domingo, 21 de maio de 2017

CAPÍTULO 06 - UM ORIGINAL

Vingança para o mal- 06: Jogo de sedução parte 02/02






—Você não precisa passar a noite sentada Mari. Pode dançar com alguém sabia?


— Você pediu para que eu te acompanhasse tio. Nada de dança.


—Eu sei, mas já que está aqui...


—Eu acho que posso fazer isso.- Mariana disse olhando pelo salão e encontrando os olhos de Lucas que a observavam por grande parte da noite. Ela sorriu em sua direção e mexer timidamente em seus cabelos fazendo com que ele se aproximasse.


—Eduardo... O que está achando da festa?- Lucas perguntou.


—Muito bonita Lucas.- Mari cutucou o tio por debaixo da mesa fazendo com que ele a apresentasse.- Já conhece minha sobrinha?


—Não pessoalmente, mas ouvi historias impressionantes.- Agente Mendes.- Lucas disse estendendo a mão.


—Eu não sou uma agente, então pode me chamar de Mari Alves.- Mariana se apresentou e Eduardo a olhou confuso pela troca de sobrenomes.


—Gostaria de dançar Srta Alves?


—Eu adoraria.- Mari disse estendendo sua mão e os dois foram para o meio da pista.


—Diga Srta. Alves...


—Mari.- Ela o corrigiu delicadamente.


—Mari. Por que não se tornou agente? As histórias que ouvi são impressionantes.


—As pessoas tendem a exagerar.


—Então o braço do agente Rodriguez?


—Ah não. Essa é verdade.- Ela disse e ele riu.


—Me fale de você. Ouvi dizer que mora com seu tio.


—O senhor ouviu muitas coisas Sr. Mendes.


—Lucas. Desculpe, eu não quis ser indiscreto.- Mari suspirou olhando para ele enquanto seguiam o ritmo da música.


—Sim, eu vivo com meu tio. Meus pais morreram em um acidente de carro quando eu era pequena.


—Sinto muito.


—Tudo bem. Já faz muito tempo. Eduardo tem sido tudo que eu tenho desde então.


—De verdade. Sinto muito. Nem consigo imaginar onde eu estaria sem meus pais.


—O Sr. Marques pareceu muito orgulhoso da sua promoção hoje.


—Ele está. Ele sempre me apoiou em minha carreira. Essa noite é tanto dele quanto minha.


—Eu ouvi muito dele.- Mariana disse calmamente.- Infelizmente não tive o prazer de conhece-lo pessoalmente.


—Eu posso te apresentar se quiser.- Mari parou a dança e o olhou. Ele estava seguindo exatamente o caminho que ela queria.


—Tem certeza? Eu não quero ser inconveniente.


—Nada disso. Vamos.- Lucas disse e os dois caminharam em direção a Roberto.


—Lucas... Aproveitando a festa? E quem é esta linda jovem com você?


—Essa é Mariana Alves. Ela é sobrinha do Agente Alves.


—Ah sim. Eduardo é um dos melhores pelo que ouvi. Também é agente Mariana?


—Mari.- Essa disse sorrindo.- Não senhor. Eu não fiz a prova de ingresso Sr Marques, mas já ouvi falar muito no senhor. É um grande patrocinador da agência.


—Por favor, apenas Roberto. Espero que só tenha ouvido coisas boas.


—Algo do tipo.- Mari disse segurando sua bolsa com mais firmeza. Seria tão fácil sacar sua pistola de disparar.


—Espero que sim. Bem, se me dão licença, Ana está praticamente a noite toda tentando me arrastar para a pista de dança.


—Claro.Foi um prazer conhecê-lo Sr. Marques.


—Igualmente Mariana. Espero vê-la outras vezes.


—Eu também.- Mari disse sorrindo e Roberto se afastou.


—Tudo bem?- Lucas perguntou a observando.


—Sim. Eu... Eu preciso ir. Desculpe foi um prazer conhecê-lo e obrigada por me apresentar.- Mari disse se afastando.


—Espera... Onde você vai?


—Eu não me sinto muito bem, é só isso. Eu...- Ela disse cambaleando, mas antes que caísse os braços de Lucas a rodearam. Para quem olhasse de fora parecia que estavam dançando.


