domingo, 16 de abril de 2017

CAPÍTULO 01 - UM ORIGINAL

Vingança para o mal - 01: O jogo está apenas começando.








— Eu darei um jeito de pagar. — José tentou argumentar com o homem loiro que apontava uma arma em sua direção. — Peça para o senhor Marques... — Ele engoliu o nó que se formava em sua garganta, o medo corroía suas terminações nervosas, fazia seu coração acelerar e suas mãos – já trêmulas – suarem.

— Pedir o que? Para ele te dar mais um mês, Alonzo? Você disse isso mês passado. Acabou o seu tempo.

— Por favor... eu tenho família. — Implorou. Sabia que tudo era sua culpa, culpa de seu vício, mas precisava contornar aquela situação, precisava implorar, se ajoelhar e se humilhar caso fosse preciso.

— Eu sei disso — sorriu friamente —, e Roberto também sabe. Cadê a sua esposinha?

— Não por favor eu... eu vou...

Céus! Sua família não, sua alma agonizava. Esteve tão cego que não pensou que sua família poderia sofrer com suas ações inconsequentes. Só a ideia o deixava tonto, enjoado, enojado de si mesmo.

— Você nada, Alonzo. Você perdeu tudo. — Vociferou. — Não deveria nem ter oxigênio em seus pulmões, pois até ele você deve à Roberto. Suas dívidas de jogo irão te arruinar. Acabou seu tempo. — Repetiu.

José viu Marieta se aproximando da escada – seu coração perdeu uma batida – e rapidamente tentou avisá-la.

— Marieta! Marieta, fuja! — Mas antes que ela conseguisse passar pela porta um dos homens, moreno de cabelos longos, a segurou.

— Me solta!

— Muito bravinha essa daqui. Vamos amansá-la... — Ele desceu sua mão que estava no pescoço de Marieta, contudo ela foi mais rápida e o mordeu.

— Sua vadia! — Soltou-a brutalmente, fazendo-a cambalear para frente. — Roberto deu ordem para matarmos só o merdinha do Alonzo, mas acabo de mudar de ideia. — Mirou sua arma na direção da cabeça de Marieta e então disparou.

José gritou mergulhado em horror e desespero, correu em direção ao corpo de sua esposa e as lágrimas desceram de seus olhos achocolatados, sua garganta se fechou. Ele sentia como se alguém tivesse arrancado seu coração e em seguida o tivesse feito virar cinzas.

Sua esposa, sua Marieta.

— Não!

O que ele fez? A que ponto chegou? Suas lágrimas banhavam seu rosto, mas não lavavam a dor que dilacerava sua alma.

— Nem comece com a choradeira, Alonzo. Pelo menos uma vez nessa sua vida cretina se mostre homem, porra! — O homem loiro, com um sorriso cheio de diversão, disse chamando sua atenção. — Você é o próximo. — Engatilhou a arma e disparou em direção a cabeça de José, que tombou, caindo ao lado do corpo de sua esposa.

— A polícia está a caminho Adam, já consigo ouvir as sirenes. — O outro capanga, de pele clara e cabelos negros devidamente arrumados, avisou. — Vamos embora.

— E esses dois? — Perguntou o de cabelos longos.

— Deixem aí. Não tem testemunhas, nunca vão saber o que aconteceu. — O loiro disse depois de jogar uma rosa branca em cima dos corpos.

— Pra que isso, Adam?

— Ordens do chefe. Vamos embora. — E eles foram.

Pensaram que não existiam testemunhas, porém eles estavam enganados, pois dentro do armário estava Mari.

Alguns minutos antes dos terríveis assassinatos, Marieta ao ouvir a movimentação lá fora escondeu Mari no armário da sala e subiu para o segundo andar, pois caso tudo falhasse ela poderia atrai-los para cima, dando a sua filha uma chance de fuga. Contudo, antes de subir, ela pediu para que Mari ficasse quietinha e só saísse do armário se visse seu tio Eduardo , que era investigador da polícia.

Mariana cobria sua boca com as mãos para que ninguém escutasse sua respiração e seus soluços. Ela tinha apenas seis anos, e havia acabado de presenciar o assassinato de seus pais, e ainda sim ela só conseguia pensar em uma coisa. Vingança. Um dia ela vingaria seus pais. Caçaria um por um deixando o mandante, o tal Roberto, por último só para que ele soubesse que ela estava chegando.


CONTINUA...

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