domingo, 5 de março de 2017

Fanfic Remember Me Capítulo 22- O que você não sabe, não pode machucar

Bella PDV
Abri meus olhos e olhei no relógio da cabeceira. Já passava do meio dia, mas eu ainda me sentia muito cansada. Há tempos não tinha uma noite tão tranqüila. Sem pesadelos. A casa e a presença da minha vó me transmitia isso. Paz. Embora ela não soubesse.
Ela já era uma senhora de idade. Tive medo de que se contassem a ela o que quase havia acontecido, seu coração não agüentasse. E isso me mataria. Para todos os efeitos, eu andava um pouco adoentada. Era isso que eu havia lhe dito, e ninguém me desmentiu.
Me remexi levemente na cama e senti braços me apertarem. Com cuidado me virei para encontrar o dono daquele abraço. Edward ainda estava dormindo tranquilamente. Ao perceber que não havia nem uma única peça de roupa entre nós, as lembranças da noite passada invadiram minha memória. Depois de conseguir derrubar uma barreira que eu mesma coloquei entre nós, consegui me abrir um pouco sobre os pesadelos. Eu era uma tonta por sequer cogitar a idéia de que ele ou os outros me olhariam diferente pelo que havia acontecido. É claro que isso era coisa da minha cabeça. Edward me disse que ele conseguiu marcar uma consulta com a Dra. Carmen, mas que ela queria me ver sozinha. No fundo eu achava melhor. Como eu já disse, me sentia uma tonta por pensar que Edward me olharia diferente, mas saber que ele não ouviria sobre o medo que senti naquele dia, me deixava bem mais tranqüila. Ao que parece Riley havia desistido de qualquer idéia insana que ele nutria sobre mim. E eu tinha medo de que se Edward ouvisse sobre como me senti, resolvesse procurar aquele maldito, e ele decidir retaliar se vingando dos nossos filhos, ou mesmo fazendo alguma coisa contra Edward.
A idéia de isso acontecer fez com que meus olhos se enchessem de lagrimas. Eu bem que tentei, mas não consegui. E quando me dei conta soluçava baixinho. Soluços que acordaram Edward.
—Bella? Qual o problema amor? Os pesadelos voltaram?- Eu não conseguia falar. Eu só soluçava baixo. Então me agarrei a ele, e seu abraço ficou mais apertado.- Bella, fala comigo. Me conta... Você disse que contaria seus pesadelos amor. Me conta.- Eu balancei a cabeça em um sinal negativo. Eu sabia que havia dito que contaria meus pesadelos para ele, mas isso foi antes de pensar que ele poderia ir atrás daquele monstro.- Por favor.
—Você... Promete... Promete não fazer nenhuma besteira?- Perguntei entre os soluços.
—Bella...- Tentei me acalmar. Se eu fosse contar a ele, teria que para de chorar primeiro.
—Eu só vou contar se você me prometer.- Eu disse me acalmando.
—Tudo bem. Eu prometo não fazer nada.- Eu respirei fundo e decidi que estava na hora de contar por que eu não queria mais dormir. Por que meus sonhos me apavoravam mais que tudo.- O sonho sempre começa muito... Real. Sempre você e eu fazendo alguma coisa. Conversando ou assistindo um filme, mas aí você começa a me beijar e...
—Eu machuco você? Nos seus pesadelos?- Ele perguntou espantado.
—Não. Nunca. Você nunca. Sempre estamos assim, mas sempre acabamos indo para a cama e tudo bem por ai, mas aí quando o lençol cobre seu rosto e depois reaparece... Então não é....Não é mais você que esta em cima de mim Edward.- Eu disse sentindo meu estomago revirar e as lagrimas que ameaçam cair queimarem.
—É...É ele?- Ele perguntou travando o maxilar e eu assenti deixando algumas lagrimas escaparem e Edward me apertou mais forte em seus braços.- Eu sinto muito amor. Sinto mesmo.
—E não é só isso... Eu...- Eu travei. Não sabia se queria contar o resto.
—Me conta Bella.
—Eu tento empurrá-lo e ele fica dizendo que você não vem me salvar dessa vez e... E ele aponta...- Eu tentei dizer começando a chorar.
—Ele aponta para o que Bella?
—Eu...
—Bella..
—Eu não sei Edward. Eu sempre acordo aos gritos antes. Nunca consigo ver o que é.- Eu mudei de idéia na ultima hora. Se só de saber o que aquele mostro fazia comigo Edward havia ficado desse jeito, eu sabia que ele descumpriria sua promessa se eu contasse o resto do pesadelo. Sempre que eu o empurrava e ele apontava para o chão, eu sempre via a mesma cena. Edward. No chão em uma poça de seu próprio sangue dizendo que a culpa era minha.E meu Charlie. Me pequeno e doce Charlie caído sem vida ao seu lado. Mas a parte que mais me matava era o final. O sonho era sempre igual. Todas as noites. Às vezes eu tinha sorte de acordar aos gritos antes de ver a ultima parte. Eu o empurrava e tentava correr para eles, mas aí eu olhava em direção a porta e... E ele estava lá. Aquele mostro do Riley estava lá, estava com Elena nos braços, dizendo que... Que iria conseguir com ela o que não conseguiu comigo.- A essa hora eu já estava chorando, soluçando e tremendo. Edward me apertava em seus braços visivelmente tenso de raiva, eu nem havia contado tudo. Eu não poderia. Eu sabia que ele iria atrás do Riley, e que aquele mostro asqueroso se vingaria. É como dizem, o que você não sabe, não pode machucar. E no que dependesse de mim não machucaria. Não o Edward, nem aqueles que eu amo.
