domingo, 4 de junho de 2017

CAPÍTULO 08- UM ORIGINAL

Vingança para o mal - 08: O amor trás coisas boas. 






Dias de hoje....


Mariana se trocou rapidamente e pegou suas botas na mão para que o barulho não acordasse seu tio. Ela caminhou lentamente até a porta da frente.
—Pare.- E ao ouvir a voz do tio ela congelou. Ele e Mônica estavam animados ontem a noite então ela calculou que ele demoraria em acordar. - Vire-se e volte. - Mas dessa vez ela estava errada.
—Tio. Eu pensei que estivesse dormindo. - Ela disse se virando para a mesa e vendo seu tio sentado com uma caneca de café. - Não ouvi o senhor levantar.
—Talvez devido à ressaca já que bebeu tanto que Lucas teve que trazê-la em casa. Mas espere você não bebeu uma única gota não foi Mariana?- Ele perguntou mesmo sabendo a resposta. - E então Mariana? Eu estou esperando.
—Eu queria conhecê-lo melhor. Está bem?
—Eu suponho que ele ser filho de quem é não tenha nada haver com isso não é?
—Eu sei de quem é filho. Eu não me importo. Você mesmo disse que Roberto não tem como ser culpado. Eu só queria conhecê-lo. Eu juro. - Ela disse e ele suspirou se levantando.
É isso mesmo Mari? Lucas é um bom rapaz. Não tem nada com os negócios do pai.
—É só isso. Eu... Eu ia conversar com Mônica sobre isso, mas você a monopolizou a noite toda, então dei meu jeito de ficar a sós com ele.
—Me desculpe se quis passar um tempo com a minha noiva. - Ele disse sorrindo já esquecendo o assunto.
—E ele é muito bonito.- Ela disse dando ombro.
—Eu pensei que não viveria para ver o dia que Mariana Marques Alves se apaixonaria.
—Ei.. Eu não estou apaixonada. Ainda..- Ela murmurou corando.Como estava tão quieto aqui? E como sabia que eu ia sair?- Disse mudando de assunto.
—Eu te ensinei tudo que sabe Mari, mas não tudo que eu sei. Nós ficamos bastante ocupados ontem e Mônica ainda está dormindo , então acho que a conversa de vocês vai ter que esperar.- Ele disse sorrindo com a caneca de café e indo para a cozinha.
—Eww. Informação demais tio. Informação demais.
—Por falar nesse assunto. Agora que você está... Saindo com..
—Eu já estou saindo tio. – Ela disse calçando as botas e correndo para a porta. - Não vamos ter a conversa.
—Mantenha meu sofá sem vestígios, por favor. - Ele gritou antes dela sair.
Eles moravam no quinto andar e Mari sempre ia de escadas. A única exceção foi quando fingiu estar bêbada com Lucas. Ela não gostava nem um pouco de elevadores.
Ela já estava na garagem entrando no carro quando o celular apitou avisando que havia uma nova mensagem.

—Eu mencionei como sou bom em descobrir coisas?
Mari olhou a mensagem pensando que ele havia sido mais rápido do que ela havia imaginado e decidiu entrar no jogo.
—E quem você seria?
—Uma noite e já se esqueceu de mim? Eu disse que tomaria como um desafio.
Lucas.
—Então ainda se lembra de mim?

—Claro que me lembro. Vejo que já conseguiu meu numero. Foi rápido.
—Por algumas pessoas vale à pena.

