domingo, 23 de abril de 2017

CAPÍTULO 02 -UM ORIGINAL


Vingança para o mal - 02: Um já foi, faltam três.







15 anos depois...

Mariana estava terminando de se arrumar, ela havia colocado uma peruca loira para chamar mais a atenção e também lentes de contato azuis. Ela vestiu o espartilho e a cinta liga, colocou também um par de luvas e um sobretudo.

Havia esperado muito por essa chance. Felipe Veigara estava sempre cercado de seguranças e mulheres, mas essa noite ele havia se descuidado e finalmente ela teria o início de sua doce vingança.

— Nome, senhorita? — O rapaz da recepção perguntou atrás do balcão.

— Isabele . — Respondeu prontamente. — O senhor Veigara ligou para a agência solicitando meus serviços. — Ela sorriu jogando seu charme para cima do... Michael – leu em seu crachá.

— Um minuto que vou verificar. — Michael capturou o telefone e, depois de conversar rapidamente com alguém, e dar alguns sorrisos em direção a Mari, ele permitiu sua subida.

— O senhor Veigara está hospedado na cobertura. Aqui — abriu uma gaveta ao lado —, esse é o cartão que irá liberar sua entrada. — Entregou-lhe esse último.

— Ah, sim. Senhor... — Arqueou uma sobrancelha inquisitiva, mesmo tendo lido seu nome fez menção de que não sabia.

— Newton. Michael Nunes.

— Obrigada, senhor Nunes. — Jogou para cima do rapaz mais um de seus sorrisos carregados de falsas segundas intenções. — O senhor Veigara ganhou uma cortesia da agência em que eu trabalho. Então outra moça deve chegar em breve e como é uma surpresa o senhor poderia liberar a entrada dela sem atrapalhar nossa festinha? — Mari disse dando uma piscada para Nunes, que sorriu malicioso.

— Sem problemas, senhorita.

Ela entrou no elevador e apertou o botão que a levaria até a cobertura. Ao chegar na porta do quarto Mariana usou o cartão para entrar.

— Hei, gostosão, pronto para se divertir? — Perguntou ao belo homem de pele clara e cabelos negros.

— Mais que pronto, gata. Já ia ligar pra recepção. Demorou, hein?

— Vou fazer sua espera valer a pena.

— E quem é você, delícia?

— Eu sou Isabele, mas essa noite posso ser quem você quiser. — Felipe estava deitado na cama, já sem a camisa e a calça, usava apenas uma boxer preta.

— Tire suas roupas. Eu quero um pequeno show primeiro. — Ele disse ligando o som com o controle remoto e o depositando sobre o criado mudo. Nos lábios cheios despontava um sorriso malicioso.



Ariana Grande — Dangerous Woman (Mulher Perigosa)



Ela foi desabotoando seu sobretudo enquanto balançava o corpo no ritmo da música.




Don't need permission

(Não preciso de permissão)

Made my decision to test my limits

(Tomei a decisão de testar meus limites)

Cause it's my business, God as my witness

(Porque é da minha conta, Deus é minha testemunha)

Start what I finished

(Começar o que terminei)

Don't need no hold up

(Não preciso hesitar)

Taking control of this kind of moment

(Tomando o controle desse tipo de situação)

I'm locked and loaded

(Estou travada e carregada)

Completely focused, my mind is open

(Completamente focada, minha mente está aberta)




Quando ele a viu salivou, ela vestia um corpete vermelho com renda preta que contornava sua cintura e uma cinta liga que deixava suas pernas brancas ainda mais sexys. A peruca estava presa em um coque, o qual ela soltou deixando os longos fios loiros caírem em cascata por toda suas costas. Ela caminhou em direção a ele e subiu na cama. Felipe a puxou, mas ela se afastou tirando um lenço de trás das costas.

— Vamos brincar um pouco. — Ela disse manhosa e Felipe sorriu divertido com o que estava por vir.