—No começo da semana você tem a consulta com a Dra Carmen. Eu espero que ela possa te ajudar.- Ele disse acariciando meu rosto.
—Eu também espero.- Disse me aconchegando em seus braços.
Ficamos na cama mais um pouco, mas eu já estava com saudades dos meus bebes. Me levantei e fui tomar um banho sobre protesto do Edward, que queria ficar mais tempo na cama. Eu segui em direção ao banheiro e ele veio atrás.
Passamos o dia todo na casa da minha avó, mas tivemos que voltar. Edward tinha que trabalhar, Elena tinha a escolhinha. Eu havia conseguido uma licença e por enquanto ficava em casa com o Charlie. Para ir na consultas com a Dra. Carmen, Esme se ofereceu para cuidar dele. Eu não queria atrapalhar, mas não tinha opções.
E lá estava eu. Na sala de espera de uma psicóloga depois de ter sofrido uma tentativa de estupro. De todas as coisas que eu planejei para minha vida, essa certamente não foi uma delas.
A recepcionista disse que eu seria a próxima, e menos de cinco minutos depois eu ouvi a Dra. Carmen me chamar.
—Olá Isabella.
—Bella.
—Bella. Eu sou a Dra. Denali, mas pode me chamar só de Carmen. Sou uma grande amigo de Carlisle.
—Ele disse que a senhora... Quer dizer, que você podia me ajudar.
—Eu quero muito ajuda-la. Você foi vitima de uma tentativa de estupro certo?
—Sim.- Eu disse secamente. Não esperava que ela fosse tão direta
—Desculpe ser tão direta Bella, quero que saiba que para que isso funcione eu preciso que você se abra comigo. Quero dizer também que absolutamente todas as nossas conversas, são confidenciais. E que mesmo sendo amiga de Carlisle há tanto tempo, eu jamais direi a ele o que eu ouvir nessa sala.
— É tão vergonhoso... Eu me sinto tão culpada.
—Não diga isso Bella. O único culpado é aquele homem.
—Você diz isso e Edward não para de repetir isso, então por que não para de me sentir culpada por isso?
—Em alguns casos como o seu Bella, é comum a vitima se sentir culpada. Se eu não estivesse na rua aquela hora, se eu tivesse gritado mais alto...
—Se eu tivesse escutado o Edward.
—É perfeitamente comum se sentir assim, mas você precisa entender Bella. Você não é a culpada. Eu entendo que você não quer falar tudo comigo. Então porque não tenta se abrir com uma de suas amigas. Sendo esposa do Edward, penso que Alice seja uma grande amiga sua.
—Sim ela é. Mas mesmo que eu queira não posso me abrir com ela.
—Por que não?
—Ela não tem confidencialidade.
—Eu entendo. Alice não tem mesmo.
—A conhece?
—Claro. Conheço todos os Cullens.
Alice e Edward desde que nasceram. Tudo bem Bella. Vamos começar por coisas mais simples que tal?
—Tudo bem- disse em um sussurro.
—Quem você mais ama?
—Edward, meus filhos, minha família
—Em quem mais confia? De todas essas pessoas.
—Edward.
—Ótimo. Contou a ele sobre seus pesadelos?
—Como sabe sobre os pesadelos?
—Eu imagino que venha tendo. A maioria das minhas pacientes os tem. Você os tem?
—Sim
—Contou ao Edward?
—Não. Quer dizer, não tudo.
—Por que não?
—Porquê.... Eu.
—Bella. Para isso funcionar, preciso que você confie em mim. Tudo bem?
—Sim.
—Vamos começar por alguma coisa mais simples. O que você faz? Quais são seus hobbies? Suas comidas favoritas?
—Sou professora de literatura.
—Sério? E qual seu livro favorito?
—Orgulho e preconceito. Gosto do jeito que a Austen escreve.
—Eu leio muito, mas nunca li um romance de época.
—Eu os considero os melhores. - no início não entendi por que a doutora estava se desviando do assunto. Até perceber que estava muito mais relaxada.
—E seus hobbies?
—Não tenho um em especial. Gosto de ficar com meus filhos.
—São dois não são? Quando visitei Carlisle assim que voltei a cidade ele me mostrou as fotos. Ele é um avô muito babão sabe. - ela disse sorrindo.
