segunda-feira, 29 de maio de 2017

CAPÍTULO 07 - UM ORIGINAL

Vingança para o mal - 07: Pense fora da caixa.




—Eu estava quase chegando, mas a chuva não podia me esperar. Que ótimo.- Mari disse tocando a campainha da casa.


—Mari? O que faz aqui? Eduardo sabe que está aqui?


—É claro que sabe. Por isso eu estou aqui, sozinha, a essa hora e molhada feito um rato.- Ela disse e Mônica suspirou.


—Vem. Entra pra tomar um banho. Vou fazer um chá pra você  antes que se resfrie.


—Você vai ligar pro meu tio?


—Pra você aparecer aqui, a essa hora desse jeito, aconteceu alguma coisa. Não vou ligar pra ele. Antes você vai me contar o que aconteceu. Depois eu vejo o que eu faço.


Mari entrou e foi se secar enquanto Mônica colocava suas roupas na secadora e preparava um chá. 


Depois do banho Mari pensava se devia contar toda a verdade. Ela sabia que Mônica ficaria do seu lado.


—Pode começar.- Mônica disse.


—Da pra não fazer disso um interrogatório?


—Muito engraçado. Sério Mari, o que aconteceu? Quando Eduardo souber...


—Você disse que não contaria.- Mariana disse se levantando.


—E não vou, mas ele não é burro. Vai adivinhar que você veio aqui.


—Ele não está prestando muita atenção agora.


—É por causa da tal mulher não é?- Mari deu de ombros.- Você não está talvez com um pouco de ciúmes e medo de ser deixada de...


—Você também? –Ela disse quase gritando.


—Eu não quis dizer...


—Meu tio caiu bonitinho no feitiço daquela lá, e você acha que estou agindo assim porque estou com ciúmes? Ela ameaçou me colocar em um colégio interno. Sabia que eu nunca tinha ficado de castigo antes? Mesmo quando quebrei o nariz de um garoto na escola, meu tio nunca me colocou de castigo.


—Tudo bem. Eu acredito em você. Mas você precisa se acalmar.


—Precisamos nos livrar dela Mônica. E rápido.


—Mari, pode até ser que ela não seja uma boa pessoa, mas não tem nada que eu possa fazer. Se seu tio gosta dela, ele tem que descobrir sozinho quem ela é.


—Você não vai me ajudar? Eu pensei que você gostasse do meu tio.


—Mari, eu não...


—Ah qual é Mônica... Até um cego veria. Você está de quatro por ele


—Mariana!- Mônica a repreendeu.


—O que?


—Primeiro, isso não é jeito de falar. Segundo, sim eu realmente gosto do seu tio, mas ele não me vê mais do que como uma amiga então..


—Isso é porque você se veste como uma professora aposentada.


—Tudo bem. Já tive minha conta de Mari por uma noite. Vamos dormir e amanhã eu vejo o que eu faço com essa situação.


—Você se ofendeu? Foi mal, meu tio vive dizendo que eu não tenho muito tato.


—Você acha?


—É só que caramba Nica, olha pra você. Se você tirasse esses óculos e se vestisse um pouquinho melhor os caras cairiam aos seus pés


—Ok! Já deu pra mim. Primeiro, eu não quero caras se jogando aos meus pés. Segundo você só tem 14 anos não era pra saber essas coisas ainda. E terceiro, se você falar das minhas roupas de novo eu vou te dar uma surra- Ela disse sorrindo e Mari soube que ela não estava chateada.


—Você pode tentar. Eu sou menor, mais nova e mais rápida. Alem disso você e meu tio fizeram um bom trabalho com meu treinamento.


—Tudo bem. Vamos dormir. – Ela disse e a campainha tocou e Mariana olhou para a porta.- Como eu disse, ele não é burro. Vá para o quarto e não saia de lá até eu avaliar o quanto ele está sobe feitiço daquela mulher.


—Valeu Nica.-Mari disse indo em direção ao quarto.


—Eu já vou!!! Isso são horas de...- Mônica foi resmungando mesmo sabendo quem estava na porta.


—Oi Mônica.


—Eduardo? O que faz aqui?


—Qual é Mônica? Onde ela está?


—Ela quem?- Ela disse se fazendo de desentendida e Eduardo a censurou com o olhar.- O que aconteceu?


—Uma crise de ciúmes infundada. Mariana!!- Ele gritou.


—Ei... Eu tenho vizinhos sabia.


—Eu só quero pegar minha sobrinha e ir embora.


—Muito bem, você não vai leva-la daqui enquanto não me explicar o que está acontecendo.


—Como é?- Ele perguntou.


—Eu não fui busca-la no meio da noite e arrastei para cá, está bem? Ela veio pra cá porque o tio, uma das poucas pessoas que ela ama e confia, prefere acreditar em uma mulher que conheceu a pouco tempo do que nela.


—Olha Mônica, você é uma grande amiga, mas isso não é da sua conta.


—Me desculpe, o que? Quer saber.. Tem razão, não é da minha conta. Mas sabe o que é? O bem estar da Mari.


—Ela é minha sobrinha e eu vou leva-la Mônica. Isso não está em discussão.


—Ela é sua sobrinha certo? Em outras palavras, eu não faço parte da família, entendi, mas você se esqueceu disso quando veio me procurar assim que a levou para casa não foi? Quando ficou tão perdido com a morte da sua irmã e a descoberta de uma sobrinha que não sabia por onde começar. Qual é Eduardo, você vivia a base de comida congelada. Ou quando ela ficava doente ou tinha cólicas e você me ligava no meio da noite, ou quando pedia para que eu a levasse para tomar as vacinas porque não conseguia vê-la chorar ou sentir dor. Quando tudo isso acontecia você esquecia que ela é sua sobrinha não é? E que nada disse é da minha maldita conta. - Ela disse e ele baixou a cabeça suspirando.


—Desculpe. Eu só quero entender por que ela está se comportando assim.


—Já passou pela sua cabeça que talvez, só talvez isso não seja invenção dela? Que essa mulher talvez não seja quem diz ser? Você mesmo disse. Isso não é coisa da Mari. Pense fora da caixa. Que isso Eduardo, você não é tonto. É um dos melhores investigadores que conheço. Faça seu trabalho. Investigue.


—Tudo bem. Farei isso.- Ele disse olhando para as escadas e voltou a olhar para Mônica que estaav parada em sua frente.- Eu ainda quero falar com ela.


—Amanhã. Os dois estão nervosos, e como eu disse, tenho vizinhos. Não quero a policia batendo aqui por causa de uma discussão.


—Está bem. Amanhã eu volto. Diga a ela que eu a amo. Apesar de toda sua teimosia.


—Ela sabe disso e tenho certeza que pensa o mesmo sobre você.


—Boa noite Nica.


—Boa noite.




CONTINUA...