita Miller? — Tyler perguntou divertido.

— Senhorita Miller? Eu pensei que tínhamos acabado com a formalidade.

— Só porque eu não gosto de ser chamado de senhor Smith, não quer dizer que eu vá parar de te chamar desse jeito.

— É. Entendi que você acha divertido quando eu coro.

— Eu acho que a melhor palavra seria fascinante, mas isso não vem ao caso agora. O que me deixa curioso é, por que eu acordei de madrugada e encontrei minha assistente completamente enroscada em mim na cama?

— Isso não vai se repetir. Como eu disse, eu estava verificando sua febre e...

— Não resistiu?

— O que? — Ana perguntou chocada e respirou fundo pegando seu prato e Tyler o olhou confuso.

— O que você...? Espera.

— Eu vou comer na cozinha. — Mas antes de sair da sala, Ana se virou e olhou para ele. — E eu realmente pensei que você estava deixando de ser uma dor na bunda. — Vociferou marchando para a cozinha, o deixando sem palavras.



                           CONTINUA...