—Sim ele é. Quando descobriu que minha segunda gravidez era um menino ele até chorou.
—E como são as crianças? Dão muito trabalho? Eu já passei da idade de ter filhos, meu marido e eu perdemos o prazo.
—A senhora é tão jovem. Tem o que? 36, 37 anos?
—Me chame de Carmen querida. E minha idade foi bondade sua. Tenho 45.
-Não teve filhos?
—Meu marido e eu estávamos mais preocupados com nossas carreiras. Mas voltando. Elena é a sua cara. E o pequeno Charlie. Quando crescer vai chamar tanta atenção quanto o pai. Eu me lembro que quando Edward era pequeno e queria alguma coisa ele dava seu sorriso torto. O danadinho conseguia qualquer coisa. Ele ainda faz aquilo?
—Ah com certeza. Sempre que me zango com ele- eu disse sorrindo-. E o Charlie não é diferente. Só tem um pouco mais de um ano, mas já aprendeu a dar o sorriso do pai.
— Não acredito.
—Sim. É verdade. Eu aposto que foi o Edward que ensinou.
—Eu adoraria conhecê-los um dia. Por hoje é só Bella. O que acha de voltar na próxima semana?
—Tudo bem.- Disse desapontada. Estava começando a me sentir bem com ela.
—Eu posso te receitar um calmante para dormir se quiser Bella.
—Seria ótimo doutora.
—Tudo bem. E já pedi para me chamar de Carmen. E Bella... Quer um conselho?- eu assenti. - Eu sei que Edward nunca a colocaria contra a parede para saber o que anda lhe afligindo, mas... Converse com ele. Conte o que te assusta. Diga do que tem mais medo.
—Ele é tão impulsivo. Honestamente tenho medo de que...
—Que ele faça alguma estupidez? Eu não acho que ele faria. Desde pequeno ele sempre foi assim. Impulsivo, mas ele não é burro Bella. Ele sabe que não seria inteligente provocar alguém que tem problemas mentais. Você chegou a contar alguma coisa?
—Só uma parte. E ele ficou tão nervoso.
—Com você?
—Não. Comigo não. Ele ficou... Tenso. Essa é a palavra. Ele ficou tenso, e eu nem contei a pior parte. - disse sentindo as lágrimas se formarem.
—Conte a ele Bella. Quando ele entender o grande esforço que foi para você contar, sei que ele vai fazer o que você quiser.
—Eu só quero paz Carmen. Eu quero esquecer aquele maldito dia. Eu quero que quando meu marido me toque quando eu estou de olhos fechados, eu não sinta calafrios. Quero voltar vida que eu tinha, e não ter que me preocupar com aquele louco fazendo mal a Edward ou aos meus filhos- Eu já estava chorando. Sentia todo o peso que vinha carregando esses dias deixar meu peito.
—Você vai voltar ao que era Bella. Eu prometo isso a você, mas precisa confiar nas pessoas a sua volta. Nesses casos estar com a família é fundamental. Eu vou ajudá-la no que eu puder querida, mas você precisa se ajudar e deixar que te ajudem. Entende isso?- Assenti com a cabeça e limpei as lágrimas do meu rosto. - Edward ama você. Tenho certeza disso. Ele quer o seu melhor.
—Acho... Acho que você tem razão. Vou conversar com ele.
Sai do consultório e peguei um táxi e voltei para casa. Charlie e Elena estavam com Esme é Edward ainda estava no hospital. Eu estava sentada lendo quando ele chegou. Carmen estava certa. Eu precisava confiar nele. Contar o que me afligia.
—Oi.- Ele disse se sentando ao meu lado e me dando um beijo.
—Oi.
—Como foi hoje?
—Bom. Eu gosto da Dra. Carmen.
—Fico feliz.
—Como foi seu dia?
—Alguns pacientes. Nada muito diferente.
—Carmen disse algumas coisas...- Eu estava tentando abordar o assunto, mas não sabia como. Decidi que o melhor era falar de uma vez.- Gostaria de saber o que ela disse?- Perguntei hesitante.
—Claro.- Ele disse rapidamente.
—Ela... Bem, ela disse que eu devia falar com você sobre...
—Sobre?
—Sobre meus pesadelos.
—Mas você falou comigo. Na casa da sua avó.
—Sim, mas eu...- Talvez não fosse uma boa idéia. Talvez fosse melhor deixar as coisas como estavam.
—Bella... Qual o problema?
—Talvez eu não tenha.. Talvez eu não tenha contado tudo. - Eu disse baixando a cabeça e o ouvi suspirar. Ele ergueu meu queixo delicadamente e me fez olhar em seus olhos.
—O que você não está me contando amor?
—A parte final do sonho. Depois que eu o empurro. Eu disse que não sabia o que vinha depois. Não era verdade. Mas estou pronta para contar tudo a você agora.- Estava na hora de vestir minhas calças de menina grande e confiar no homem que eu amava. E eu começaria por contar tudo a ele. Não me importando com meus medos.