domingo, 14 de maio de 2017

CAPÍTULO 05 -UM ORIGINAL


Vingança para o mal-  05: Aquela cadela psicótica.





-Mari?- Eduardo a chamou enquanto terminava de arrumar a gravata.- Você vai ficar bem sozinha?


-Já disse que sim Tio.


-Eu não preciso sair...

-Tio, eu tenho 14 anos. Eu não vou dar uma festa ou algo assim enquanto você está fora, ok?

-Eu sei que não Mariana.

-Quando eu vou conhece-la?

-O que? Eu.. Eu vou encontrar um amigo...

-Tio, pra um investigador policial você mente muito mal.

-Eu não estou...

-E você mexe no cabelo toda vez que mente. Exatamente como está fazendo agora. Trejeitos são ruins pra alguém nessa área sabia?

-Está bem. Eu vou me encontrar com uma amiga.

-Eu a conheço? É alguém da agencia?

-Não. Ela é psicóloga. O nome dela é Miranda. O que acha se eu traze-la para almoçar aqui amanhã? Assim vocês se conhecem Oficialmente, porque eu sempre falo de você.

-Pode ser.

-Eu tenho que ir. Tente não colocar fogo na casa enquanto estou fora.

-Nada de promessas.- Mari disse olhando para seu livro.

-Eu falo sério...

-Eu estou brincando. Eu vou terminar aqui, treinar um pouco e dormir. Está bem?

-Ok. Até mais tarde.

-Até.



A noite foi longa. Mari passou a maior parte dela treinando até estar tão exausta que tudo que conseguiu fazer foi tomar um banho e cair na cama. A manhã veio e com ela o tal almoço. Mariana estava feliz que seu tio havia encontrado alguém, mas era estranho. Foram apenas eles por muito tempo, seria diferente alguém vivendo com eles.



-E você deve ser a famosa Mari.- Uma ruiva alta que vestia um terninho quadriculado disse sorrindo.

-Mariana. E tenho certeza que meu tio exagerou

-Duvido disso. Eu ouvi muito sobre você mocinha.

-O curioso é que eu não ouvi nada sobre você.

-Mari.- Eduardo a advertiu.

-Tudo bem querido. Eu entendo que essa situação seja nova para ela. Perder os pais em um acidente de carro tão trágico e ser criada pelo tio. É estranho ter uma figura feminina tão perto.

-Ei.Eu tenho uma. Mônica tem nos ajudado muito por esses anos.

-Mônica?- Miranda perguntou olhando para Eduardo, que olhou para Mariana claramente zangado.

-Ela é uma colega de trabalho. Existem alguns assuntos que eu não poderia ajudar Mari, e ela trabalha comigo desde que Mari veio morar comigo. - Eduardo justificou.



Miranda analisou Mariana que revidou o olhar. Ela pensou que tivesse encontrado um bom futuro marido, mas não contava com uma sobrinha petulante. Envolve-lo tinha sido fácil. Homens quando apaixonados só enxergam o que querem. A sobrinha seria um problema muito em breve se não resolvido logo.



-Eu vou ver como está o almoço. Por que não conversam um pouco?- Ele disse chegando perto de Mari.- Comporte-se por favor.

-Eu sempre me comporto.

-Então Mari...

-Mariana. - Ela corrigiu a mulher.

-Desculpe. Eduardo disse que você preferia o apelido.

-Os únicos que me chamam assim são as pessoas da minha família. Não é seu caso.

-Talvez por pouco tempo.- Miranda disse dando ombros. Percebendo que fazer o papel de boazinha não funcionaria decidiu ser mais direta.

-Ah eu duvido muito disso.

-Por que? Seu tio não tinha lhe falado de mim até ontem.

-Esse é um dos motivos. Meu tio não me esconde coisas. Não as importantes pelo menos.

-Eu poderia ser legal com você mocinha, mas já vi que isso não vai dar muito certo.

-Quer dizer que percebeu que eu não sou tão manipulável quanto meu tio? Que sorte a minha. Assim não tenho que ver seu teatrinho. Vamos ver quanto tempo dura.

-Acho que tempo o bastante até o casamento. Seu tio é um ótimo partido. Me surpreende que ele esteja solteiro.