Nothing to prove and I'm bulletproof and

(Nada para provar e eu sou a prova de balas)

Know what I'm doing

(E eu sei o que estou fazendo)

The way we're movin' like introducing us to a new thing

(O jeito que estamos mexendo, sendo introduzidos a uma nova coisa)

I wanna savor, save it for later

(Eu quero saborear, guardar para mais tarde)

The taste of flavor, cause I'm a taker

(O gosto do perfume, porque sou uma pegadora)

'Cause I'm a giver, it's only nature

(Porque sou uma doadora, é natural)

I live for danger

(Vivo pelo perigo)


Claro, mas depois é minha vez.


— Deixo até me vendar. — Ela disse piscando e ele sorriu estendendo os pulsos em sua direção.

Ela o amarrou, apertando bem o nó em volta da cabeceira da cama, fazendo Felipe gemer

— A gatinha está brava.

— Você não faz ideia. — Ela fechou o punho e deu um soco em seu rosto.

Choque atravessou o corpo e a mente de Felipe, ele balançou a cabeça negativamente, tonto pelo ataque repentino de sua garota. Onde ela estava com a cabeça por golpeá-lo? Será que era sadomasoquista? O pessoal da agencia devia deixar claro as peculiaridades das suas funcionárias. Caramba, aquilo doeu, sentiu o gosto de sangue na boca e travou o maxilar, ela pagaria por aquilo, mas antes que ele pudesse lhe dizer algo ela fez uma pergunta que o deixou ainda mais desnorteado.

— Como eu encontro Arthur Viana? — Ele ficou calado, ainda absorvendo aquelas palavras, porém Mariana não estava com um pingo de paciência e então voltou a lhe socar, mas dessa vez com ainda mais força – se é que era possível, contudo Felipe, infelizmente, notou que sim, era possível. — Como eu encontro 
Arthur Viana? — Repetiu impaciente.

— Como eu vou saber, sua louca? — Por fim vociferou. — Me solta! — Exigiu enquanto tentava se soltar, mas ela era boa com nós, ele não sairia dali a menos que ela o desamarrasse.

— Vou perguntar mais uma vez — ela disse sacando um revólver da parte de trás do espartilho —, como eu encontro 
Arthur Viana?

— Quem é você? — Ela engatilhou a arma em um aviso claro de que se as próximas palavras não a agradassem seria seu fim e ele engoliu em seco. — Eu juro que não sei como encontra-lo. Me desamarre ou eu vou...

— Vai o que? Mandar seu amiguinho me matar como ele matou meus pais?

— O que? Eu não mandei... Eu nem te conheço, garota.

— O sobrenome Alonzo soa familiar para você? Seu merdinha! Você e aqueles filhos da puta estavam tão preocupados em acabar com a vida dos meus pais que nem se preocuparam em revistar a casa.

—José? José tinha uma filha? Isso...

—Não pronuncie o nome dele. Você não tem esse direito. — Grunhiu, não permitiria ouvir mais palavras daquele desgraçado se não fossem úteis. — Vou perguntar uma última vez antes que eu perca a paciência e espalhe seus miolos por esse quarto. — Respirou fundo. — Como eu encontro 
Arthur Viana?

—Olha, garota, eu parei. Alguns anos depois daquele dia, eu pedi dispensa. Eu sai, ‘tá legal? Não sei como e nem onde encontrar o Black. — Felipe disse rapidamente, temendo por sua vida.

Mari travou o maxilar. Aquele filho da puta não passava de uma marionete inútil.

—Infelizmente pra você, eu acredito nisso — ela mirou a arma para cabeça de Felipe e ele arregalou os olhos, contudo já era tarde e ele não podia fazer mais nada. Ela disparou friamente, sem esboçar nenhuma reação, aquilo não passava de lixo sendo reciclado.

Mariana recolheu seu sobretudo, que estava no chão, e jogou uma rosa branca sobre o corpo de Felipe.

Precisava sair dali logo, pois a garota que ele havia contratado logo chegaria e o encontraria.

Ela virou o sobretudo ao contrário fazendo com que se transformasse em um elegante casaco. No corredor uma garota ruiva vinha em direção ao quarto, mas Mari já não estava por perto, ouviu apenas um grito estridente enquanto as portas do elevador se fechavam.

A rua estava escura e em um beco ela se livrou da peruca, das lentes de contato e da luva de pele que encobriam suas digitais, por fim subiu em sua moto e foi embora na calada da noite.

Um já foi, faltam três.



CONTINUA...

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