—Você quer que eu chame o Eduardo?


—Não. Não quero estragar a noite do meu tio. Eu vou pegar um táxi para casa. Tudo bem.- Ela disse se soltando delicadamente de seus braços.


—Não pode ir sozinha. Eu levo você.


—Eu não vou estragar a noite para você também Lucas. Mesmo, eu pego um táxi.


—Se eu a deixar sair sozinha sem ter a certeza de que ficará bem, e se alguma coisa acontecer, aí sim estragará minha noite. Eu insisto.


—Obrigada.- Ela disse olhando bem em seus olhos.- Eu só vou avisar meu tio que estou saindo. Não quero preocupa-lo. Eu não tenho o habito de beber, mas devo ter exagerado hoje.


—Acontece nas melhores famílias.


—Tio?


—Mari? Tudo bem?


—Na verdade estou indo para casa. Não estou me sentindo muito bem.


—Tudo bem, eu a levo.


—Não precisa. Lucas disse que levaria. Eu não quero atrapalhar sua noite. – Eduardo olhou para Lucas que estava bem ao seu lado.


—Mas se não se sente bem eu devia...


—Não, deve ter sido o champanhe. Eu não costumo beber tanto. Vou ficar bem.- Mari disse e Eduardo a encarou confuso. Mariana não havia bebido uma gota de Champanhe. Ela nunca bebia fora de casa.


—Tem certeza de que foi isso?- Eduardo disse lhe dando uma ultima chance de contar a verdade.


—Tenho sim.- Mari disse sem hesitar e quando viu que Eduardo a entregaria se despediu e saiu com Lucas antes que a verdade viesse a tona.


Chegando ao apartamento Lucas abriu a porta do carro para que Mari descesse e ela o olhou sorrindo. Ao chegar na porta do prédio ele a observava.


—Como se sente?- Ele perguntou realmente preocupado.


—Muito melhor. O ar fresco da noite me faz bem. Obrigada por me trazer e desculpe por... Sabe, te tirar da festa.


—Na verdade, você meio que me ajudou. Não gosto muito de ser o centro das atenções.


—Bem, nesse caso... Você gostaria de subir?- Mari perguntou timidamente.


—Tem certeza? Claro. Não conversamos muito na festa. Assim você não precisa ser o centro das atenções por mais um tempo. E para ser sincera minha cabeça está rodando um pouco ainda. Acho que nunca mais vou beber nada.


—Claro.- Ele disse e eles entraram no apartamento.


—Eu não vou te oferecer uma bebida porque não posso olhar para uma agora, mas que tal um café?


—Um café parece ótimo.


—Eu já volto então. O banheiro é ali,  pode ficar a vontade enquanto isso.-Mariana foi até a cozinha preparar o café. Era tentadora a idéia de batizar o café dele, mas ele não era seu alvo. Seu pai era. Lucas era só um meio para chegar ao fim que ela desejava. Um meio muito tentador e delicioso, mas ainda sim um meio. Ela estava voltando para a sala e viu que Lucas olhava para os livros.


—Eduardo tem uma bela coleção de livros aqui.- Lucas disse se virando. Ela mal tinha entrado na sala e ele percebeu sua presença. Ela não estava tentando ser silenciosa, mas ainda sim, era impressionante.


—Na verdade, eles são meus.


—Mesmo? Psicose, A Noite dos Mortos Vivos e Os Goonies também?


—São meus favoritos na verdade.


—Impressionante. É difícil encontrar uma garota com esses gostos literário.


—Bem, você vai descobrir que eu não sou como as garotas que você conhece. É difícil ser quando você cresce com alguém que te ensina a brigar e atirar.- Mari disse sorrindo.


—Estou começando a perceber isso. Então? Como foi crescer com seu tio.


—A parte boa? Na primeira vez que ele foi chamado na escola porque eu havia quebrado o nariz de um menino, eu não fiquei de castigo como uma criança normal teria ficado. Invés disso ele ficou impressionado por eu ter conseguido quebrar o nariz do garoto de primeira.- Mariana disse e Lucas riu.


—E o lado ruim?