Ps. Quando vou vê-la de novo?
—Alguém está ansioso.- Mari disse para si mesma.
—Que tal em 20 minutos? Meu apartamento?
—Parece ótimo para mim.
—Espere na recepção.
Mari digitou e assim que foi enviada correu para seu apartamento e esperou exatos 23 minutos para então descer as escadas de novo.
—Oi. - Ele disse acenando e sorrindo.
—Oi. - Mari sorriu lhe dando um beijo no canto da boca o fazendo corar.
—Algum problema com o elevador?
—Alem de manter a pessoa presa? Não.
—Claustrofobia?
—Algo do tipo. Ontem foi uma exceção. Andar de elevador é o preço que se paga por beber tanto que não consegue usar as escadas. - Ela disse e ele a olhou sorrindo. - O que?
—Nada. Você é... Diferente.
—A normalidade é superestimada. Para onde vamos?
—Que tal um cinema?
—Parece ótimo. Qual filme?
—Saiu um novo. Pensei que talvez você gostasse. - Ele disse mostrando o jornal.
—Uau. Um filme de ação. Alguém fez o dever de casa. A maioria dos caras me levaria para ver um romance bobo.
—A maioria das garotas não tem psicose e a noite dos mortos vivos entre seus livros favoritos.
—Parece que não somos como a maioria então.
—Parece que não.

Eles saíram do prédio e foram para o cinema. No meio do filme Lucas passou seu braço pelas costas de Marie e ela deitou a cabeça em seu ombro suspirando. Quando o filme terminou, eles saíram caminhando pela praça com ele segurando a mão dela.
—Conte alguma coisa verdadeira. - Ela pediu.
—Alguma coisa verdadeira? Você é muito bonita. - Ele disse levando sua mão até a boca e a beijando e ela riu.
—Boa, mas não.
—Isso é verdadeiro.
—Eu quis dizer alguma coisa sobre você.
—Me deixa pensar... Quando era pequeno... Ficava pensando porque minha mãe não me quis. A biológica não a Ana.  E antes de dormir ficava pensando nela. Eu sei que não deveria, mas eu ficava.
—Ela era sua mãe. Apesar de tudo não é?
— Acho que sim. Sua vez agora.
—Sinto falta dos meus pais.- Ela disse suspirando.
—Quantos anos você...
—Seis. Eu estava com eles no carro. Estávamos indo visitar um amigo do meu pai quando um cachorro cruzou a pista. Meu pai estava dirigindo e tentou desviar, mas o carro saiu da pista. O mais curioso é que minha mãe sempre falava pra eu colocar o sinto e naquele dia eu estava sem como sempre. Fui arremessada pra fora antes do carro cair do penhasco.Por isso sobrevivi- Mari disse sentindo as lagrimas descerem.
—Ei.- Edward acariciou seu rosto e secou suas lagrimas- Eu sinto muito. Não precisamos mais falar disso.
—Não, tudo bem. É só que não estou acostumada com isso. - Ela disse fungando e deixando que ele a envolvesse com os braços.
—Com isso?
—Alguém cuidando de mim. Quer dizer... Meu tio é ótimo e a Nica é a melhor amiga que eu poderia pedir, mas é... Diferente com você. Me sinto diferente. Ainda não sei se isso é uma coisa boa.
—Talvez seja. - Ele disse sorrindo e segurando seu rosto. Ela envolveu o pescoço dele com seus braços e deixou que ele a beijasse. Quando o beijo ficou mais ansioso Mari sentiu seu celular vibrando com uma mensagem.

—Informações do Viana.
—Eu tenho que ir. Eu fiquei de ajudar meu tio com uma coisa. Mas gostei de hoje.
—Eu também.- Ele disse parecendo chateado.
—Eu pareceria muito desesperada se quisesse te ver de novo?
—Ufa. Pensei que a mensagem era uma desculpa pra me dispensar. - Ele disse e ela sorriu.
—Não. Acho que vamos nos ver bastante ainda. - Ela disse lhe dando um beijo e entrando no táxi que estava parado e passando o endereço do seu contato e indo embora e pensando que ela teria sua vingança mais cedo do que esperava se ele continuasse assim tão fácil de envolver. E enquanto ia para o endereço na mensagem viu um adesivo no táxi onde estava escrito. "O amor trás coisas boas."


—No meu caso o amor vai me trazer minha vingança. - Murmurou para si enquanto sorria olhando pela janela e Lucas estava acenando para ela. O Jogo havia ficado muito mais divertido agora.



CONTINUA...