-Eu sou muito boa em espantar golpistas. Você ficaria surpresa.

-E é por isso que logo depois do casamento você vai fazer uma pequena viagem.

-Viagem?

-Diga Mari... Você já conhece a Suíça? Ouvi dizer que os colégios de lá são os melhores.

-Você não se atreveria...

-Me tente mocinha. Eu tenho dado muito duro para uma fedelha tirar Eduardo de mim.

-O almoço esta pronto meninas.- Disse Eduardo entrando na sala e interrompendo a conversa..- Então? Do que falavam?

-Eu estava falando para Mari que talvez umas sessões de terapia fariam muito bem a ela. Com o trauma da perda dos pais.Pobrezinha.

-Eu conversei com ela varias vezes sobre isso Miranda. Talvez você consiga convencê-la.- Mari ainda estava chocada com as palavras que saiam da boca daquela oportunista. Ela precisava de ajuda. E rápido.



Assim que o almoço terminou Eduardo disse que queria passear com Miranda. Ela convidou Mari, que disse estar com dor de cabeça e preferia ficar em casa. Assim que os dois saíram ela correu para seu quarto pegando o telefone.



-Mari?

-Oi Nica. Eu to atrapalhando?

-Claro que não querida. Você nunca atrapalha. Algum problema? - Mônica perguntou preocupada.

-Na verdade tem sim... Um dos grandes.



Mari contou tudo sobre Miranda para Mônica, e ela disse que investigaria para tentar descobrir algum podre daquela megera. Como Mônica também era agente, foi muito fácil gramper o telefone dela, assim se ela falasse alguma das coisas que ela falou para Mari, seria pega.



-Eu acho que você devia conversar com Eduardo Mari. Ele não a trocaria por essa daí. Você é sobrinha dele, sabe que ele te escolheria em um piscar de olhos.

-Pode ser. Ele chegou Nica. Obrigada pela ajuda.

-Quando quiser garota.- Mari desligou e ouviu uma batida na porta.- Entra.

-Oi. Melhor?

-Um pouco.

-Podemos conversar?

-Claro.

-Então. O que achou da Miranda?- Mari retorceu o rosto pensando se devia abrir o jogo e decidiu jogar tudo no ventilador.

-Quer dizer a megera que quer me colocar em um colégio interno?- Ela disse tentando soar indiferente e ouviu Eduardo suspirar.- O que foi?

-Eu entendo que você tenha ciúmes, mas não tem motivos para isso Mari.

-Espera, eu oque?

-Eu entendo mesmo. Miranda é psicóloga, disse que você podia reagir assim. Só não pensei que você fosse inventar uma historia dessas. Você é sempre tão madura.

-Espera, você acha que eu estou inventando que aquela vaca...

-Olha a boca.- Eduardo rosnou.

-Ah claro. Que aquela doce e inocente vaca disse tudo isso, porque eu estou com ciúmes?

-Talvez seja melhor conversarmos outra hora Mariana.

-Não, não. É isso que você acha?

-Ela disse que é perfeitamente normal esse comportamento. E eu não sei o que pensar porque você não é assim.

-Puta merda.

-A boca Mariana.

-Não. Você me conhece desde que eu tinha seis anos. Essa piranha te agarrou tem seis meses e você vai dar ouvidos a ela?

-Mariana...

-Mariana coisa nenhuma.

-Já vi que não adianta conversar com você agora.- Ele disse se levantando.

-Ei, onde você vai. Eu ainda não terminei. Eu não acredito que você vai ouvir aquela megera e não eu que sou sua sobrinha.

-Já chega. Você está de castigo.

-Castigo? E desde quando você me deixa de castigo. Aposto que foi idéia dela.

-Não, não foi. Sou muito capaz de pensar sozinho.

-Olha, agora não parece isso não.

-Você está de castigo. Sem sair, sem telefone, sem treino.- Ele disse saindo e batendo a porta.



Então Mari esperou cerca de uma hora, apanhou sua mochila com algumas roupas, calçou suas botas e saiu pela janela usando a escada de incêndio do prédio. Estavam tentando tirar dela tudo que restara de sua família. Ela precisava de ajuda. Agora mais que nunca.



CONTINUA...
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