—Digamos que em algumas horas uma garota precisa de outra.- Levou um minuto para ele entender o que ela queria dizer.- Tudo bem. Mas eu já falei muito de mim. Não sei nada sobre você.- Mari disse se sentando e Lucas se sentou ao seu lado.


—Vejamos. Eu sou o mais velho de três irmão. Tem a Lu que é a mais nova e também é a princesinha da casa.


—Quantos anos ela tem?


—Sete, mas manda mais na casa do que o Caio que tem 16.


—E você? Tem quantos? Não parece ter mais de 25 e já foi promovido para agente de campo. A maioria só consegue essa vaga depois dos 28.


—Tenho 22.


—22? Impressionante.


—E você? Quantos anos tem.


—Nada disso. Estamos falando de você.


—Que tal um jogo?


—Que tipo de jogo?


—Perguntas e respostas.


—Regras?


—Eu pergunto você responde, você pergunta e eu respondo. Intercalando.


—Interessante. E se eu não quiser responder?


—Então eu faço duas perguntas na próxima rodada.


—Gostei disso. Tudo bem.


—Vamos começar por algo simples. Quantos anos tem?


—21. Minha vez. Se não fosse agente seria...?


—Provavelmente empresário como meu pai. Vejamos... São só seu tio e você? Não tem mais ninguém?


—Foram duas perguntas. Da minha família sim. Somos só nós dois. A mulher que dançava com seu pai, você não parece muito com ela.


—Isso porque Ana não é minha mãe Biológica.


—Não é?- Mari perguntou realmente surpresa.


—Quem está fazendo duas perguntas agora? Minha vez.. Por que desistiu de ser agente?


—Eu vejo como é a vida do meu tio. O medo de pessoas ruins virem atrás de quem você ama. Eu consigo resolver esse problemas me mantendo fora de relacionamentos, mas não posso manter minha família longe. Meu tio é tudo que eu tenho. Não sei como seria se algo acontecesse. Tudo bem, minha vez. Você disse que Ana não é sua mãe, então...


—Está meio tarde. Eu acho melhor eu ir. Você se sente melhor? – Ele estava desviando o assunto. Havia alguma coisa ali.


—Sim. Muito melhor. Obrigada por me trazer em casa. De verdade.- Ela disse sorrindo e enrolando uma mecha de cabelo nos dedos deixando que ela caísse no seu rosto com o propósito que ele a afastasse e foi isso que ele fez.


—Eu... eu gostaria de te ver de novo Mari.- Ele disse se aproximando e ela permitiu que seus lábios somente tocasse levemente os dele e se afastou.


—Eu também.


—Eu já vou indo.


—Eu te levo até a porta.- Mariana disse se levantando.- Desculpe pela pergunta sobre sua mãe. Você pareceu desconfortável.- Ele suspirou encostando na porta.


—Minha mãe foi embora quando eu nasci. Quando ela descobriu que estava grávida quis... Acabar com o problema. Roberto a pagou para levar a gravidez até o final. Assim que eu nasci ela foi embora. Não tivemos noticias dela por muito tempo. Quando eu tinha quatro anos meu pai conheceu a Ana. Um tempo depois que Caio nasceu soubemos que minha mãe havia morrido. Parece que ela se envolveu com.. Pessoas erradas e não teve sorte.


—Sinto muito.


—Tudo bem. Eu não gosto muito de falar disso. Ana é minha mãe. Ela me criou. Meu pai a ama muito. Por ser uma boa esposa e uma ótima mãe para mim e meus irmãos. Eu já vou indo.

—Obrigada mais uma vez por ter me trazido em casa.


—Não por isso. Eu posso ligar para você?


—Claro.- Mari disse sorrindo.


—Ahn... Eu não tenho seu número.


—Tenho certeza que vai resolver isso.- Ela disse sorrindo e ele sorriu de volta.


—Vou tomar como um desafio.- Ele disse sorrindo.


—Boa noite Lucas.


—Boa noite Mari.- Ele disse e ela fechou a porta. Uma ótima noite ela diria. Já que havia descoberto tantas coisas interessantes e ainda conseguido que o filho de seu inimigo se interessasse por ela. Ela queria que Roberto pagasse, mas seria muito mais divertido tirar cada parte de suas família assim como ele tinha feito com ela.




CONTINUA...