domingo, 7 de maio de 2017

CAPÍTULO 04 -UM ORIGINAL


Vingança para o mal - 04: Jogo de sedução Parte 01/02.







—Cheguei tio.- Mariana anunciou, mas ninguém respondeu.-Tio?- Ela ia para seu quarto quando ouviu uma porta bater.- Tio? Está em casa?

Quando ninguém respondeu Mari foi até o pequeno baú no canto da sala e pegou um revolver. Caminhou até o segundo andar com a arma engatilhada.

—Tio?- Ninguém respondeu e ela foi até o quarto dele. Virando o corredor deu de cara com seu tio.

—Deus Mariana. Quer me matar de susto? Para que isso?- Eduardo disse apontando para o revolver

—Eu ouvi a porta bater e chamei o senhor, mas ninguém respondeu.

—Eu estava no banho.

—Desculpe.

—Está tudo bem. Tem planos para essa noite?- Ele perguntou.

—Não. Pensei em ficar em casa e ler um pouco.

—Poderia me acompanhar em um jantar?

—Tio...

—Eu sei o quanto esses jantares são chatos para você Mari, mas eu tenho que ir, e não gostaria de ir sozinho.

—Eu tenho que usar salto?

—Só se quiser. - Ele disse e Mari sorriu.- Mas nada de botas de combate.- Ao ouvir isso ela bufou.

—Para que esse jantar?

—Um agente será promovido.

—E vão dar um jantar só por isso?

—Por ele e mais dois, mas principalmente por ele. Ele é muito bom Mari.

—Eu aposto que sou melhor.- Ela disse convencida.

—Eu sei que é, mas alguém desistiu de fazer a prova de ingresso não foi?

—Eu sei.

—Sempre se pode voltar. Eu poderia...

—Nem comece tio. Eu já disse que não quero ser uma agente.

—Eu sei. Mas eu ainda acho que é um desperdício de talento. Agora, vá se vestir. Sairemos daqui uma hora.

Uma hora depois os dois estavam no carro a caminho do jantar.

—E quem é o menino de ouro?-Mari disse virando os olhos.

—Mariana...

—Desculpe. Quem é?

—Lucas Mendes.

—Eu o conheço?

—Não. Ele começou logo depois que você saiu.

—E já será promovido à agente?

—Eu disse que ele era bom. Chegamos. Pode por favor, ser gentil?

—Contanto que o Rodriguez e seus amigos fiquem longe, será um prazer.

—Não se preocupe Mari. Depois de quebrar o braço dele, eu acho que o Marcos ele entendeu o recado.

—Foi culpa dele. Ele me desafiou. – Ela disse sorrindo.

—Sim, claro. E você não gostou nem um pouco disso não é?

—Talvez um pouco.

—Eu falo sério Mari. Pode ser gentil essa noite?- Eduardo a olhou seriamente.

—Eu vou tentar. Prometo. - Mari disse e os dois caminharam até o salão.

O salão estava muito bem decorado. Havia comida, boa musica e pessoas elegantes. Mari agradeceu mentalmente por ter deixado a ironia de lado e se vestido bem essa noite.

—A propósito. Você está linda.- Eduardo disse olhando para a sobrinha.

—Você só está dizendo isso porque peguei leve com você e coloquei saltos invés das minhas botas, que alias são muito mais confortáveis.

—Estou dizendo isso porque é verdade.

—Obrigada.- Mariana disse corando.

—Esse colar é...

—Sim. Era da minha mãe. O único que meu pai não perdeu no jogo. - Assim que entraram no salão todos os olhares se voltaram para eles.

—Nossa. Você ficou mais famoso desde que eu sai tio?- Mari sussurrou em seu ouvido.

—Não seja absurda Mariana. Estão olhando para você.

—Meu vestido está rasgado?- Ela perguntou se avaliando.

—É tão difícil você ver o quão bonita você é Mari?

—Quem está sendo absurdo agora? – Ela disse e Eduardo balançou a cabeça.- Onde está o menino de ouro?

—Mari..

—Eu estou brincando. Ah qual é? Lá vem..- Ela disse quando viu Marcos se aproximar.

—Uau Eduardo. Sua sobrinha está linda essa noite. Especialmente quando não está usando aquelas botas horríveis..

—Sabe Marcos, algumas pessoas achariam estranho um homem reparar nos sapatos que uma mulher usa.- Ela disse com um sorriso brincando nos lábios.

-Sempre com uma resposta não é?- Marcos disse.

-A propósito, como vai o braço?- Mari perguntou divertida e Eduardo puxou seu braço discretamente.

—Muito melhor Mariana. Você teve sorte. Sabe disso.

—Eu acho que o gesso que você usou por dois meses discorda disso.

—Não se sairia tão bem em uma próxima vez. Eu lhe dei vantagem.

—Oh desculpe. Então você me deixou quebrar seu braço?- Ela disse com um sorriso inocente e ele estremeceu.

—Mariana...

—Bem, foi bom ver vocês. Aproveitem o jantar.

—Francamente Mariana..

—Ele começou.

—Você disse que seria gentil.

—Eu fui. Se eu não fosse gentil, teria quebrado o outro braço dele quando ele disse que me deu vantagem.

—Você não tem jeito menina. - Eduardo disse tentando parecer sério, mas um sorriso lhe escapou.- Ali está o agente Mendes.- Eduardo apontou para um rapaz alto. Mariana o analisou atentamente. Ele era alto, ombros largos. Seu cabelo era de uma cor diferente de tudo que ela havia visto, era uma mistura de castanho com vermelho e estava uma bagunça. A impressão que passava era que ele havia acabado de fazer sexo selvagem antes de ir para o jantar, mas o que lhe chamou mais a atenção foram seus olhos. Um mar de olhos verdes. Lindos e profundos. Mari suspirou e Eduardo a analisou a fazendo engolir alto.

—Fique a vontade. Ele causa esse efeito em todas as garotas aparentemente. Pensei que você seria uma exceção.

—Não seja absurdo. Só estou analisando.

—Ah claro.- Eduardo disse revirando os olhos.- Vamos nos sentar. A premiação vai começar.



—Senhoras e senhores, muito boa noite. Me chamo Roberto Marques e esta noite estou aqui para efetivar alguns agentes. O primeiro é o agente Ferraz- Todos aplaudiram quando um homem realmente grande subiu ao palco, mas Mariana ainda estava atordoada com quem fazia o discurso. Ela havia o observado por meses e agora ele estava bem na sua frente. Era tentador não puxar a pistola que ela trazia na bolsa e ter sua vingança, mas não era assim que ela queria. Ela queria que ele soubesse quem ela era. Queria que ele tivesse o medo que ela teve dentro daquele armário, então ela resolveu esperar enquanto Roberto continuou a chamar os agentes que seriam premiados. -. Ele demonstrou muito empenho no treinamento. Alem de ser um dos mais fortes. Tenho certeza que será um ótimo agente. O segundo agente a ser efetivado também será o agente Santana.- Ele disse quando um rapaz magro de cabelos loiros subiu ao palco. E por ultimo, mas não menos importante. - Ele disse fazendo uma pausa. - Temos o destaque na academia. Eu não digo isso só por ele ser meu filho, mas porque esse rapaz tem talento. O agente Mendes.- Todos aplaudiram e Mariana sorriu largamente. Ele tinha um filho. Então o menino de ouro era filho do Marques. Seria uma brincadeira interessante essa. O jogo estava apenas começando e Mariana era a única que sabia como jogar.


CONTINUA...
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